PFAS: Projeto de lei da Califórnia visa manter PFAS tóxicos longe de suas plantações.

Um trabalhador rural colhe morangos em um campo em 31 de março, perto de Oxnard, Califórnia. Crédito: Mario Tama/Getty Images

https://insideclimatenews.org/news/08042026/california-bill-could-ban-PFAS-pesticides/

Liza Gross

08 ABR 2026

[Nota do Website: Aqui se pode ver o que a ideologia e doutrina da ‘revolução verde’ com sua ‘modernização da agricultura’ trouxe ao planeta. Há décadas que as corporações criadoras dessas moléculas perfluoradas sabiam o que tinham gerado. Mas mesmo assim, mantiveram esse conhecimento ‘intramuros’, e com isso permitindo seu uso em várias áreas onde os seres vivos, incluindo os humanos, têm contato. Crime corporativo! Agora por que eliminá-los somente em 2035? Outro crime? Se sabemos o que são, deveriam ser banidos agora, sem delongas!].

O estado maior produtor agrícola do país poderá proibir agrotóxicos com PFAS depois que pesquisadores encontraram esses “químicos eternos/forever chemicals” em 40% dos produtos agrícolas convencionais cultivados no estado.

O deputado estadual da Califórnia, Nick Schultz, está liderando um esforço para eliminar gradualmente o uso de agrotóxicos que contenham substâncias químicas tóxicas “eternas”, visando proteger a produção agrícola do país (nt.: essas moléculas ‘forever chemicals/químicos eternos’, são definitivamente DISRUPTORAS ENDÓCRINAS!). 

Schultz, democrata de Burbank, apresentou o projeto de lei AB 1603 no início deste ano para proibir o uso, a venda e a fabricação de agrotóxicos PFAS na Califórnia a partir de 2035. O estado é o maior produtor agrícola do país, e suas frutas, nozes e vegetais chegam aos pratos de todo os Estados Unidos.

O deputado estadual afirmou em uma coletiva de imprensa na quarta-feira que a Califórnia aprovou inúmeras leis para eliminar esses produtos químicos sintéticos altamente persistentes e nocivos das casas e do meio ambiente, e ficou chocado ao saber que agrotóxicos com PFAS adicionados intencionalmente são pulverizados regularmente nas plantações do estado.

“Fiquei ainda mais surpreso ao descobrir que esses agrotóxicos PFAS estão presentes nas frutas e verduras que compramos no supermercado, nas frutas e verduras que damos às nossas famílias”, disse Schultz.

Mais de 2,5 milhões de toneladas de agrotóxicos contendo PFAS foram pulverizadas em plantações na Califórnia entre 2018 e 2023, de acordo com uma análise de dados estaduais sobre o uso de agrotóxicos feita pelo Environmental Working Group/EWG, que copatrocina o projeto de lei de Schultz juntamente com outros grupos de interesse público e de saúde.

A EWG também detectou resíduos de pelo menos um agrotóxico PFAS em quase 40% dos produtos agrícolas convencionais cultivados no estado da Califórnia.

O EWG sempre recomenda aos consumidores que lavem seus produtos. Mas não está claro se enxaguar frutas e verduras contaminadas com produtos químicos resistentes à água teria algum efeito (nt.: é importantíssimo se saber se o agrotóxico é de contato -externo- ou sistêmico -fica internamente em toda a planta).

A Agência de Proteção Ambiental/EPA afirmou que os agrotóxicos não representam riscos quando usados ​​conforme as instruções (nt.: a ideia do uso, ou seja, responsabilidade do agricultor, eximindo o produto em si. Mas se é perfluorado/PFAS, age como hormônio e assim a dose é infinitesimal e não na visão da toxicologia convencional da relação da dose e seus efeitos tóxicos).

