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Tradições: Os orgulhosos neogaúchos híbridos se transformaram em refugiados climáticos.

Há algumas publicações atrás que fizemos sobre a ação, dos agora definidos como 'neogaúchos' pelo historiador aqui presente nessa matéria, em nosso território brasileiro, demonstra que foram, provavelmente de forma inconsciente, dominados pela mesma ideologia dos ibéricos que aportaram por aqui no século XV em diante. A mesma prepotência, a mesma visão, mesmo nos mais empobrecidos, de sua superioridade étnica e ambiental. Tudo o que viram foram recursos de cunho econômico e nunca se conectaram, mesmo com a dificuldade da comunicação verbal, com os que aqui já habitavam há séculos. E em função de seu supremacismo, hoje vivemos em todo o país, de sul a norte, o mesmo desprezo e a mesma ignorância que arrasa com tudo e todos os seres vivos, incluindo os humanos. Deprezam ainda hoje, e vemos isso fortemente no centro-oeste, no norte e no nordeste, de tal forma a paisagem e seus habitantes racionais ou não, que devastam todos os ambientes para tentarem saciar sua voraciada insaciável e como Fantasmas Famintos, há 200 anos fazem do restante do pais, o que fizeram no sul. E são seus eurodescendentes de hoje que colhem os amargos e deprimentes frutos dessa arrogância e voracidade sem limites. E isso está tão candente que mesmo em seu continente de origem, a Europa, hoje vivem tempos de tensão com a escalada vertiginosa do neofascismo e do fundamentalismo da direita dura ou extrema direita que tem por objetivo, abocanhar qualquer palmo de terra e de vida que representar dinheiro. Mesmo que isso leve à derrocada de toda a sociedade global. Assim, o que se vive aqui é fruto dessa doutrina do capitalismo indigno, filho espúrio do supremacismo branco eurocêntrico que contamina todas as etnias planetárias.

Emergência climática: ‘Brancos viram o que aconteceu no RS e, agora, têm que se juntar a nós’

Como outros homens ilustres de nosso país como José Lutzenberger, Antônio e Calos Nobre, Prof. Enéas Sallati e tantos e tantos outros, cidadãos honorários, juntamos o honrado e venerável líder Raoni Metuktire. Tem há décadas sido um grande batalhador não só na defesa exclusiva dos Povos Orignários, mas de todos os seres humanos que habitam nosso Planeta. Mais um voz que clama por um coração mais inclusivo e abrangente de todos os nossos conterrâneos para sermos mais sábios e reconhecermos que a escolha que a Humanidade tem feito nos dois últimos séculos com a expansão vertiginosa do capitalismo com seus egocentrismo e individualismo, que se manifesta fortemente pelo supremacismo branco eurocêntrico, está de forma intensa levando a todos nós à auto extinção. Sim, ainda temos chances de alterarmos esse direcionamento, mas como humildade temos que abrir mais do que os olhos, os corações principalmente para os que estão vindo depois de nós. Mas com as atuais eleições na União Europeia ratificando um expressivo crescimento da extrema direita e do neo nazifascismo, esta esperança ainda pode ser verdadeira?

Emergência climática: Números da cheia no RS revelam dados alarmantes, mas são incapazes de traduzir o cenário apocalíptico pós-enchente

Aqui estão as lágrimas ao não termos ouvido os clamores do José Lutzenberger quando nos apresentava o que poderia acontecer quando chegassem os efeitos das mudanças climáicas. Ver as imagens da reportagem da MetSul, 'VALE DO TAQUARI: UMA REGIÃO ARRASADA QUE PARECE TER SIDO BOMBARDEADA', é de suspender a respiração. Pois essas são as lágrimas da população gaúcha por não termos tido a humildade de acolher a amorosidade desse gaúcho e sim o canto das sereias dos supremacistas brancos eurocêntricos que contaminaram a agricultura com a monocultura das commodities e de sua devoção à ideologia da colonialidade. E ao se ver que essa região é de onde saíram exatamente os mentores brasileiros do 'agronegócio', pode-se entender as secas amazônicas, as cheias por aí e os desequilíbrios climáticos que estão grassando por todo esse país. Depois de terem destruído as relações humanas e saudáveis dos agricultores familiares e sua produção de alimentos, para dominarem com seus latifúndios com a monocultura da soja, e com devastação das florestas de araucária de todo o sul do Brasil, RS, SC e PR, invadem o centro-oeste e a Amazônia e agora o Cerrado com sua voracidade de Fantasmas Famintos. Está na hora de colocar o chamado 'agro' no seu devido lugar de aniquilador da paz no campo e na cidade. Está na hora de nos reconectarmos com os pequenos agricultores, com a agricultura familiar e a produção de alimentos honestos para vivermos a abundância que a agricultura verdadeira sempre nos deu de forma equânime para todos os filhos da Terra.

