Plásticos: Microplásticos documentados pela primeira vez em ecossistemas de águas profundas.

Uma pluma emergindo de uma fumarola na estrutura hidrotermal de sulfeto Inferno, dentro do campo de fontes hidrotermais ASHES (Axial Seamount Hydrothermal Emission Study), no Monte Submarino Axial, em agosto de 2025. O instrumento é um registrador de temperatura que mediu a temperatura do fluido dentro da fumarola.

https://oceanographicmagazine.com/news/microplastics-documented-for-first-time-in-deep-sea-ecosystems/

Eva Cahill

16 jul 2026

[Nota do Website: Uma notícia chocante porque o que está acontecendo é num ambiente praticamente impossível de ser recuperado e ‘limpo’. Assim, o que mais nos entristece é que ninguém, sejam os consumidores, sejam as corporações que geram as resinas plásticas, demonstrarem, um minuto que seja, incomodados e determinados a acabarem com essa insanidade chamada corriqueiramente de ‘plástico’].

Um novo estudo revelou que mais de 90% dos moluscos de águas profundas estão contaminados com microplásticos, e que os níveis são quase 15 vezes maiores no Oceano Índico.

Imagens da poluição plástica aprisionando e ferindo algumas de nossas criaturas costeiras mais queridas têm sido amplamente divulgadas. O que é menos conhecido é o impacto oculto, porém abrangente, desses detritos que afundam.

Pela primeira vez, uma nova pesquisa mostrou que a poluição plástica está se acumulando ativamente nos ecossistemas mais remotos e extremos do mundo: as fontes hidrotermais de águas profundas.

Pesquisadores descobriram que mais de 90% dos caracóis e mexilhões de águas profundas que vivem em fontes hidrotermais a mais de 2.000 metros (6.600 pés) abaixo do nível do mar estão contaminados com microplásticos. A maior parte dessa contaminação provém de polímeros como o poliestireno, amplamente utilizado em embalagens de produtos e recipientes descartáveis ​​em todo o mundo.

Curiosamente, a localização geográfica desempenhou um papel fundamental. Organismos do Oceano Índico apresentaram concentrações significativamente maiores de microplásticos em comparação com os do Pacífico Sudoeste – quase 15 vezes maiores. Os pesquisadores acreditam que essa disparidade é impulsionada pela intensa atividade humana costeira e pelas vastas quantidades de plástico que fluem dos principais sistemas fluviais para o Oceano Índico.

Os resultados são fruto de um estudo conjunto realizado pelo Dr. Se-Joo Kim e pelo Dr. Jinyoung Jeong no Instituto Coreano de Pesquisa em Biociência e Biotecnologia (KRIBB), em colaboração com o Instituto Coreano de Ciência e Tecnologia Oceânica (KIOST).

A equipe analisou amostras de águas profundas coletadas pelo KIOST em fontes hidrotermais na Bacia Norte de Fiji, no sudoeste do Oceano Pacífico, e na Dorsal Meso-Oceânica Central, no Oceano Índico.

Os resultados destacam tanto a incrível variedade de resíduos produzidos pelo homem quanto os caminhos pelos quais essas partículas microscópicas invadem a vida marinha.

O estudo descobriu que a biologia de um organismo determina exatamente como o plástico se comporta dentro do seu corpo. Em caracóis herbívoros, que se alimentam de tapetes microbianos que cobrem o fundo do mar, os microplásticos estavam concentrados principalmente nos órgãos digestivos. Em contraste, os mexilhões filtradores apresentaram uma distribuição relativamente uniforme de microplásticos em seus diversos tecidos.

“A poluição por plástico agora se espalhou até mesmo para os ecossistemas de fontes hidrotermais de águas profundas, que antes eram considerados alguns dos ambientes mais isolados da Terra”, disse o Dr. Kim, um dos autores correspondentes do estudo. “Nossas descobertas fornecem evidências científicas importantes para o estabelecimento de futuros sistemas de monitoramento ambiental em águas profundas e políticas de conservação.”

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2026

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