
Ilustração de The Epoch Times Shutterstock
23 abr 2026
[Nota do Website: Temos tido a infeliz ideia de considerar que as nossas preguiça, displicência e negligência são mais importantes do que atenção, determinação, conhecimento e consequência. A que isso nos leva? Ao imenso prejuízo nos tempos futuros, principalmente daqueles que dependem exclusivamente de nós: nossas crianças que não têm nenhuma noção a não ser seu prazer momentâneo. E o mais sério de tudo é a nossa irresponsabilidade de não preservarmos a saúde futura de quem, nesse tempo da infância, depende completamente de nossas orientações].
Alimentos ultraprocessados são associados há muito tempo ao ganho de peso, diabetes e doenças cardíacas. Agora, pesquisadores descobriram uma vítima menos óbvia: seu esqueleto.
Mesmo algumas porções extras por dia — como uma refeição congelada, um biscoito e um refrigerante — foram associadas a um risco mais de 10% maior de fratura de quadril.
As conclusões, publicadas no British Journal of Nutrition, provêm de um dos maiores estudos já realizados sobre dieta e saúde óssea, acompanhando 163.855 participantes do UK Biobank ao longo de 12 anos. Os pesquisadores descobriram que um maior consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) estava consistentemente associado a uma menor densidade mineral óssea e a um risco significativamente elevado de fraturas.
O risco de fraturas aumenta a cada porção extra.
Os participantes, com idade média de 56 anos, relataram suas dietas por meio de cinco questionários de recordatório alimentar de 24 horas, preenchidos ao longo de cinco anos.
Os pesquisadores utilizaram os relatórios para identificar o consumo de alimentos ultraprocessados (UPF/ultra-processed foods) usando a classificação NOVA, que agrupa os alimentos por nível de processamento e inclui uma ampla gama de produtos industrializados, como salgadinhos embalados, bebidas açucaradas, carnes processadas e refeições prontas para consumo. A densidade óssea foi medida por meio de absorciometria de raios X de dupla energia (DXA/dual-energy X-ray), o padrão ouro clínico para avaliação da densidade mineral óssea.
Os pesquisadores também ajustaram os dados para uma série de fatores, incluindo idade, sexo, índice de massa corporal, atividade física, tabagismo, consumo de álcool, nível socioeconômico e ingestão total de energia.
Durante o período de acompanhamento, 1.097 participantes sofreram fraturas de quadril e 7.889 sofreram fraturas em outras partes do corpo. Um maior consumo de alimentos ultraprocessados foi associado a ossos mais frágeis em vários locais esqueléticos importantes, incluindo o colo do fêmur, o trocânter do fêmur, a coluna lombar e em diversas outras partes do corpo. O colo do fêmur — um dos locais mais comuns de fraturas de quadril — apresentou declínios particularmente preocupantes entre as pessoas com maior ingestão de alimentos ultraprocessados.


Para cada 3,7 porções adicionais de alimentos ultraprocessados consumidas diariamente, o risco de fratura de quadril aumentou em 10,5% e o risco de fraturas em geral aumentou em 2,7%.
A associação entre a ingestão de alimentos ultraprocessados e a pior saúde óssea foi mais forte entre adultos com menos de 65 anos e entre pessoas abaixo do peso — dois grupos que podem merecer atenção especial, disseram os pesquisadores.
Por que jovens e pessoas abaixo do peso são mais vulneráveis
“Quem está abaixo do peso já apresenta uma densidade mineral óssea menor desde o início”, disse Melissa Mitri, nutricionista e escritora especializada em nutrição, ao The Epoch Times.
Eles também tendem a ter menos massa muscular, o que aumenta o risco de fraturas.
O Dr. Lu Qi, professor da Universidade de Tulane e coautor correspondente do estudo, afirmou que as diferenças digestivas relacionadas à idade podem ajudar a explicar por que os adultos mais jovens foram mais afetados.
“Supomos que a associação mais forte em pessoas com menos de 65 anos se deva, em parte, ao fato de a população mais jovem ter uma função digestiva melhor e absorver mais ingredientes adicionados em alimentos ultraprocessados do que as populações mais velhas”, disse Qi ao The Epoch Times.
Pesquisas recentes sugerem que dietas ricas em alimentos processados podem perturbar o equilíbrio da microbiota intestinal, que desempenha um papel importante na absorção de nutrientes e na sinalização metabólica.
