
Um copo de refrigerante em um restaurante em Truckee, Califórnia, em 12 de fevereiro de 2026. SMITH COLLECTION/GADO VIA GETTY IMAGES
24 mai 2026
[Nota do Website: Importante se observar os órgãos que têm o compromisso de proteger a saúde pública, estarem numa cruzada de eliminar os engodos que a Big Food, ou seja, as grandes corporações de alimentos, vem impingindo à sociedade global. As corporações sempre procuraram, sutilmente, parecer que estavam simplesmente ampliando aquilo que nossos avós e pais, tiveram o privilégio de viver: com o alimento feito no aconchego dos lares e com produtos realmente saudáveis. Com a intenção de serem similar ao natural, criaram moléculas sintéticas que estão comprometendo nossos corpos. Outro aspecto importante da matéria é mostrar que dissociando certos aspectos, mesmo que de origem natural, da integridade do alimento de que são originários também podem não ser tão saudáveis como são quando estão integrados ao alimento original].
Uma equipe francesa realizou o primeiro estudo epidemiológico em larga escala que documenta a ligação entre corantes alimentares e o risco de doenças crônicas.
Eles conferem ao xarope de menta sua aparência verde (naturalmente incolor), adicionam cores vibrantes aos iogurtes de frutas e dão à Coca-Cola sua cor caramelo. Os corantes alimentares, onipresentes em produtos alimentícios processados, não estão isentos de riscos à saúde.
Dois estudos publicados nas revistas Diabetes Care (20 de maio) e European Journal of Epidemiology (9 de abril) pela equipe de pesquisa em epidemiologia nutricional (Cress-EREN, afiliada ao Inserm, Inrae e Sorbonne-Paris Nord University) sugerem uma ligação entre a exposição significativa a esses aditivos e o risco de câncer e diabetes tipo 2.
De acordo com este trabalho realizado com mais de 100.000 participantes da coorte NutriNet-Santé, um grupo de pessoas acompanhadas ao longo do tempo, a alta exposição a corantes está associada a um aumento de 38% no risco de diabetes tipo 2 (em comparação com consumidores com menor exposição) e a um aumento de 14% no risco geral de câncer (21% para câncer de mama e 32% para câncer de mama pós-menopausa).
Este é o primeiro estudo epidemiológico em larga escala a documentar a ligação entre corantes alimentares e o risco de doenças crônicas, um feito possível graças aos dados detalhados da coorte NutriNet-Santé. “É a única coorte que quantifica com precisão a exposição a aditivos alimentares, pois fornece detalhes de consumo até a marca do alimento“, explica Mathilde Touvier, diretora de pesquisa do Inserm, que coordena este estudo de saúde pública e já publicou cerca de quinze estudos sobre aditivos. Os mais de 180.000 participantes preenchem regularmente — a cada seis meses — registros detalhados e monitorados de consumo de 24 horas, além de questionários sobre sua atividade física e saúde. Essas informações são então cruzadas com os bancos de dados Open Food Facts e Observatoire de l’alimentation.
As regulamentações europeias já são rigorosas.
Para diferenciar os níveis de exposição a aditivos, os participantes da coorte foram divididos em três grupos para cada substância – os 33% superiores correspondendo à maior exposição e os 33% inferiores à menor. “Para o tercil superior, estamos falando de níveis de consumo que estão longe de ser excessivos”, explica Mathilde Touvier. “Isso poderia corresponder a alguém que consome regularmente um refrigerante, uma refeição pronta e uma sobremesa.”
Essas análises foram então comparadas com a ocorrência, ao longo do período do estudo (de 2009 a 2023-2024), de diversas patologias, corrigindo outros vieses relacionados ao consumo de tabaco ou álcool, perfil sociodemográfico, qualidade nutricional da dieta e outros fatores.
Os resultados obtidos são consistentes com outros estudos que demonstraram que os corantes podem alterar moléculas envolvidas na sinalização da insulina e ter outros efeitos sobre os níveis de glicose no sangue e a microbiota intestinal.
Enquanto os Estados Unidos, sob a liderança do Secretário de Saúde Robert Kennedy Jr., se preparam para proibir oito corantes alimentares sintéticos até o final do ano, as regulamentações europeias já são mais rigorosas. Mas mesmo os aditivos naturais usados pelos fabricantes europeus, além dos sintéticos, estão longe de ser inofensivos. Uma pesquisa da EREN, liderada pela pesquisadora Sanam Shah, mostra que a curcumina (E100) está associada a um aumento de 49% no risco de diabetes tipo 2; o betacaroteno (E160a), a um aumento de 44%; e o corante caramelo (E150), a um aumento de 43%. Em relação ao risco de câncer, são principalmente os aditivos betacaroteno e caramelo comum (E150a) que estão individualmente associados a um risco aumentado (16% e 15%, respectivamente, para o câncer em geral).
“Regulamentação de alimentos ultraprocessados”
“Os fabricantes enfatizam o argumento do ‘natural’, mas a natureza pode conter alguns venenos muito eficazes”, destaca Mathilde Touvier. Para entender por que o betacaroteno é protetor e antioxidante quando presente naturalmente em cenouras ou damascos, mas associado a efeitos negativos quando usado como aditivo, os pesquisadores ressaltam os efeitos do processamento. “Algumas substâncias, uma vez removidas de sua matriz alimentar original, interagindo com nutrientes e fibras, deixam de oferecer os mesmos benefícios à saúde quando isoladas, purificadas e reintroduzidas em alimentos ultraprocessados”, observa Mathilde Touvier.
Um terceiro estudo, publicado na quinta-feira, 21 de maio, no European Heart Journal , também mostra que outra categoria de aditivos, os conservantes (sulfitos, nitritos), está associada a um aumento de 24% no risco de hipertensão.
Os pesquisadores da EREN esperam que seu trabalho contribua para as reavaliações dessas substâncias pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos. “Os consumidores não deveriam ter que memorizar uma lista de aditivos perigosos“, argumenta Mathilde Touvier. O selo Nutri-Score, se tornado obrigatório em todos os alimentos — atualmente as marcas têm a opção de exibi-lo ou não — e complementado com um indicador de ultraprocessamento, poderia desempenhar um papel informativo, insiste a pesquisadora.
Diversos projetos de lei nesse sentido foram recentemente apresentados na Assembleia Nacional. “Não podemos mais tratar esses resultados como alertas isolados”, reage Audrey Morice, coordenadora de campanhas da ONG Foodwatch France. “ Os líderes políticos precisam finalmente assumir a responsabilidade: reduzir a quantidade de aditivos em nossos alimentos, começando pela proibição dos aditivos mais controversos, e regulamentar rigorosamente os alimentos ultraprocessados.”
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, maio de 2026