
James Baltz/Unsplash +
https://www.thenewlede.org/2026/07/pesticides-glyphosate-dna-damage-cancer/
27 jul 2026
[Nota do Website: É estarrecedor quando se vê a postura dos órgãos oficiais que deveriam estar na vanguarda na defesa da saúde de toda a sociedade, mas o que se constata é sempre a defesa das corporações e do envenenamento de todos. Sempre são colocadas dúvidas das pesquisas quando elas apresentam os efeitos nefastos dos venenos como se o que viesse da indústria já tem o pressuposto de que são isentas e probas. Bem ao contrário é o que recebem as pesquisas independentes e incontestáveis. E o mais trágico é a população continuar elegendo seus ‘representantes’ que jamais lhes representam. Bem ao contrário, sempre estão em ações objetivas contra os seus eleitores. Como podemos, a sociedade, ser tão estúpidos e tacanhos!?].
Vários agrotóxicos comuns, incluindo o controverso herbicida glifosato, causam danos genéticos às células humanas mesmo em níveis de exposição muito baixos, de acordo com um novo estudo. Essas alterações celulares, frequentemente chamadas de “genotoxicidade”, estão associadas ao câncer.
Os resultados sugerem que os testes e a regulamentação atuais de agrotóxicos não estão captando totalmente como eles podem prejudicar as pessoas.
O novo estudo, publicado no periódico Annals of Global Health, testou 10 agrotóxicos aos quais as pessoas estão expostas e descobriu que oito deles danificaram ou alteraram o DNA em células humanas. No caso do herbicida glifosato, os pesquisadores observaram danos celulares mesmo nos níveis mais baixos testados, sugerindo que praticamente não existe um nível seguro de exposição humana. Foi a primeira vez que vários desses agrotóxicos foram testados quanto aos seus impactos no DNA e o primeiro estudo a confirmar que certas misturas deles também são tóxicas para as células. Uma mistura de glifosato, o inseticida acetamiprida (nt.: neonicotinoide e letal para abelhas e tem cloro na molécula) e o fungicida fluopiram (nt.: provavelmente é um PFAS, tem cloro e flúor na molécula), por exemplo, danificou células na menor dose testada.
“Os testes de baixa dose em toxicologia são fundamentais e, muitas vezes, os efeitos de baixas doses são subestimados simplesmente porque não são estudados”, disse o autor sênior Daniele Mandrioli, pesquisador e secretário-geral do Collegium Ramazzini, acrescentando que muitos agrotóxicos são considerados não tóxicos para o DNA com base em estudos da indústria, em vez de terem sido testados por laboratórios independentes (nt.: já se começa a tratar as doses sendo baixas, contrariando o conceito medieval da toxicologia convencional que relaciona dose e efeito. Como devem ser disruptores endócrinos, as doses são infinitesimais como os hormônios naturais).
“Os testes de baixa dose em toxicologia são fundamentais e, muitas vezes, os efeitos de baixas doses são subestimados simplesmente porque não são estudados.” – Daniele Mandrioli, Collegium Ramazzini
O estudo priorizou 10 agrotóxicos para teste com base em pesquisas anteriores da União Europeia sobre mais de 200 agrotóxicos. Mandrioli e seus colegas se concentraram nos 10 que eram de maior preocupação, com base em dados anteriores de exposição e saúde.
Além do glifosato, três outros inseticidas, três fungicidas e um produto químico que potencializa a ação dos inseticidas se mostraram tóxicos para as células quando testados individualmente. Todos os oito são registrados para uso nos EUA.
Para alguns deles, incluindo o ciprodinil e a deltametrina, foi a primeira vez que se demonstrou que eles danificavam as células.
O estudo destaca “a necessidade de mais pesquisas em células humanas e da incorporação de faixas de concentração de doses mais baixas em estudos de avaliação de risco”, escreveram os autores.
Controvérsia do glifosato
O estudo surge um mês depois de o Supremo Tribunal dos EUA ter decidido a favor da antiga Monsanto num caso relativo ao Roundup (nt.: ESSA AÇÃO DA SUPREMA CORTE DOS EUA PODE-SE CONSIDERAR COMO O MAIOR CRIME CONTRA O POVO DOS EUA! NÃO SE DUVIDA QUE NÃO HOUVE EFETIVAMENTE SUBORNO PARA ESSA DECISÃO CONTRA A POPULAÇÃO!), um dos herbicidas à base de glifosato da empresa. O tribunal afirmou que a autoridade regulamentar da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) sobre agrotóxicos prevalece sobre as ações judiciais dos estados que alegam que uma empresa não alertou os utilizadores sobre determinados riscos do produto, quando a própria EPA não exige tais avisos. A Bayer, que agora é proprietária da Monsanto, passou a última década a combater mais de 100.000 processos judiciais movidos por pessoas que desenvolveram linfoma não Hodgkin, atribuídos à exposição a herbicidas à base de glifosato.
A EPA “concluiu repetidamente que é improvável que o glifosato cause câncer, [e] … não exigiu um aviso de câncer no rótulo do Roundup”, escreveu o tribunal.
No entanto, o glifosato foi cientificamente associado ao câncer em múltiplos estudos e foi classificado como um provável carcinógeno humano por um órgão da Organização Mundial da Saúde (nt.: ATRIBUIDO PELA IARC/INTERNATIONAL AGENCY FOR RESEARCH ON CANCER/OMS/ONU) em 2015.
Em comunicado ao The New Lede, a Bayer afirmou que o novo estudo “não foi conduzido com o mesmo rigor que os estudos submetidos a agências reguladoras como a Agência de Proteção Ambiental, a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (nt.: para se saber como essa ‘autoridade’ age, ver o documentário: https://nossofuturoroubado.com.br/povos-e-campos-envenenados-glifosato‘) e outras que revisam e avaliam esses produtos”.
“Resumindo, as avaliações das autoridades reguladoras não corroboram as conclusões deste estudo, nem o peso das evidências científicas”, afirmou o comunicado.
Um porta-voz da EPA disse que a agência “analisará este estudo e avaliará seus métodos e conclusões juntamente com os dados existentes para cada agrotóxico envolvido”.
“Nos Estados Unidos, os agrotóxicos não podem ser registrados sem que sejam considerados os potenciais efeitos de toxicidade genética, incluindo os efeitos no DNA”, acrescentou o porta-voz.
Luoping Zhang, pesquisadora e professora adjunta de toxicologia na Universidade da Califórnia, Berkeley, afirmou que “a ciência é bastante clara” sobre a capacidade do glifosato de causar danos genéticos em humanos expostos e em células humanas.
Ela mencionou dois estudos recentes dos EUA — um que analisou aplicadores de agrotóxicos e outro que analisou agricultores — que descobriram que o herbicida pode alterar ou danificar células humanas.
“Substâncias capazes de quebrar o DNA em linhagens de células humanas geralmente têm maior probabilidade de induzir câncer ou causar toxicidade reprodutiva e de desenvolvimento”, disse Mandrioli. “É por isso que não existe um limite seguro para substâncias químicas genotóxicas.”
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2026