https://www.medscape.com/viewarticle/why-menarche-occurring-earlier-2026a10011cn
Silvia C. Carpallo
06 out 2026
[Nota do Website: Pode-se observar que há fatos que envolvem os dois gêneros, feminino e masculino, que se mostram tanto na saúde de meninas, mulheres adultas como câncer de mama, endometriose e outras síndromes. Do lado masculino, observa-se situações inadequadas tantos em meninos como jovens e homens adultos que vai do câncer testicular, das quedas de testosterona bem como na contagem de espermatozoides. Não se fazer alguma ação como cidadãos comuns, torna-nos coniventes com a inércia e a negligência e mesmo até indulgência com os geradores dos fatos apresentados pela ciência como possíveis geradores destas anormalidades].
A infância parece estar ficando mais curta. As redes sociais, as atividades de lazer e mudanças culturais mais amplas parecem estar antecipando o início de comportamentos típicos da adolescência, fazendo com que muitos jovens pareçam ansiosos para amadurecer mais rápido do que antes. Mas será que isso é apenas uma percepção dos pais, ou existe também uma base biológica para essa tendência? Alguns especialistas temem que certos sinais da puberdade — incluindo a menarca — possam estar ocorrendo em idades cada vez mais precoces.
Pelo menos entre algumas mães americanas, a preocupação claramente ganhou força. De acordo com uma reportagem da Newsweek, influenciadoras digitais estão oferecendo conselhos sobre como as mães podem ajudar a melhorar os hábitos de suas filhas, em um esforço para reduzir os riscos associados à menarca precoce.
Um quadro misto
Dados publicados no JAMA Pediatrics em 2020, com foco na telarca (nt.: aparecimento dos botões das mamas) em vez da menarca, mostraram que a idade de início da puberdade, avaliada por exame físico ou clínico do desenvolvimento mamário, diminuiu em quase 3 meses por década entre 1977 e 2013. Os autores observaram, no entanto, que os resultados variaram conforme a região, com um início mais precoce relatado nos EUA (8,8 a 10,3 anos) e um início mais tardio na África (10,1 a 13,2 anos).
Dados locais mais recentes reforçam a mesma tendência. Um artigo publicado em setembro de 2026 no American Journal of Human Biology examinou as mudanças seculares na idade da menarca ao longo de quase oito décadas, juntamente com variações por fatores sociodemográficos e antropométricos específicos, na Comunidade Valenciana, Espanha. O estudo constatou uma redução de 1,9 ano na idade da menarca entre as participantes nascidas entre 1931 e 2008, consistente com evidências globais de uma tendência de queda a longo prazo.
- A idade da menarca diminuiu ao longo das décadas; em algumas populações, as gerações mais jovens agora têm menos de 12 anos.
- A tendência de início da puberdade varia regionalmente; ocorre mais cedo nos EUA e mais tarde na África.
- O declínio secular anterior esteve ligado à melhoria da nutrição, da saúde e das condições de vida.
- Excesso de adiposidade, ganho de peso rápido na infância, estresse, sono, inatividade e disruptores endócrinos estão implicados.
- Avaliar o desenvolvimento mamário em crianças menores de 8 anos ou o aparecimento incomum de pelos pubianos precoces como possível causa de puberdade precoce.
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O estudo também constatou que a idade média da menarca caiu para menos de 12 anos nas gerações mais jovens. Os autores observaram, no entanto, que os participantes nasceram em locais diferentes e que o início da puberdade é um processo multifatorial, com associações observadas entre o continente de nascimento e o IMC.
Uma tendência multifatorial
A questão que se coloca, então, é se essa tendência representa um padrão evolutivo normal ou se existem, de fato, razões para considerar uma influência ambiental que deva ser investigada.
Sobre este assunto, o El Médico Interactivo , parte da Medscape Professional Network, conversou com a Dra. Raquel Oliva Sánchez, especialista em ginecologia e obstetrícia e presidente da seção de atendimento privado da Sociedade Espanhola de Ginecologia e Obstetrícia, que esclarece que as mudanças no desenvolvimento feminino são uma tendência mais antiga do que parece. “Durante os séculos XIX e XX, a idade da menarca diminuiu consideravelmente, principalmente devido a melhorias na nutrição, saúde e condições de vida. Nas últimas décadas, a redução da idade da menarca parece mais modesta do que o início precoce do desenvolvimento mamário.”
No entanto, o relatório esclarece que há muitos fatores a serem considerados ao avaliar essa questão, antes de gerar alarmes desnecessários. “O estilo de vida pode desempenhar um papel, especialmente por meio do excesso de gordura corporal e do rápido ganho de peso durante a infância. O tecido adiposo desempenha um papel nos sinais hormonais que informam ao corpo que ele tem energia suficiente para iniciar a maturação. Pesquisas também estão sendo conduzidas sobre estresse psicossocial, sono, inatividade física e exposição a substâncias disruptoras endócrinas. Contudo, não há uma única causa, nem o fenômeno pode ser atribuído a um alimento, creme ou comportamento específico.”
Por essa razão, ela enfatizou uma mensagem: “Não temos diretrizes dietéticas, de exercícios ou cosméticas comprovadamente capazes de atrasar a menarca de forma segura e previsível em meninas saudáveis. Sabemos, porém, que a prevenção do sobrepeso e da obesidade por meio de uma dieta equilibrada, atividade física regular e sono suficiente promove o desenvolvimento saudável e pode evitar um dos fatores associados à puberdade precoce. O objetivo não deve ser atrasar a primeira menstruação, mas sim proteger a saúde geral.”
A realidade na Espanha
Segundo a especialista, estudos espanhóis indicam que a idade da menarca situa-se aproximadamente entre os 12,5 e os 13 anos, com variações individuais, familiares e populacionais. Quanto aos sinais que devem ser motivo de preocupação, Sánchez esclareceu que não é apenas a data da primeira menstruação que importa, mas também observar quando a puberdade começa e a rapidez com que progride.
A puberdade precoce é definida como o aparecimento de características sexuais secundárias, particularmente o desenvolvimento das mamas, antes dos 8 anos de idade. Na prática, as famílias devem ser aconselhadas a procurar avaliação médica caso surjam brotos mamários antes dos 8 anos ou se os pelos pubianos se desenvolverem precocemente.
“Nesses casos, se confirmarmos a puberdade precoce central e progressiva, o tratamento pode ser considerado, com o objetivo principal de preservar a estatura final e evitar que o desenvolvimento se complete prematuramente. E, na maioria dos casos, estamos falando de situações raras. Por isso, em vez de adiar qualquer coisa, trata-se de observar com calma e buscar orientação caso algo apareça prematuramente”, explicou Sánchez.
Nesse ponto, ela enfatizou duas ideias. A primeira é que os casos que exigem consulta são raros e, mesmo nesses casos, os fatores contribuintes permanecem diversos.
A genética e o histórico familiar desempenham um papel significativo, mas interagem com a nutrição desde a gestação e com outros fatores, como exercícios físicos e estresse. A exposição ambiental a misturas de substâncias químicas durante fases sensíveis do desenvolvimento também está sendo estudada. Assim, mesmo as desigualdades no acesso a alimentos saudáveis, espaços para exercícios, descanso adequado e cuidados de saúde podem ter um impacto.
Por todos esses motivos, apesar das tendências nas redes sociais ou das mensagens alarmistas que levam os pacientes a procurar aconselhamento médico, ela afirmou: “culpar a família ou a menina pela puberdade precoce não é cientificamente justo e pode levar a sentimentos de culpa desnecessários”.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, outubro de 2026