
A água potável contaminada é uma das principais fontes de substâncias químicas persistentes encontradas em humanos, juntamente com alimentos consumidos em embalagens resistentes à gordura e outros produtos domésticos. (Getty).
https://www.the-independent.com/news/science/forever-chemicals-PFAS-leukemia-health-b2966428.html
28 abr 2026
[Nota do Website: Outra matéria que podemos conectar com as que já conhecemos sobre o estado de Maine, nos EUA, e a liberalidade de se registrar, cada vez mais, agrotóxicos com esses ‘químicos eternos/forever chemicals’. É estarrecedor vermos como estamos, criminosamente, agredindo de forma sistemática os seres, humanos, mais indefesos do planeta, nossas crianças. Não podemos mais suportar essa violência dos disruptores endócrinos que agridem os seres, tanto humanos como não-humanos, desde sua fase embrionária, como se dá com esses perfluorados].
Presentes em roupas, embalagens de alimentos e cosméticos, o uso generalizado de PFAS está cada vez mais associado a preocupações ambientais e de saúde.
O grupo de substâncias químicas à base de flúor, conhecidas atualmente como “químicos eternos/forever chemicals“, tornou-se extremamente difundido desde sua descoberta em meados do século XX. De embalagens de alimentos impermeáveis e panelas antiaderentes a fio dental, rímel e espuma de combate a incêndios, elas têm sido usadas em grandes quantidades por décadas.
Sua popularidade se deve às suas propriedades aparentemente milagrosas: elas repelem água e óleo, resistem a altas temperaturas e oferecem uma durabilidade incrível.
No entanto, eles não se degradam facilmente, com alguns compostos podendo durar centenas ou milhares de anos, e podem infiltrar-se na água potável, contaminar alimentos e eventualmente acumular-se no corpo humano e em animais.
Elas já foram associadas a câncer, doenças cardiovasculares, demência e infertilidade.
Uma nova pesquisa realizada por uma equipe da Universidade da Califórnia descobriu que a exposição precoce a esses produtos químicos, também conhecidos como PFAS (substâncias per e polifluoroalquiladas), estava associada a um risco maior de leucemia linfoblástica aguda, o câncer infantil mais comum.
Para investigar os efeitos da exposição em bebês e crianças, os pesquisadores analisaram manchas de sangue seco coletadas de recém-nascidos no Condado de Los Angeles ao longo de um período de 15 anos, a fim de obter uma visão mais clara dos efeitos da exposição precoce a esses produtos químicos onipresentes.
O estudo incluiu 125 crianças diagnosticadas com leucemia linfoblástica aguda, bem como 219 crianças sem câncer, nascidas entre 2000 e 2015.
Entre os 17 PFAS detectados no sangue de recém-nascidos, dois tipos – PFOA e PFOS – apresentaram os níveis mais elevados. A principal fonte de PFOA é a água potável, mas ele também é usado em embalagens de alimentos e tecidos impermeáveis, e era utilizado em panelas de Teflon até recentemente. O PFOS também é usado para aplicações semelhantes, além de ser encontrado em roupas e carpetes sintéticos.
O estudo descobriu que as crianças com níveis mais elevados de PFAS detectados no sangue apresentavam maior probabilidade de desenvolver leucemia, afirmou a equipe, embora tenham alertado que “as estimativas não eram precisas”.
“O risco também pareceu aumentar com a exposição combinada aos dois produtos químicos”, afirmaram.
A coautora Veronica Vieira, professora e diretora de saúde ambiental e ocupacional da Escola de Saúde Pública Wen da Universidade da Califórnia, Irvine, disse: “Esta pesquisa nos aproxima da compreensão a que os bebês são expostos desde o início, medindo diretamente os PFAS presentes no nascimento, em vez de estimar a exposição pela água potável.”
Ela acrescentou: “Ao registrarmos as exposições durante um período crítico do desenvolvimento, estamos obtendo uma visão mais clara de como os contaminantes ambientais podem contribuir para o risco de câncer infantil.”

A equipe de pesquisa afirmou que seu estudo não comprova causa e efeito; no entanto, disseram: “Ele se soma às crescentes evidências de que a exposição a PFAS no início da vida pode contribuir para o risco de câncer em crianças.”
Nos últimos anos, uma melhor compreensão dos riscos que os produtos químicos persistentes representam levou a uma reação contrária ao seu uso.
O uso de PFAS em utensílios de cozinha de Teflon foi proibido no Reino Unido em 2005, na Europa em 2008 e sua venda foi interrompida nos EUA em 2014.
Outros controles também estão sendo considerados na Grã-Bretanha, com vários parlamentares preocupados pedindo ao governo que proíba o uso de um grupo de substâncias químicas sintéticas em uniformes escolares, embalagens de alimentos e utensílios de cozinha.
Em um relatório sobre os riscos das PFAS, o Comitê de Auditoria Ambiental instou o governo a introduzir restrições ao uso não essencial desses produtos químicos e a iniciar uma restrição gradual a partir de 2027.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, abril de 2026