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20 fev 2026
[Nota do Website: Face a imensa tragédia que os agricultores do estado de Maine, no nordeste dos EUA, na fronteira com o Canadá, essa ação contra os PFAS nada mais é do que uma ação que vai além dos direitos humanos e de respeito à Vida! E ainda se está discutindo sobre algo que está aí, sem contestação sobre os efeitos maléficos dessas moléculas, como se alguma dúvida houvesse para ser elucidada. A conivência das estruturas públicas é flagrante, incontestável!].
Segundo um novo relatório de acadêmicos dos EUA, os órgãos reguladores federais dispõem de uma série de soluções para combater a contaminação generalizada de terras agrícolas por produtos químicos tóxicos.
O relatório , publicado em 13 de fevereiro pelas Academias Nacionais de Ciências, Engenharia e Medicina e patrocinado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), oferece uma estrutura para que a agência lide com a contaminação de terras agrícolas americanas por substâncias per e polifluoroalquiladas tóxicas (PFAS/’forever chemicals‘), uma classe de produtos químicos sintéticos que se acumulam no meio ambiente e nos corpos de humanos e animais.
As substâncias PFAS acabam em terras agrícolas quando os agricultores aplicam lodo de esgoto contaminado como fertilizante, contaminando as plantações e o solo com produtos químicos associados a certos tipos de câncer e outros danos à saúde (nt.: esse lodo de esgoto, segundo consta, por exemplo em Maine, era originário de estações de tratamento de esgoto que também vinha de indústrias como papeleiras, por exemplo).
De acordo com o Environmental Working Group/EWG, quase 35 milhões de hectares de terras agrícolas nos EUA podem ser afetados. Os PFAS também podem se espalhar para as terras agrícolas por meio de agrotóxicos contaminados (nt.: ou fabricados) com essas substâncias – em média, 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos contendo PFAS são pulverizadas em plantações somente na Califórnia.
“Embora existam muitas lacunas de conhecimento sobre PFAS, há oportunidades suficientes… para que as agências FPAC [Produção e Conservação Agrícola] criem uma estrutura para responder aos impactos da contaminação por PFAS em terras agrícolas”, escreveram os autores.
De acordo com o relatório, o USDA (nt.: ministério da agricultura dos EUA) pode usar modelos preditivos para identificar terras agrícolas com risco de contaminação por PFAS, realizar testes de PFAS em locais específicos, caso os agricultores optem por isso, e desenvolver níveis de triagem de PFAS para diferentes tipos de instalações agrícolas, tipos de solo e climas.
O documento também solicita que a agência estude como os produtos químicos PFAS se comportam em diversos tipos de solo e climas, desenvolva mecanismos mais eficazes para capturar ou sequestrar PFAS e pesquise maneiras de minimizar a absorção de PFAS por plantas e animais.
Os autores observam que aprender mais sobre como diferentes plantas absorvem esses produtos químicos pode orientar os esforços para usar certas plantas para absorvê-los do solo.
“O relatório constata corretamente que, além de testar dados para determinar a extensão da contaminação por PFAS em nossas fazendas, é necessário muito mais pesquisa sobre alternativas de cultivo que não absorvam e transportem PFAS, para que os campos contaminados possam ser usados com segurança e produtividade, sem aumentar a exposição tóxica dos consumidores”, disse Emily Carey Perez de Alejo, diretora executiva da Defend Our Health, uma organização sem fins lucrativos com sede no Maine, que lidera os esforços para solucionar a crise do PFAS e das terras agrícolas (nt.: ver um dos links que temos sobre a contaminação de PFAS nesse estados dos EUA).
Ela afirmou que os esforços para avaliar a extensão total da contaminação por PFAS em terras agrícolas e no sistema alimentar devem considerar o PFAS como uma classe de milhares de substâncias químicas, em vez de se concentrar em algumas substâncias específicas.
Em 13 de fevereiro, dia em que o relatório das Academias Nacionais foi publicado, o Comitê de Agricultura da Câmara dos Representantes divulgou sua versão preliminar do Projeto de Lei Agrícola de 2026, que inclui uma disposição que permitiria a concessão de bolsas de pesquisa sobre os impactos agrícolas das PFAS em terras expostas a espumas de combate a incêndios, lodo de esgoto ou composto contendo esses produtos químicos.
A minuta prevê pesquisas sobre a filtragem de PFAS do lodo de esgoto destinado a terras agrícolas, a análise da absorção de PFAS por diversas culturas ou animais, e a remediação de solos e águas contaminadas, entre outras áreas de pesquisa.
Mas a deputada federal Chellie Pingree, do Maine, afirmou que o projeto de lei refletia uma “negligência deliberada da crise das PFAS”.
“O projeto de lei reconhece a contaminação por PFAS em terras agrícolas, mas para na fase de pesquisa”, disse Pingree. “Embora mais pesquisas sejam um componente crucial para lidar com a contaminação por PFAS em terras agrícolas, também precisamos apoiar os agricultores que já perderam seus meios de subsistência, seus mercados e suas terras.” (nt.: em algumas situações no Maine, os agricultores estão impedidos de colher qualquer hortaliça, comer qualquer ovo de suas galinhas, beber água do poço e tomar uma gota de leite de suas vacas. Absurdo total!)
Pingree defende a criação de uma rede de segurança federal para apoiar os agricultores que enfrentam problemas com a poluição por PFAS, semelhante a um fundo já implementado no Maine, que complementa dois anos de perda de renda e ajuda os agricultores a venderem suas terras para o estado. Segundo autoridades estaduais, em meados de janeiro, cerca de 111 fazendas no Maine haviam sido afetadas por PFAS.
No início de dezembro, um grupo bipartidário de legisladores, incluindo Pingree, reapresentou o Relief for Farmers Hit with PFAS Act (Lei de Alívio para Agricultores Atingidos por PFAS ), que criaria um programa federal para autorizar subsídios para que os estados de todo o país ofereçam apoio semelhante aos seus agricultores. Pingree afirmou que pretende apresentar uma emenda para incluir a legislação no projeto de lei agrícola.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, fevereiro de 2026