Agrotóxicos: A Bayer propõe um acordo coletivo de US$ 7,25 bilhões no litígio relacionado ao Roundup.

CEO da Bayer, Bill Anderson, em uma conferência de imprensa realizada em 17 de fevereiro de 2026.

https://www.thenewlede.org/2026/02/bayer-proposes-7-25-billion

Carey Gillam 

17 fev 2026

[Nota do Website: Essa é a realidade do glifosato nos EUA. E também entender porque os estadunidenses procuraram se livrar de serem os donos da Monsanto e que a Bayer caiu como um ‘patinho’. Ver-se que também pesa sobre a Monsanto, agora dos ‘trouxas’ alemães, os casos, históricos, dos PCBs -Ascarel no Brasil-. E da mesma forma, entender textos anteriores de norte americanos defendendo o glifosato e o ato administrativo de Trump de considerar o glifosato ‘com total isenção de tudo’. E nós aqui no Brasil que usamos esse ‘troço’ em tudo que é beco? Nas marginas das rodovias, nos terrenos baldios e assim vai, o que estamos fazendo para protegermos nossa população totalmente ignorante em todos os assuntos que se relacionam aos agrotóxicos e domissanitários, além de produtos para os ‘pets’?? Ah! e a ‘cara de pau’ do slogan. Perceberam?].

Em uma ousada tentativa de deixar para trás os custosos litígios nos EUA relacionados ao Roundup, a Bayer anunciou na terça-feira uma proposta de acordo coletivo de US$ 7,25 bilhões para usuários de seus herbicidas à base de glifosato que têm câncer atualmente ou desenvolverão a doença nos próximos anos, com indenizações médias variando de US$ 10.000 a US$ 165.000.

Tal acordo incluiria pessoas que atualmente processam a empresa e usuários do Roundup que ainda não a processaram, mas que podem querer fazê-lo no futuro. Dezenas de milhares de pessoas processaram a empresa alegando que a exposição aos herbicidas causou o desenvolvimento de linfoma não Hodgkin (LNH).

A Bayer afirmou que a possibilidade de se chegar a um acordo sobre um plano de indenização coletiva aumentou após a decisão da Suprema Corte dos EUA de concordar em ouvir os argumentos da Bayer de que ela não deveria ser alvo de processos judiciais movidos por pessoas que alegam que a empresa não as alertou sobre os riscos de câncer associados aos herbicidas à base de glifosato, caso os órgãos reguladores federais não exijam tal alerta.

O CEO da Bayer, Bill Anderson, disse em uma reunião com a imprensa e investidores que a possibilidade de uma decisão favorável da Suprema Corte à Bayer é um “incentivo importante para que as pessoas participem da ação coletiva”.

“O acordo coletivo proposto, juntamente com o processo na Suprema Corte, oferece um caminho essencial para superar a incerteza do litígio e nos permite dedicar toda a nossa atenção ao avanço das inovações que estão no cerne da nossa missão: Saúde para todos, Fome para ninguém”, disse Anderson em um comunicado. “O acordo coletivo e o processo na Suprema Corte são ambos necessários para ajudar a conter este litígio da maneira mais eficaz, segura e oportuna possível.”

Anderson afirmou que a empresa culpa um sistema “falho” que permitiu o litígio dispendioso e disse que “o glifosato é uma ferramenta segura e essencial para os agricultores nos EUA e em todo o mundo”.

Termos do acordo

O acordo proposto abrange pessoas que sabem que foram expostas a um produto Roundup porque elas mesmas compraram ou aplicaram esses produtos, de acordo com os detalhes apresentados no processo judicial. A indenização será escalonada e concedida com base na natureza e extensão da exposição do membro da ação coletiva, na idade no momento do diagnóstico de linfoma não Hodgkin (LNH) e no tipo de LNH. Nenhum outro tipo de câncer está incluído, apenas o LNH.