Emergência climática: Em meio a enchentes mortais, Alemanha se afasta de metas climáticas

A mensagem que o Planeta tem nos dado é definitiva e explícita. Vale uma correlação que poderá soar para muitos como exagerada, mas talvez não. Na linguagem planetária, não adianta os fatos serem sentidos por locais tão longe do Umbigo Civilizatório porque o individualismo do supremacismo branco, está convicto de que as fatídicas calamidades acontecem somente no mundo subdesenvolvido. Mas pasmem! Olhem o que, por uma segunda vez nos últimos anos, está se passando no centro da dispersão colonialista do século XIX, a Alemanha. Já se deram conta de que a enchente do Rio Grande do Sul aconteceu no 'berço' da colonização alemã no Brasil, a partir de 1824? São Leopoldo, no vale do Rio dos Sinos, e dali para cima no vale do rio Taquari com Estrela, Lajeado, Arroio do Meio e assim por diante? O que será que a Terra está querendo nos dizer quando a cheia do sul do Brasil se dá, poucas semanas antes da cheia que ocorre agora no sul da Alemanha? Pura coincidência ou grande conexão antropológica? Lembram todos de que foram os chamados colonos alemães, antes dos italianos, que 'colonizaram' essa região e depois 'subiram' para a região das Missões, onde chega a soja na década de 60? E que ali se dá o berço do hoje agronegócio com sua visão de mundo da colonialidade das 'commodities' e da devastação ambiental de todo o oeste brasileiro indo depois para a Amazônia e agora no Cerrado? Será que não está nos dando alguma informação dessa conexão climática com a visão de mundo da apropriação dos ambientes para satisfazerem suas crenças civilizatórias? Quem sabe? Será que não é o tempo de nos reavaliarmos como nos relacionamos com todos os biomas planetários? Com humildade e humanidade?

Emergência climática: Mais chuva e seca = Terra está virando ‘bomba climática’

Percebe-se que nas informações que são mais clamores do que simples partilhas, que os cientistas climáticos têm lançado ao mundo, as situações extremas não são isoladas nem desconectadas. Não importa se são secas, cheias, tornados, furacões etc., os efeitos devastadores, por serem extremos são os gritos que a Terra tem nos trazido. Infelizmente, 'distraída e infantilmente', temos sido negligentes, inconsequentes e irresponsáveis quando nos negamos a acolher essa amorosa fala daqueles que olham e captam muito além dos seu tempo o que egoicamente temos desprezado. Chorar depois como temos visto as populações ao sofrerem os resultados objetivos dessa 'burrice' global, demonstra como somos despresíveis nas nossas relações com a alteridade, seja ela qual for. Paciência, estamos colhendo o que viemos plantando a partir de nossos cegos e individualistas umbigos doentios

Emergência climática: Dados mostram que Brasil perdeu 55% da região do agreste e está se tornando sertão

Passarão alguns meses ou anos e todos diremos: "Puxa! Por que não acolhemos e agradecemos a cientistas como os irmãos Nobre que vêm, há anos, nos mostrando a loucura desses tempos em que não 'ouvimos' nem honramos os alertas que a Natureza tem nos dado?". Talvez possa ser tarde demais como todas as famílias arrasadas pelas cheias de maio de 24, no Rio Grande do Sul, estão plasmadas. Mas não foi o fizemos com os clamores, no verdadeiro sentido da expressão, que, furiosamente muitas vezes, José Lutenberger, o 'velho Lutz', 'berrava' nos nossos ouvidos? E nós, impassíveis, fazíamos ouvidos moucos. Pois bem... aí está o que amorosamente, com veemência, o Lutz nos instigava. Mas agora, não adianta 'chorar sobre o lenho seco', nem 'o leite (sic!) derramado'. A tristeza e a solidão é a herança que nós, os supremacistas brancos e os invasores, legamos para os conterrâneos gaúchos deserdados de hoje. Quem serão os de amanhã?

