
Esses produtos químicos não são encontrados apenas em agrotóxicos usados em plantações, mas também em tratamentos contra piolhos aplicados no couro cabeludo de crianças, fertilizantes para gramados domésticos e produtos contra pulgas e carrapatos. Fotografia: Jeff Greenberg/Universal Images Group/Getty Images
https://www.theguardian.com/us-news/2026/sep/26/breast-cancer-us-pesticide-products
26 set 2026
[Nota do Website: Esta é a ideologia e a prática das transnacionais e apoiada e praticada pelos produtores que atuam com o agronegócio no Brasil e o mesmo no ‘agribusiness’ dos EUA no qual os brasileiros se inspiram e agem. Criminosos? Quem sabe?].
O estudo levanta questões sobre a segurança de alimentos e outros produtos, em um momento em que as taxas de câncer de mama de início precoce estão aumentando em todo o mundo.
Uma nova pesquisa identificou pelo menos 485 substâncias químicas usadas em agrotóxicos nos EUA que estão ligadas ao câncer de mama, levantando questões sobre a segurança de alimentos e outros produtos em um momento em que as taxas de câncer de mama de início precoce estão aumentando em todo o mundo.
O novo artigo revisado por pares, publicado na Environmental Health Perspectives, uma das principais revistas da Sociedade Americana de Química, destaca o que defensores da saúde pública consideram uma série de deficiências na regulamentação de agrotóxicos nos EUA. A revisão inclui ingredientes ativos de agrotóxicos, mas também centenas de ingredientes ditos “inertes” ou inativos, que normalmente não passam por uma avaliação de segurança completa.
A Agência de Proteção Ambiental/EPA considera apenas os riscos individuais à saúde de cada ingrediente dos agrotóxicos (nt.: o mesmo no Brasil), e não a fórmula completa ou a exposição a múltiplos agrotóxicos. Esses produtos químicos não são encontrados apenas usados em plantações, mas também em tratamentos contra piolhos aplicados no couro cabeludo de crianças, fertilizantes para gramados domésticos e produtos contra pulgas e carrapatos.
“A soma dessas exposições se torna bastante consequente e preocupante”, disse Jenny Kay, coautora do relatório e colaboradora da organização sem fins lucrativos Silent Spring Institute. “Queríamos chamar mais atenção para os agrotóxicos presentes em diferentes produtos.”
Além dos cânceres de pele, o câncer de mama é o câncer mais diagnosticado nos EUA. As taxas de incidência de câncer de mama aumentaram notavelmente em 1% ao ano, de acordo com a Sociedade Americana do Câncer, e esse aumento foi ligeiramente mais rápido em mulheres com menos de 50 anos (1,4%).
O uso de agrotóxicos também aumentou nos últimos anos, como mostram os dados federais de saúde do Inquérito Nacional de Saúde e Nutrição (NHANES), que indicam a presença de 84 dessas substâncias químicas específicas associadas ao câncer de mama na população em geral. No entanto, cientistas afirmam que esse número é subestimado, pois não abrange a maioria dos compostos identificados pelo Instituto Silent Spring.
A revisão de agrotóxicos faz parte de um esforço sistemático mais amplo do instituto para identificar em que áreas da economia e do cotidiano as pessoas estão expostas a substâncias químicas associadas ao câncer de mama. Foram identificadas cerca de 500 substâncias em bens de consumo comuns e 462 na água potável.
Apenas cerca de 145 deles identificados estavam registrados na EPA como ingredientes ativos, o que significa que a indústria química está usando o status de inerte para evitar a fiscalização da saúde ou explorando outras brechas na lei.
Ingredientes inativos, ou inertes, são geralmente adicionados como surfactantes ou agentes penetrantes que ajudam a dispersar os ingredientes ativos ou a torná-los mais absorvíveis. Cerca de 4.000 ingredientes inertes são aprovados para uso pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos), entre eles os PFAS (perfluorados), também conhecidos como “químicos eternos/forever chemicals“. Eles são frequentemente adicionados para tornar o agrotóxico mais tóxico para um organismo vivo.
O organismo não distingue entre ingredientes inertes e ativos – as substâncias inativas não são menos perigosas para a saúde humana.
“Eles não são biologicamente inertes, são chamados de inertes apenas porque não têm como alvo a praga”, disse Kay. Em outras palavras, o corpo não distingue entre ingredientes inertes e ativos, e substâncias inativas não representam menos perigo para a saúde humana.
“É um ponto cego da regulamentação”, disse Kay. A EPA rejeitou em 2023 uma petição legal para iniciar uma revisão mais rigorosa dos ingredientes inertes.
Kay afirmou que outro problema reside no fato de que substâncias químicas disruptoras endócrinas causam doenças em níveis de exposição mais baixos, mas não em níveis mais altos (nt.: como agem como hormônios sintéticos, sua dose é infinitesimal). Essa “resposta dose-resposta não monotônica” levou a EPA a desconsiderar os riscos de algumas substâncias químicas e a ignorar que elas podem causar câncer mesmo em baixas concentrações.
Os principais funcionários dos escritórios de segurança de agrotóxicos e produtos químicos da EPA são ex-lobistas da indústria. O escritório de agrotóxicos, em particular, tem sido visto como fortemente infiltrado pela indústria e sujeito à sua influência.
“Não tenho conhecimento dos pensamentos dos cientistas da EPA, mas me preocupo muito com a pressão da indústria e com a rotatividade de funcionários entre a EPA e a indústria, porque tudo isso influencia a forma como ela considera e regulamenta os produtos químicos”, disse Kay.
O Instituto Silent Spring defendeu a expansão da Proposição 65 da Califórnia, que exige avisos para substâncias químicas conhecidas por causarem câncer ou danos reprodutivos. O estudo identificou 16 agrotóxicos que não estão listados na Proposição 65, e os autores afirmam que a inclusão dessas substâncias químicas poderia desencorajar as empresas a utilizá-las.
As pessoas podem se proteger comprando produtos orgânicos ou que não tenham sido tratados com agrotóxicos, sempre que possível. Caso isso não seja viável, a Consumer Reports oferece um guia prático sobre quais frutas e verduras costumam apresentar os maiores níveis de resíduos de agrotóxicos. Entre elas estão mirtilos, melancia, couve e vagem.
Um relatório recente constatou que cerca de 25% da água consumida no país e aproximadamente 675.000 poços extraem água contaminada com níveis perigosos de atrazina (nt.: herbicida da transnacional Syngenta e permitido no Brasil), uma substância química disruptora endócrina associada ao câncer de mama. Sistemas de filtragem de água podem remover agrotóxicos da água e, embora nenhum sistema seja perfeito, o carvão ativado e a osmose reversa geralmente são os mais eficazes.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, setembro de 2026