De acordo com a proposta de acordo, um usuário ocupacional dos herbicidas à base de glifosato da empresa, diagnosticado com um tipo agressivo de linfoma não Hodgkin (LNH) com menos de 60 anos, poderá receber uma indenização média de US$ 165.000. Os valores das indenizações individuais podem variar de 80% a 120% da média, segundo documentos judiciais. A empresa também propõe indenizações bem menores por meio de um programa de “pagamento rápido” para determinados casos.

A empresa exige que a “grande maioria” dos demandantes participe do acordo para que ele prossiga, disse Anderson. De acordo com os termos do acordo, a empresa fará pagamentos iniciais e anuais para um fundo de indenização por um período de 17 a 21 anos.

Os termos do acordo requerem aprovação judicial.

O escritório de advocacia Motley Rice, um dos que representaram os demandantes e participaram da negociação do acordo, afirmou que novas ações judiciais estão “chegando diariamente”, enquanto dezenas de milhares de processos tramitam nos tribunais, e que é difícil conseguir datas para julgamento em meio à “pauta lotada”.

“Acredito que este acordo coletivo nacional proposto de US$ 7,25 bilhões… é o melhor caminho a seguir para finalmente encerrar o litígio do Roundup”, disse Joseph Rice, cofundador da Motley Rice e negociador do acordo, em um comunicado.

Rice afirmou que tanto os riscos ocupacionais quanto os residenciais estão cobertos no acordo proposto e que os pagamentos poderão começar ainda este ano.

Desde que adquiriu a Monsanto em 2018, a Bayer vem se defendendo de mais de 100 mil processos judiciais e, até o momento, já pagou mais de US$ 11 bilhões em acordos e indenizações a dezenas de milhares de pessoas que sofrem de linfoma não Hodgkin (LNH), doença que atribuem à exposição ao Roundup e a outros herbicidas à base de glifosato da Monsanto. No cerne desses processos estão as alegações de que a empresa não alertou os usuários sobre o risco de câncer.

A Bayer já havia buscado aprovação judicial para um acordo coletivo semelhante, mas o juiz americano Vince Chhabria, que supervisiona os abrangentes processos judiciais multidistritais do Roundup no Distrito Norte da Califórnia, rejeitou a proposta, citando termos “irrazoáveis” e injustos para pacientes com câncer. Anderson afirmou na terça-feira que a Bayer aprendeu com o fracasso do acordo coletivo anterior.

Os advogados dos demandantes que não estiveram envolvidos na negociação do acordo disseram que precisavam analisar os detalhes antes de poderem afirmar se apoiavam a proposta.

“Em geral, apoiamos um acordo justo para nossos clientes que lhes proporcione uma resolução completa em todos os aspectos”, disse Majed Nachawati, cujo escritório representa cerca de 5.000 demandantes relacionados ao Roundup.

A Bayer afirmou separadamente que também chegou a acordos para resolver outras ações judiciais relacionadas ao Roundup. No total, considerando também os custos dos processos por contaminação por PCBs, a empresa informou que suas provisões e passivos para litígios somam 11,8 bilhões de euros, incluindo 9,6 bilhões de euros referentes ao glifosato.

Audiência da Suprema Corte

A Suprema Corte dos EUA agendou uma audiência para o dia 27 de abril sobre a questão da omissão de advertência.

A Bayer sustenta que a Lei Federal de Inseticidas, Fungicidas e Rodenticidas (FIFRA), que regulamenta o registro, a distribuição, a venda e o uso de pesticidas nos Estados Unidos, impede ações judiciais por omissão de advertência contra a empresa. Como a Agência de Proteção Ambiental (EPA) aprovou rótulos sem advertência sobre o risco de câncer, a empresa afirma que as ações judiciais por omissão de advertência devem ser rejeitadas.

Os advogados dos demandantes sustentam que a lei não impede tais ações judiciais e que existem precedentes e múltiplas decisões judiciais que apoiam essa posição.

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, fevereiro de 2026

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