
Alterações na expressão gênica podem afetar a fertilidade masculina. Ilustração: rez-art/Getty Images/iStockphoto
https://www.theguardian.com/science/2026/jul/07/air-pollution-dna-changes-sperm-men
07 jul 2026
[Nota do Website: Estamos globalmente enfrentando uma queda vertiginosa na fertilidade masculina. Ver livro da Dra. Shanna Swan, ‘Contagem Regressiva’, e logo vai se constatar essa realidade. Assim, se essa matéria traz de que a poluição ‘poderá’ causar efeitos sobre a qualidade dos espermatozoides e até podendo afetar o embrião, nem que fosse por um ato de empatia com aqueles que ainda nem nasceram, que esses problemas aqui levantados, por precaução, deveriam ser logo tratados de serem suspensos. É o mínimo de respeito a toda a humanidade!].
Estudo com mais de 2.000 homens identifica alterações epigenéticas ligadas à exposição a poluentes comuns do ar livre.
A poluição do ar parece alterar o funcionamento dos genes dos espermatozoides, segundo um dos maiores estudos sobre fertilidade já realizados.
Homens expostos a poluentes atmosféricos comuns durante o desenvolvimento dos espermatozoides apresentaram alterações sutis no DNA que afetaram a ativação ou desativação de genes, levantando novas preocupações de que a poluição do ar possa prejudicar a fertilidade masculina.
Os resultados, apresentados na terça-feira na reunião anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia, em Londres, identificaram o ozônio e o dióxido de nitrogênio como os poluentes mais fortemente associados a estas chamadas alterações epigenéticas.
A Dra. Carrie Nobles, epidemiologista da Universidade de Massachusetts Amherst, que liderou o estudo, afirmou: “Nossos resultados sugerem que a exposição à poluição do ar durante estágios-chave do desenvolvimento dos espermatozoides pode estar associada a alterações no DNA espermático.”
O estudo acompanhou mais de 2.000 homens em Salt Lake City, Utah, entre 2013 e 2017. Os participantes forneceram amostras de sêmen no momento da inscrição e novamente após dois, quatro e seis meses.
Os pesquisadores estimaram a exposição de cada participante a poluentes atmosféricos externos – incluindo ozônio, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e partículas finas – durante os três meses anteriores à coleta de cada amostra, período que corresponde à produção de espermatozoides.
Cada vez mais evidências sugerem que a poluição do ar pode reduzir a fertilidade masculina, mas os mecanismos biológicos ainda não estão claros. Os estudos mais recentes apontam para a metilação do DNA – marcas químicas ligadas ao DNA que regulam a ativação ou desativação de genes sem alterar o código genético – como uma possível explicação.
Os cientistas analisaram a metilação do DNA espermático em 1.220 homens que forneceram amostras no acompanhamento de seis meses. Eles identificaram 39 alterações no DNA ligadas a misturas de poluentes atmosféricos, com o ozônio e o dióxido de nitrogênio parecendo ter uma forte influência.
A maioria das marcas epigenéticas são apagadas no início do desenvolvimento embrionário, mas alguns genes são “impressos” com essas alterações, o que significa que têm o potencial de influenciar o desenvolvimento embrionário e fases posteriores. Um dos genes identificados, o GNAS, já foi associado à pior qualidade do sêmen e ao desenvolvimento fetal.
Nobles afirmou: “Alterações na expressão gênica têm o potencial de impactar a fertilidade masculina, e é por isso que essa área de pesquisa é importante. São necessários estudos futuros para estabelecer uma ligação direta entre as alterações na metilação do DNA espermático associadas à poluição do ar e a fertilidade.”
O professor Allan Pacey, professor de andrologia da Universidade de Manchester, que não participou do estudo, afirmou que a pesquisa demonstrou um efeito mensurável.
“No momento, não é possível concluir se as alterações observadas na metilação do DNA espermático são clinicamente significativas para a infertilidade masculina, sendo necessário realizar mais estudos para confirmar ou refutar essa hipótese”, acrescentou.
O professor Richard Lea, professor de biologia reprodutiva da Universidade de Nottingham, afirmou: “Esta é uma pesquisa importante que se soma a um crescente conjunto de evidências de que a qualidade do espermatozoide é afetada negativamente por poluentes atmosféricos.”
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2026