
18 fev 2026
[Nota do Website: Mais uma comprovação CIENTÍFICA de que os plásticos com seus plastificantes são efetivamente maléficos para todos os seres vivos. Nosso website vem tratando desse tema, há mais de dez anos, e parece que ninguém se escandaliza como nós nos escandalizamos pelo que estamos fazendo com aqueles que ainda nem nasceram. Assim, por omissão ou negligência, tornamo-nos todos criminosos conjuntamente com as corporações, os CEOs, os políticos, as agências responsáveis pela saúde pública e os governantes que não fazem nada como aqui no Brasil!].
Substâncias químicas cada vez mais utilizadas para substituir o aditivo tóxico para plásticos bisfenol A (BPA) podem afetar a fertilidade, o desenvolvimento fetal e a saúde reprodutiva por meio de muitos dos mesmos mecanismos biológicos, de acordo com uma revisão narrativa de estudos em humanos, animais e laboratório.
Preocupações com o BPA levaram alguns fabricantes a eliminá-lo gradualmente e substituí-lo por compostos estruturalmente semelhantes, mais comumente o bisfenol S (BPS), o bisfenol F (BPF) e o bisfenol AF (BPAF). Embora a exposição ao BPA tenha diminuído, o uso de BPS e BPF está aumentando, especialmente na América do Norte e na Ásia.
A revisão, publicada este mês [fevereiro de 2026] nos Archives of Medical Research, descobriu que esses substitutos do BPA — amplamente utilizados em plásticos, alimentos processados e embalagens de alimentos, brinquedos infantis e recibos de papel — podem interferir nos mesmos sistemas hormonais e vias de regulação genética que controlam o desenvolvimento reprodutivo em homens e mulheres (nt.: já está mais do que confirmado de que esses plastificantes feminizam os machos e alteram a homeostase das fêmeas).
“Embora esses compostos tenham sido originalmente sintetizados para serem seguros para uso humano, eles também demonstraram atividade disruptora endócrina semelhante à do BPA, que afeta a função reprodutiva”, escreveram os pesquisadores. “Essas alterações podem levar a distúrbios reprodutivos e consequências negativas a longo prazo e transgeracionais.”
Dizem que os análogos foram introduzidos sem evidências suficientes de sua segurança, e estudos subsequentes mostram que eles têm efeitos adversos semelhantes aos do BPA (nt.: NUNCA ESQUECER QUE DESDE A DÉCADA DE 30 JÁ SE SABE QUE ESSAS MOLÉCULAS SÃO ESTROGÊNICAS. NADA É NOVIDADE!), justificando uma análise científica e regulatória mais rigorosa. O BPA tem sido associado a comprometimento da memória e do aprendizado, infertilidade, doenças cardíacas, acidente vascular cerebral, doenças metabólicas, diabetes tipo 2, pré-eclâmpsia, obesidade e câncer, conforme mostram os estudos.
Em nível molecular, assim como o BPA e outros disruptores endócrinos, os substitutos podem imitar o estrogênio ou bloquear a atividade hormonal, incluindo a sinalização da testosterona (nt.: é que ainda como embrião, ocorrem menores gerações de células que irão produzir testosterona e mesmo espermatozoides em jovens, a partir da puberdade). Eles também parecem induzir alterações epigenéticas, alterando os sinais químicos que controlam a ativação e desativação dos genes e afetando processos cruciais para a formação de óvulos e espermatozoides, a produção hormonal e o crescimento fetal.
A revisão analisou resultados de dezenas de estudos, incluindo experimentos de laboratório com células ou animais, estudos de biomonitoramento que medem a exposição química em humanos e estudos de coorte de longo prazo. Embora os dados sobre os efeitos e mecanismos desses análogos sejam escassos, os autores afirmam que alguns desses estudos sugerem que os efeitos da exposição podem se manifestar não apenas na geração imediata, mas persistir por gerações.
