
Foto de Mark Lennihan (Copyright AP Photo)
17 jul 2026
[Nota do Website: Mais uma demonstração da excrescência que o capitalismo mais cruel, absolutista e imperial alcança. Vemos nessa matéria onde os valores de uma corporação do mundo das bolsas de valores, domina praticamente a sobrevivência de todos nós do planeta. O recurso sobre todos os capitais econômico-financeiros do mundo que essa corporação abocanha, é assustador. Aqui se começa a ver o derretimento do conceito de nações para se ver a transformação da gestão de todos da humanidade, concentrada em poucos sempre voltada para poucos outros].
A BlackRock tornou-se a primeira gestora de ativos a administrar mais de US$ 15 trilhões (€ 13 trilhões), quase três vezes o PIB nominal anual da Alemanha, a maior economia da UE. Veja como o dinheiro está distribuído.
Nenhuma gestora de ativos jamais havia ultrapassado a marca de US$ 15 trilhões (€ 13 trilhões) antes de a BlackRock confirmar o marco em resultados divulgados na quarta-feira.
O aumento foi impulsionado por ganhos de mercado e novos investimentos de clientes.
Os clientes entregaram à gigante sediada em Nova Iorque um valor líquido de 192 bilhões de dólares (167 bilhões de euros) no segundo trimestre de 2026, coroando um primeiro semestre recorde, em que as entradas atingiram 321 bilhões de dólares (280 bilhões de euros), mais do dobro do mesmo período do ano anterior.
Para ilustrar a enorme escala dos ativos sob gestão da BlackRock, a empresa administra mais dinheiro do que a produção econômica nominal anual projetada de todos os países, exceto os EUA e a China, e quase três vezes a da Alemanha.
No entanto, os ativos sob gestão representam um estoque de investimentos, enquanto o PIB mede a produção econômica ao longo de um ano.
O aumento dos ativos ocorreu durante um trimestre que também foi lucrativo.
De acordo com o relatório de resultados do segundo trimestre da BlackRock, a receita subiu 31% em relação ao ano anterior, atingindo US$ 7,1 bilhões (€ 6,2 bilhões), enquanto o lucro ajustado por ação alcançou US$ 13,91, superando com folga as expectativas.
As ações da BlackRock subiram cerca de 7% no dia da divulgação.
“Os fundamentos do mercado são fortes e bem sustentados, com margens mais altas e um impulso nos lucros catalisado por novas tecnologias”, disse o CEO Larry Fink em um comunicado.
“Nosso ritmo de crescimento está acelerando, e nunca estive tão otimista em relação ao crescimento que temos pela frente”, acrescentou Fink.
Onde os trilhões realmente estão
A primeira coisa a entender é que este dinheiro não pertence à BlackRock.
Trata-se da poupança conjunta de fundos de pensão, seguradoras, governos e investidores comuns, que a empresa administra mediante o pagamento de uma taxa. A maior parte do dinheiro é investida em ações.
As ações representam US$ 8,9 trilhões (€ 7,7 trilhões), ou 58% do total.
Títulos e outros investimentos de renda fixa representam outros US$ 3,4 trilhões (€ 2,9 trilhões), ou 22%. Estratégias multiativos que combinam diferentes investimentos detêm US$ 1,3 trilhão (€ 1,1 trilhão), ou 9%, enquanto produtos de gestão de caixa, como letras do Tesouro, representam outros US$ 1,1 trilhão (€ 960 bilhões), ou 7% do total.
Os investimentos alternativos que mais chamam a atenção, incluindo infraestrutura, crédito privado, capital privado e imobiliário, representam uma pequena parcela de US$ 449 bilhões, aproximadamente 3% dos ativos, mas geram cerca de 15% das taxas básicas da BlackRock.
Os produtos de commodities e moedas detêm US$ 152 bilhões (€ 132 bilhões), enquanto os fundos vinculados a criptomoedas, lançados em 2024, administram cerca de US$ 49 bilhões (€ 42 bilhões).
A forma como o dinheiro é investido é tão importante quanto a composição dos ativos.
Cerca de 41% do total está em fundos negociados em bolsa (ETFs). Fink observou que a gama de ETFs da iShares ultrapassou US$ 6 trilhões durante o trimestre, aproximadamente o dobro do seu tamanho há três anos.
Portos, pensões e política
A dimensão da BlackRock tem levado a empresa a se envolver cada vez mais em negócios com implicações geopolíticas. A disputa pelos portos em cada extremidade do Canal do Panamá é um dos exemplos recentes mais claros disso.
Após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que a China estava efetivamente controlando a hidrovia, a CK Hutchison, de Hong Kong, concordou em março de 2025 em vender 43 portos, incluindo terminais em ambas as extremidades do canal, para um consórcio liderado pela BlackRock. O acordo proposto foi avaliado em US$ 22,8 bilhões (€ 19,9 bilhões) e saudado por Washington como um passo para restaurar a influência dos EUA sobre os portos.
Pequim se opôs e pressionou para que a estatal Cosco fosse incluída. A venda ainda não foi concluída.
Entretanto, o Panamá anulou as concessões do canal da Hutchison em fevereiro, entregando as operações interinas à Maersk e à MSC, cujo braço de terminais conta com a GIP, unidade de infraestrutura da BlackRock, entre seus acionistas, enquanto as negociações sobre o portfólio mais amplo continuam.
Entretanto, em janeiro, a Suprema Corte do Panamá anulou as concessões da Hutchison para operar terminais de contêineres em ambas as extremidades do Canal do Panamá. O governo transferiu o controle provisório dos portos para a Maersk e a MSC em fevereiro, enquanto as negociações sobre o portfólio mais amplo continuavam. A Global Infrastructure Partners, divisão de infraestrutura da BlackRock, é acionista da divisão portuária da MSC.
A proximidade de Larry Fink com a Casa Branca ficou evidente novamente em maio, quando ele viajou a Pequim como parte da delegação corporativa que acompanhou Trump durante seu encontro com o presidente chinês Xi Jinping.
Fink juntou-se a outros CEOs, incluindo Elon Musk, da Tesla, e Tim Cook, da Apple, em uma visita dominada por questões comerciais e tecnológicas.
A atuação da empresa se estende também à política de aposentadoria americana.
Uma ordem executiva assinada por Trump no ano passado orientou os órgãos reguladores a ampliar o acesso a ativos de mercado privado por meio dos planos de previdência 401(k) do país. A BlackRock defendeu essa mudança e se beneficiará dela ao desenvolver produtos de mercado privado para poupadores para a aposentadoria, que normalmente têm taxas mais altas do que os fundos de índice.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2026