Emergência climática: O olhar das fotógrafas sobre a seca da Amazônia

Vale destacar que essa matéria é de novembro de 23, ou seja, há uns cinco mêses. Incrível para quem já navegou pelos rios Negro e Solimões e esteve em Tefé e foi até a Reserva Extativista de Mamirauá, pelos rios abundantes e pelos lagos cheios de vida e beleza, constatar isso. É impossível se crer que essa situação, mostrada abaixo, possa ser real. Ver agora essas paisagens desoladoras é uma realidade tão absurda que parecem cenas ficcionais. E é a repetição daquela inesquecível seca de 2005 que parecia que jamais haveria algo com aquela dramaticidade. Mas ocorreu e num tempo muito curto para ser ocasional. E o mais irônico é o contraste com as inundações históricas que acontecem agora no Rio Grande do Sul. É um imenso paradoxo. Infelizmente real e assustador.

Mudanças climáticas: Como troca de vegetação nativa por soja pode ter agravado as enchentes no Rio Grande do Sul

Matéria que nos mostra como foram várias as ações em todos os ambientes e que demonstram como os que chegaram lá pelo século XIX, vieram para tornar o estado num arredo do que conheciam em seus espaços de origem. Ou seja, eles não chegaram aqui, eles não sairam de lá. Desta forma, já que não dava para replicar exatamente a paisagem e a produção agrícola que lá faziam, agiram com total despreparo e desrespeito aos ecossistemas locais. Por que? Simplesmente porque nem passou por sua mente supremacista de que os que aqui estavam já moravam a milhares de anos nestes mesmos ecossistemas e até poderiam ter soluçãos muito mais adequadas do que as suas. Basta ver que os invasores até acharam que as terras e as florestas eram, misoginamente, 'virgens'. Dando a entender de que os 'homens' não haviam 'penetrado' nelas. Nem conseguiam ver que os povos originários, ecologicamente, sabiam como conviver, de forma harmônica e integrada, com os espaços e com sua biodiversidade, de forma pelo menos positiva. Caso contrário, se os povos originários agissem como os supremacistas brancos agiram e agem, os tais invasores não teriam encontrado pedra sobre pedra e viveriam as mesmas agruras que os descendentes do invasores estão vivendo agora. Sentem a diferença de relacionamento dos supremacistas com os espaços e que são completamente diferentes daquele que os povos originários têm?

Mudanças Climáticas: Por que apostar nos saberes ancestrais

Sem questionamentos supremacistas: o Brasil não pode mais abdicar dos saberes de quem vive há séculos nesse continente e que não o invade. Os povos originários, sempre desprezados e humilhados, mostram para os que têm por prática a invasão, a agressão, a submissao e o esbulho, que o futuro de todos somente acontecerá quando todos os que aqui habitam realmente cheguem nesse espaço geográfico chamado Brasil. Os tempos que os invasores têm passado por aqui não tem sido de harmonia e integração, nem com os espaços, nem entre eles e os povos originários. Até quando? Quando o último dos invasores for embora ou desaparecer?

Emergêcia climática: Há duzentos anos…

Ao se ler o texto da historiadora, pode-se constatar de como chegaram os europeus, desde o século XV, em nossas terras. Vieram não para ficar, mas para explorar o 'eldorado' para depois de enriquecerem, voltarem para seus torrões natais, agora sim para não passarem fome nem ficarem na periferia da sociedade excludente europeia. Vê-se que nunca nem se interessaram em se integrar com os povos que já viviam aqui há séculos. E assim continua até os dias de hoje. Basta ver como se invadiu a partir da ditadura militar, entre os anos 60 e 80 do século XX, todo o bioma do Cerrado e da Amazônia. Nunca procuraram ver como os povos se integravam como os ambientes, até para construirem uma troca de conhecimentos e possibilidades de não devastando, agregar conhecimentos que poderiam alavancar os saberes tradicionais. Esses diferentes dos brancos nunca desrespeitam os aspectos essencias de todas as Vidas que formam cada um dos ecossistemas que integram os riquíssimos e belíssimos biomas que moldam as nossas paisagens. E tem sido ainda muito pior do que se disse até aqui. Além de não se integrarem com os ambientes e os povos, ainda tiveram a firme intenção não só de arrasar com os espaços naturais, mas eliminar, literalmente, todos os povos originários. Temos convivido há séculos com assassinos supremacistas brancos que se apropriam do bem comum de todos os brasileiros para seu exclusivo desfrute. E deixam atrás de si uma tal paisagem que, por total desequilíbrio ambiental, quando não são os próprios que a devastam, favorecem que ações naturais como agora as climáticas, acabem se transformando em algozes de vastos ecossistemas como está acontecendo no Rio Grande do Sul. Quando os eurodescendentes se convencerão de que não são mais europeus, mas sim brasileiros para que possamos ter uma sociedade mais inteligente por acolher todas as diversidades que nosso país dispõe, tanto de gente como de vida natural?