PFAS: Estudo revela que bebês são expostos a 42 “substâncias químicas eternas” antes do nascimento.

(BlackJack3D/E+/Getty Images)

https://www.sciencealert.com/babies-are-exposed-to-42-forever-chemicals-before-birth-study-finds

David Nield

06 mar 2026

[Nota do Website: Matéria que mostra como os perfluorados, ou PFAS, realmente afetam o desenvolvimento dos embriões e fetos. Todos temos que saber disso porque sendo essas moléculas consideradas ‘eternas’, continuarão atuando não só na geração que diretamente foi atingida, mas continuará, no tempo, contaminando as gerações futuras com consequências impensáveis. Tanto as moléculas em si como os produtos onde estão presentes devem ser imediatamente banidos da vida de todos os seres vivos. Caso contrário as futuras gerações sofrerão consequências terríveis por nossa negligência, displicência e irresponsabilidade. Essa é a razão porque todos nós, consumidores comuns e desinformados, precisamos conhecer essa realidade brutal!].

Uma nova pesquisa sugere que os bebês são expostos a muito mais “químicos eternos/forever chemicals” antes do nascimento do que se pensava anteriormente, enquanto os potenciais danos dessas substâncias continuam sendo investigados.

As substâncias per e polifluoroalquiladas (PFAS) têm sido amplamente utilizadas na indústria e na manufatura nas últimas décadas e infiltraram-se em nosso meio ambiente e em nossos corpos. Elas receberam o apelido de “químicos eternos” porque levam muito tempo para se decomporem e desaparecerem.

Pesquisadores dos EUA e do Canadá quiseram investigar descobertas anteriores de que há mais PFAS presentes na placenta do primeiro filho de uma mãe do que em placentas de filhos subsequentes.

No novo estudo, a equipe analisou amostras de sangue do cordão umbilical de recém-nascidos, em vez de tecido placentário, como indicador da exposição infantil a PFAS. Inicialmente, seus resultados reiteraram o efeito do primeiro filho.

Quando ampliaram a técnica de análise para detectar mais tipos de PFAS, essa diferença observada nos primogênitos desapareceu.

“Nossos resultados sugerem que a forma como medimos os PFAS realmente importa”,  afirma a bioestatística Shelley Liu, da Escola de Medicina Icahn do Monte Sinai, nos EUA.

“Quando analisamos a situação de forma mais abrangente, percebemos que os bebês são expostos a muito mais substâncias químicas PFAS antes do nascimento do que imaginávamos anteriormente – e alguns dos padrões que pensávamos compreender podem mudar.”

Os pesquisadores analisaram amostras de sangue coletadas dos cordões umbilicais de 120 bebês entre 2003 e 2006, utilizando uma técnica de escaneamento químico mais recente e não direcionada.

Essa abordagem atualizada busca uma gama mais ampla de PFAS e substâncias químicas semelhantes a PFAS no sangue, em vez de uma lista predefinida e bem estabelecida. A análise mais abrangente encontrou evidências de 42 PFAS, em comparação com os 8 detectados pela análise direcionada, e apenas 4 se sobrepuseram. Isso representa um número muito maior de substâncias químicas.

Embora seja lógico que a busca por uma maior variedade de substâncias químicas leve à descoberta de mais PFAS, os pesquisadores sugerem que nossa compreensão de como essas substâncias podem afetar as crianças antes do nascimento precisa ser atualizada.

O fato de as diferenças entre primogênitos e filhos subsequentes terem desaparecido quando a nova técnica foi utilizada indica que talvez tenhamos subestimado a gravidade do problema das PFAS.

“Nosso estudo ajuda a demonstrar que a exposição pré-natal a PFAS é mais complexa e disseminada do que estudos anteriores sugeriam”, afirma Liu.

“Compreender o quadro completo é essencial se quisermos proteger a saúde infantil e reduzir os riscos ambientais evitáveis.”

Os PFAS estão presentes em todos os lugares, desde embalagens de alimentos até tecidos de móveis, e embora alguns países imponham restrições cada vez mais rigorosas ao seu uso, quando um tipo de substância química é retirado de circulação, ele geralmente é substituído por um composto que possui uma estrutura química semelhante.

Essa foi uma das motivações por trás do presente estudo: quantificar a exposição pré-natal a compostos PFAS, alguns dos quais ainda não foram devidamente estudados ou sequer identificados nesta fase.

Também existe alguma incerteza sobre como os PFAS realmente impactam a saúde. Este estudo em particular não avaliou nenhum desfecho clínico, mas há evidências crescentes de como essas substâncias podem ser perigosas: elas já foram associadas à redução da função renal e a um risco maior de câncer, por exemplo.

No ano passado, pesquisadores descobriram uma ligação entre os níveis de PFAS no sangue das mães e diferenças na estrutura cerebral de seus filhos, e descobertas anteriores também associaram esses produtos químicos à redução do crescimento fetal (nt.: a realidade, pelo que o documentário no link mostra, estaria menos relacionado com o crescimento fetal e mais com o desenvolvimento do sistema nervoso central dos fetos. Essas moléculas deslocam o iodo da tiroxina, hormônio da tiroide, que precisa ser transmitida pela mãe, nas primeiras semanas do embrião, para o perfeito e saudável desenvolvimento de seus cérebros].

Os pesquisadores estão empenhados em expandir essa nova técnica de análise de PFAS para avaliar os níveis reais de exposição a esses produtos químicos persistentes e monitorar como essa exposição pode afetar a saúde a longo prazo.

“Por ora, este trabalho ajuda a lançar as bases científicas”, diz Liu.

“Nosso objetivo é avançar em direção à identificação e prevenção precoces, especialmente durante períodos sensíveis como a gravidez.”

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, maio de 2026

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