Em camundongos e peixes-zebra, por exemplo, a exposição alterou os sinais de regulação gênica em espermatozoides e óvulos em desenvolvimento, levando a problemas reprodutivos e metabólicos em seus descendentes. Estudos in vivo e in vitro também associaram a exposição ao BPA, BPS e BPAF a diversos distúrbios ovarianos, como a síndrome dos ovários policísticos (SOP), o distúrbio endócrino mais comum que afeta mulheres em idade reprodutiva.
Outras descobertas importantes mostram que os análogos do BPA podem:
- Interromper a atividade gênica. Estudos com óvulos de camundongos expostos ao BPS mostraram alterações nos sinais de DNA que controlam a atividade gênica, podendo alterar o desenvolvimento celular.
- Danificam as células. Os substitutos do BPA aumentam o estresse oxidativo e enfraquecem as mitocôndrias, os centros de energia das células.
- Prejudica os óvulos e a fertilidade. O bisfenol B (BPB) aumentou os sinais de silenciamento gênico e reduziu a sobrevivência dos óvulos, enquanto o bisfenol AP (BPAP) causou danos ao DNA, interferiu no reparo do DNA e interrompeu a separação dos cromossomos durante a divisão celular dos óvulos.
- Interferem na produção hormonal em mulheres e homens. O BPS suprime genes necessários para a produção de estrogênio, enquanto estudos em animais e humanos sugerem que análogos do BPA interferem na produção de testosterona e no desenvolvimento de espermatozoides.
- Atravessam a placenta e afetam o desenvolvimento fetal. Estudos em animais mostram que a exposição ao BPA e ao BPS antes e durante a gravidez pode perturbar a formação da placenta e alterar neurotransmissores como a serotonina e a dopamina, afetando o desenvolvimento cerebral e reprodutivo.
A maior parte das evidências provém de estudos laboratoriais e com animais, devido às questões éticas envolvidas em experimentos com seres humanos, e a pesquisa epidemiológica sobre análogos mais recentes ainda é limitada. Os pesquisadores também alertam que baixas doses de disruptores endócrinos podem ter efeitos inesperados, e a exposição no mundo real geralmente envolve misturas, e não substâncias químicas isoladas.
O BPA é proibido em mamadeiras e copos de treinamento tanto na União Europeia (UE) quanto nos Estados Unidos, porque foi comprovado que essa substância química se desprende do plástico e contamina alimentos ou líquidos.
Nos EUA, não existem regulamentações federais ou estaduais que abordem os análogos do BPA, mas respostas regulatórias para esses análogos estão surgindo em outros lugares: a União Europeia implementou gradualmente uma ampla proibição do BPA e de certos bisfenóis em materiais que entram em contato com alimentos, e o Reino Unido está considerando restrições semelhantes. O BPS está sob revisão na Europa como uma substância de altíssima preocupação.
Os autores afirmam que são necessários testes mais rigorosos para os plásticos, incluindo métodos que levem em consideração os efeitos de baixas doses (nt.: NUNCA ESQUECER QUE IMITANDO HORMÔNIOS AS DOSES SÃO INFINITESIMAIS E NÃO SEGUEM A TOXICOLOGIA CONVENCIONAL!), a exposição a misturas e fases sensíveis da vida, como gravidez, infância, puberdade e menopausa.
“As conclusões aqui apresentadas fornecem evidências que destacam a necessidade de desenvolver novas diretrizes para proteger a saúde humana dos efeitos nocivos dos análogos do BPA”, escreveram os autores. “Além disso, a experiência com o BPA e seus substitutos deve ser considerada antes de substituir materiais destinados ao uso humano.”
Para reduzir sua exposição ao BPA e a substâncias químicas semelhantes, evite aquecer plásticos e use alternativas mais seguras, como vidro, aço inoxidável ou silicone.
Referência
Martínez-Ibarra A, Martínez-Razo LD, Morales-Pacheco M, González-Sánchez I, Rodríguez-Dorantes M, Cerbón M. Role of bisphenol A and its analogues on epigenetics and their impact on the developmental origins of female and male reproductive disorders. Archives of Medical Research. 2026;57(3):103380. doi:10.1016/j.arcmed.2026.103380
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, fevereiro de 2026