Agrotóxicos: Rastreando os favores concedidos pelo governo Trump à indústria de agrotóxicos.

Criança comendo morangos crus. E os agrotóxicos?

https://usrtk.org/pesticides/tracking-trump-administration-favors-to-the-pesticide-industry/

Stacy Malkan

22 julk 2026

[Nota do Website: Nesta matéria o que interessa é a ideologia e a visão de mundo e de humanidade dessa vergonha do ser humano. Como um povo pode eleger um ser tão abominável, cruel e corrupto para ser seu presidente. Ser o gestor de um país que se apresenta como democrata, ‘cristão’ e ‘honesto’. Agora cada vez fica mais claro como a ideologia de uma meritocracia obtusa e parcial domina a maioria do povo estadunidense. Mas novas esperanças podem surgir nessa miscelânea de etnias que formam os EUA. Essa é a esperança de uma nova humanidade. Vale a pena se observar que é exatamente isso que o Congresso Nacional, que nós elegemos, está fazendo a mesma coisa. O que será que contaminou esses representantes do povo que estão fazendo tudo na verdade, contra ele!].

A indústria de agrotóxicos passou décadas construindo uma operação de influência altamente eficaz em Washington, D.C., moldando a forma como seus produtos são regulamentados e como a agricultura americana funciona. Sua influência política não começou com o governo Trump e se estendeu por governos republicanos e democratas.

Mas, nos últimos 18 meses, o governo Trump proporcionou uma série de vitórias para a indústria de agrotóxicos que podem remodelar o seu uso e as proteções à saúde pública nos próximos anos. 

Este rastreador documenta os favores concedidos pela administração Trump à indústria de agrotóxicos desde janeiro de 2025. 

Pessoal é política: O governo Trump preencheu muitos cargos-chave com aliados da indústria de agrotóxicos. A organização US Right to Know identificou 26 funcionários do governo com ligações com a rede de lobby ou jurídica dessa indústria, incluindo 11 nomeados políticos para a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), onde ex-lobistas da indústria química agora ocupam os quatro cargos mais importantes que supervisionam as regulamentações federais sobre agrotóxicos. 

Mais aprovações de agrotóxicos PFAS/’forever chemicals‘: Em julho de 2026, a EPA aprovou três novos ingredientes ativos de agrotóxicos que muitos cientistas classificam como PFAS, elevando o número total de produtos PFAS aprovados desde novembro de 2025 para cinco. Os PFAS, também conhecidos como “químicos eternos”, são altamente persistentes e estão associados a sérios problemas de saúde, incluindo câncer, defeitos congênitos, disfunções hormonais, doenças hepáticas e da tireoide (nt.: o que gera embriões/fetos com retardo mental pela deficiência de tiroxina materna, de suas tiroides, na formação do cérebro dos embriões/fetos). Muitos cientistas e órgãos reguladores classificam os PFAS como substâncias que contêm pelo menos um átomo de carbono metil ou metileno totalmente fluorado, mas a EPA utiliza uma definição mais restrita, adotada em 2023, que exclui compostos que contêm apenas um carbono fluorado.  

Enfraquecimento da proteção de espécies ameaçadas de extinção: Em julho de 2026, o governo Trump concluiu alterações nos regulamentos da Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, incluindo a revogação da antiga definição regulamentar de “dano”, o que poderia facilitar a aprovação de agrotóxicos pela EPA com menos salvaguardas para espécies ameaçadas e em perigo de extinção. 

Triunfo legal para a Bayer erode direitos do consumidor: Em junho de 2026, a Suprema Corte decidiu a favor do governo Trump e da Bayer por 7 votos a 2, o que provavelmente bloqueará milhares de ações judiciais em nível estadual alegando que a Bayer não alertou os consumidores sobre os riscos do Roundup para o câncer. A decisão confere maior peso legal à aprovação de rótulos de agrotóxicos pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), dificultando que pessoas lesadas argumentem, com base em leis estaduais, que um fabricante deveria ter fornecido alertas mais enfáticos do que os exigidos pela EPA. Por décadas, as ações judiciais estaduais por omissão de advertências serviram como um mecanismo independente de controle sobre as aprovações de agrotóxicos pela EPA, permitindo que júris responsabilizassem os fabricantes mesmo quando a EPA havia aprovado o rótulo. A decisão da Corte restringe as possibilidades de americanos lesados ​​processarem empresas que causam danos. 

Reformulando as avaliações de segurança química por meio de NAMs: Em junho de 2026, o governo Trump anunciou que expandirá o uso de Novos Métodos de Abordagem (NAMs, na sigla em inglês) – como modelos computacionais baseados em inteligência artificial e testes em células – para avaliar produtos químicos industriais. A agência também está desenvolvendo abordagens de NAMs para agrotóxicos e disruptores endócrinos. Muitos cientistas apoiam os NAMs como uma forma de reduzir os testes em animais e aprimorar a triagem de toxicidade, mas enfatizam que os novos métodos devem complementar, e não substituir, as evidências bem estabelecidas de estudos em animais e humanos. Os críticos argumentam que a EPA está avançando sem padrões científicos suficientemente validados para os NAMs, o que levanta preocupações de que os riscos de agrotóxicos e outros produtos químicos possam ser subestimados.

Retrocesso na proteção contra a atrazina: Em maio de 2026, o Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA concluiu que é improvável que a atrazina coloque em risco espécies ameaçadas ou em perigo de extinção, revertendo uma conclusão federal anterior de que a atrazina provavelmente prejudicaria mais de 1.000 espécies protegidas. A decisão removeu um obstáculo regulatório para o herbicida amplamente utilizado, que é proibido na União Europeia e em muitos outros países devido a preocupações com seus impactos na saúde humana e no meio ambiente (nt.: para se saber o que é esse agrotóxico acessar o link). 

