Leite de soja, contaminação com glifosato e as crianças.

Leite de soja: exposição subcrônica de pré-adolescentes, gerando disfunção hormonal.

 

 

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0278691516304896

 

 

 FOOD AND CHEMICAL TOXICOLOGY

Volume 100, February 2017, Pages 247-252

Uma nova pesquisa feita no Brasil mostrou que o leite de soja e herbicidas a base de glifosato, quando fornecidos juntos a ratos, causam disfunção hormonal (como disruptores endócrinos, piratas hormonais) ao gerarem decréscimo nos níveis de testosterona e danos aos espermatozoides.

Autores: 

Jessica Nardi aPatricia Bonamigo Moraes a; Carina Koeppe aEliane Dallegrave bMina Bainy Leal cLuciana Grazziotin Rossato-Grando a. 

a  Institute of Biological Sciences, University of Passo Fundo, BR 285, 99052-900, Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brazil

Department of Pharmacoscience, Federal University of Health Sciences of Porto Alegre, Sarmento Leite Street, 245, 90050-170, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil

Department of Pharmacology, Institute of Basic Health Science, Federal University of Rio Grande do Sul, Sarmento Leite Street, 500/309, 90050-170, Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil

 

DESTAQUES

  • O leite de soja apresenta efeitos de disruptor endócrino ao decrescer os níveis de testosterona sérica.
  • O leite de soja também descresse o número de células de Sertoli e aumenta a percentagem de células degeneradas tanto de Sertoli como as de Leydig.
  • Os efeitos de disruptor endócrino são intensificados pelas exposição ao leite de soja e aos resíduos de glifosato.

 

RESUMO

A intolerância à lactose é caracterizada pela baixa ou inexistente presença da enzima lactase (nt.: enzima que degrada a lactose) e o tratamento principal consiste em mudanças na dieta, especialmente alterando o consumo de leite animal pelo leite de soja. O leite de soja contém fito-estrogênios, substâncias conhecidas por suas atividades estrogênicas (nt.: isoflavonas). Além disso, herbicidas à base de glifosato são amplamente utilizados nas culturas de soja, sendo frequentemente um resíduo, tornando-se uma preocupação quanto ao consumo de produtos à base de soja, especialmente para crianças em fase de lactação com intolerância à lactose. Este estudo avalia a toxicidade puberal numa alimentação rica em leite de soja (suplementada ou não com glifosato, em doses de 50 e 100 mg/kg) durante o período pré-puberal em ratos machos. A disfunção endócrina foi observada através do decréscimo dos níveis de testosterona, do decréscimo no número das células de Sertoli (nt.: é a célula que fornece o ambiente propício para o desenvolvimento da espermatogênese) e no aumento percentual da degeneração tanto das células de Sertoli como das de Leydig (nt.: células que produzem o hormônio testosterona, essencial para maturação dos espermatozoides e das características masculinas) em animais que receberam leite de soja, suplementado com glifosato (ambas as doses) e em animais tratados somente com leite de soja. Animais tratados com leite de soja contaminado com glifosato (ambas as doses) mostraram decréscimo no número de espermátides (nt.: gameta haploide antes de se tornar espermatozoide) e aumento da massa de cauda epidídima comparada ao controle e decréscimo no diâmetro dos túbulos seminíferos comparado ao grupo controle do leite de soja. Animais recebendo leite de soja suplementado com 100 mg/kg de glifosato mostraram decréscimo nas espermátides redondas (nt.: células anteriores ao espermatozoide e são são sem cauda e cabeça, por isso redondas) e aumento na morfologia anormal do espermatozoide, ao serem comparados aos controles.

 

Tradução livre de Luiz Jacques Saldanha, outubro de 2017.

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