Kara Siedman, especialista em saúde intestinal e microbioma e diretora sênior de parcerias da Resbiotic Nutrition, disse ao The Epoch Times que os indivíduos mais jovens podem absorver com mais eficiência tanto os nutrientes benéficos quanto os componentes nocivos dos alimentos ultraprocessados, potencialmente amplificando seus efeitos no organismo.
Do ponto de vista do microbioma, esses grupos também podem ser mais vulneráveis a alterações na ecologia intestinal impulsionadas pela dieta, afirmou ela.
“Se os alimentos ultraprocessados perturbarem a diversidade microbiana e a produção metabólica, isso pode influenciar a inflamação, a absorção de nutrientes e as vias de sinalização óssea”, disse Siedman.
Ela disse que isso pode, com o tempo, ter um efeito cumulativo na densidade óssea.
Como os UPFs/Ultra-processed foods prejudicam a saúde óssea
Os resultados se somam a um crescente conjunto de pesquisas que relacionam alimentos ultraprocessados com problemas de saúde óssea.
Um estudo com adultos de 20 anos ou mais descobriu que aqueles que consumiam mais alimentos ultraprocessados tinham maior probabilidade de desenvolver osteoporose. Outro estudo relatou que crianças que viviam em bairros com maior acesso a redes de fast-food tendiam a apresentar menor densidade mineral óssea.
Alimentos ultraprocessados são produtos fabricados industrialmente a partir da quebra de alimentos integrais em componentes como óleos, açúcares, amidos e gorduras, que são então recombinados com aditivos como conservantes, adoçantes artificiais e emulsificantes.
Devido à forma como são produzidos, esses alimentos geralmente contêm menos nutrientes essenciais necessários para manter os ossos saudáveis, incluindo cálcio e vitamina D, em parte porque o processamento remove os nutrientes naturais e em parte porque são feitos com ingredientes refinados e com baixo teor de nutrientes.
Ao mesmo tempo, os alimentos ultraprocessados geralmente são ricos em açúcares adicionados, sal e gorduras não saudáveis, o que pode afetar negativamente a saúde óssea de diversas maneiras. O excesso de sódio, por exemplo, pode aumentar a perda de cálcio pela urina, enquanto dietas ricas em açúcar e carboidratos refinados podem contribuir para alterações metabólicas que prejudicam a formação óssea.
“Muitos alimentos ultraprocessados não só são pobres em nutrientes que fortalecem os ossos, como também, ao consumi-los em maior quantidade, provavelmente estão substituindo alimentos integrais e ricos em nutrientes que contribuem para a saúde óssea”, disse Mitri.
O microbioma intestinal também pode desempenhar um papel.
Os cientistas também estão cada vez mais interessados em como as dietas ultraprocessadas podem afetar os ossos indiretamente por meio do microbioma intestinal — a comunidade de micróbios que ajuda a regular a digestão, o metabolismo e a sinalização imunológica.
“Desequilíbrios no microbioma podem reduzir a produção de ácidos graxos de cadeia curta, prejudicar a absorção de minerais e influenciar as vias de sinalização imunológica que regulam a atividade de osteoblastos e osteoclastos”, disse Siedman.
Alterações na microbiota intestinal podem modificar a produção de metabólitos que influenciam as células de remodelação óssea, potencialmente aumentando a atividade dos osteoclastos, células responsáveis pela degradação do tecido ósseo, e suprimindo a atividade dos osteoblastos, células responsáveis pela formação óssea. A disrupção da microbiota também pode promover inflamação crônica de baixo grau, o que contribui para o desequilíbrio que favorece a degradação óssea.
Segundo Qi, condições metabólicas relacionadas à UPF/ultra-processed food, como hiperglicemia e diabetes, podem agravar os danos.
À medida que as pesquisas continuam a associar alimentos ultraprocessados a uma série de problemas de saúde, os especialistas enfatizam que priorizar alimentos integrais e ricos em nutrientes — como frutas, vegetais, proteínas magras e opções ricas em cálcio, como laticínios e vegetais folhosos verdes — continua sendo uma das maneiras mais eficazes de promover a saúde óssea a longo prazo.
A praticidade pode economizar tempo a curto prazo, mas quando se trata de saúde óssea, o que é fácil hoje pode ter um custo mais tarde.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, maio de 2026