Reforço para a Bayer na Suprema Corte: Em março de 2026, o Departamento de Justiça de Trump apresentou um segundo parecer à Suprema Corte apoiando a posição da Bayer no caso Monsanto v. Durnell, argumentando que a lei federal sobre agrotóxicos prevalece sobre as ações judiciais estaduais por omissão de advertência que exigiriam rótulos de advertência não aprovados pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos). O parecer foi assinado por três altos funcionários do Departamento de Justiça que haviam trabalhado anteriormente em escritórios de advocacia que representavam a Bayer.

Retirada da agência internacional de pesquisa sobre o câncer: Em março de 2026, os Institutos Nacionais de Saúde (NIH) encerraram sua colaboração com a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), agência de pesquisa sobre o câncer da Organização Mundial da Saúde (OMS). Como resultado, cientistas do governo dos EUA não podem mais participar do trabalho da IARC, e a principal agência independente de pesquisa sobre o câncer do mundo pode perder financiamento e capacidade de pesquisa. 

A IARC é alvo da indústria de agrotóxicos há muito tempo. Depois que a IARC classificou o glifosato como “provavelmente cancerígeno para humanos” em 2015, documentos internos da Monsanto revelaram planos para “orquestrar indignação” contra a agência e minar sua credibilidade (nt.: aqui se vê como esse ‘presidente’ é corrupto. Privilegia o capital em detrimento da saúde da população estadunidense e global!). 

Glifosato elevado à categoria de prioridade de segurança nacional: Em fevereiro de 2026, o presidente Trump assinou uma ordem executiva declarando herbicidas à base de glifosato e fósforo elementar – matéria-prima utilizada na produção de glifosato e em armamentos militares – como essenciais para a defesa nacional e orientando o governo federal a priorizar sua produção doméstica. A Bayer é a única produtora de glifosato e fósforo elementar nos EUA.

Dicamba reaprovado: Em fevereiro de 2026, a EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) restabeleceu o uso de herbicidas à base de dicamba em plantações de soja e algodão transgênicos tolerantes a dicamba, após duas decisões judiciais federais terem anulado aprovações anteriores. A decisão revitaliza linhas de produtos lucrativas da indústria de agrotóxicos, apesar de anos de litígios sobre os danos generalizados às plantações causados ​​pela deriva do dicamba. 

Documentos internos da Monsanto divulgados em processos judiciais indicam que cientistas da empresa previram danos relacionados à deriva genética antes que os produtos chegassem ao mercado. Consulte nossa ficha informativa sobre o dicamba e o link para os Documentos do Dicamba, documentos importantes e análises de processos judiciais envolvendo o dicamba. 

Recuou em relação ao paraquat: Em janeiro de 2026, a EPA anunciou que iria “reavaliar” o paraquat, descrevendo a medida como “Mais um progresso no âmbito do MAHA!”. No entanto, a agência não iniciou uma nova revisão das ligações do paraquat com a doença de Parkinson nem impôs novas restrições ao herbicida. Em vez disso, a EPA deu continuidade a uma revisão de registro já em andamento e solicitou dados adicionais aos fabricantes. O paraquat é proibido para uso agrícola em muitos países devido a preocupações com a saúde e o meio ambiente. A EPA mantém a posição de que as evidências existentes não estabelecem uma ligação definitiva entre o paraquat e a doença de Parkinson ou o câncer.

Apoio à iniciativa da Bayer para bloquear processos estaduais sobre câncer: Uma das ações mais impactantes do governo Trump para a indústria de agrotóxicos ocorreu em dezembro de 2025, quando o Departamento de Justiça solicitou à Suprema Corte que analisasse o caso Monsanto v. Durnell, argumentando que a legislação federal sobre agrotóxicos prevalece sobre muitas ações judiciais estaduais por omissão de advertências. A petição reverteu o posicionamento jurídico adotado pelo governo Biden. As ações da Bayer dispararam com a notícia.  

Na mesma semana, uma revista de toxicologia retratou uma revisão de segurança do glifosato de grande influência, após concluir que funcionários da Monsanto haviam escrito partes do artigo em nome de terceiros. Outros dois artigos influentes que ajudaram a moldar o debate científico e regulatório sobre o glifosato passaram a ser investigados por alegações de autoria fantasma.

O braço de pesquisa da EPA foi dizimado e sua capacidade científica foi reduzida drasticamente: em julho de 2025, o governo Trump começou a desmantelar o Escritório de Pesquisa e Desenvolvimento (ORD, na sigla em inglês) da EPA, o principal braço de pesquisa científica da agência. O ORD fornece grande parte das análises científicas independentes e da expertise técnica que a EPA utiliza para avaliar se agrotóxicos e produtos químicos industriais podem causar câncer, prejudicar o desenvolvimento infantil, causar disfunções hormonais ou ameaçar ecossistemas. Cientistas atuais e antigos da EPA alertaram que as mudanças enfraquecerão a base científica das regulamentações sobre produtos químicos e agrotóxicos, dificultando a realização de avaliações de segurança rigorosas e independentes pela EPA e aumentando a influência da indústria sobre as decisões regulatórias.  

Eliminação da exigência de registro do uso de agrotóxicos: Em junho de 2025, o USDA revogou as regulamentações que exigiam que os agricultores mantivessem registros básicos documentando quando, onde e como aplicavam agrotóxicos de uso restrito, incluindo produtos que contêm paraquat, atrazina, dicamba, clorpirifós e outros perigosos. A exigência de registro — que ajudava os órgãos reguladores a verificar a conformidade com as leis, investigar problemas de saúde e ambientais e documentar a aplicação das leis de saúde pública — estava em vigor desde a década de 1990. 

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2026

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