Mais de 227 toneladas de agrotóxicos PFAS foram aplicadas no Condado de Monterey, onde, há décadas, pesquisadores da Universidade da Califórnia, Berkeley, estudam como os agrotóxicos afetam as comunidades de trabalhadores rurais. A pesquisa pioneira no Vale de Salinas associou a exposição a agrotóxicos a uma variedade de problemas de saúde em crianças. 

“Estudos demonstraram que crianças de Salinas nascem com níveis mais elevados de pesticidas na urina e apresentam dificuldades cognitivas precoces, desenvolvendo posteriormente sérios problemas comportamentais e de saúde mental na adolescência e na idade adulta”, afirmou Andrew Sandoval, membro do conselho municipal de Salinas. “Agora estamos descobrindo que alguns desses agrotóxicos não estão apenas ligados a sérios problemas de saúde, mas também são substâncias químicas persistentes.” (nt.: para se ter ideia desse trabalho ver em nosso website o documentário ‘Amanhã, seremos todos cretinos?’).

E esses produtos químicos tóxicos altamente persistentes foram aplicados mais de 1.000 vezes entre 2018 e 2023 no Condado de Monterey, disse ele, mais do que em quase qualquer outro condado da Califórnia.

Os PFAS possuem ligações químicas praticamente indestrutíveis que lhes conferem resistência à água, gordura e calor, tornando-os ingredientes valiosos em centenas de produtos de consumo, incluindo embalagens de alimentos, utensílios de cozinha, fio dental, cosméticos e equipamentos para atividades ao ar livre. No entanto, as mesmas propriedades que tornam esses produtos químicos industriais comercialmente atraentes permitiram que se acumulassem no meio ambiente e nos tecidos da vida selvagem e de pessoas em todo o mundo.

Graças ao amplo apelo comercial desses produtos químicos, quase todos os americanos têm PFAS no sangue, onde permanecem por anos e levam a sérios problemas de saúde — resposta vacinal prejudicada, níveis mais altos de colesterol, aumento do risco de câncer de rim e testicular e baixo peso ao nascer, entre outros males. 

A EPA aprovou 70 agrotóxicos PFAS com ingredientes ativos, e o Departamento de Regulamentação de Agrotóxicos da Califórnia permitiu o uso de 53 de PFAS no estado, conforme observa o projeto de lei de Schultz. Para os 23 agrotóxicos PFAS aprovados na Califórnia que são proibidos na União Europeia, a proibição entraria em vigor cinco anos antes, em 2030.

A União Europeia proibiu dois dos agrotóxicos mais comumente utilizados, a bifentrina e a trifluralina (nt.: esse é um herbicida que também é fabricado no Brasil, e largamente utilizado em várias culturas), devido a preocupações com a saúde e o meio ambiente, afirmou Varun Subramaniam, analista científico do EWG

No entanto, os agricultores da Califórnia pulverizaram quase 2 milhões de quilos desses produtos químicos tóxicos em frutas e vegetais ao longo de seis anos.

O agrotóxico mais frequentemente detectado em produtos agrícolas foi o fludioxonil, um fungicida PFAS associado à disfunção hormonal e a problemas reprodutivos, afirmou Subramaniam. O composto tóxico contaminou 90% das amostras de nectarina, ameixa e pêssego cultivadas na Califórnia que foram testadas.

Os agrotóxicos PFAS têm sido amplamente utilizados na Califórnia sem restrições, e só agora estamos começando a entender seus efeitos a longo prazo, disse Subramaniam. “Como celeiro dos Estados Unidos”, acrescentou, “os resíduos encontrados em produtos cultivados na Califórnia se espalharão por todo o país.”

Pesquisas anteriores da EPA descobriram que compostos PFAS estavam se infiltrando nos agrotóxicos a partir de recipientes de armazenamento (nt.: as embalagens são feitas com essas moléculas para impedir a umidade e outros aspectos naturais que poderiam atingir os venenos). Mas não foi por isso que os PFAS apareceram em frutas e vegetais da Califórnia, disse Schultz. 

“Está lá porque foram pulverizados diretamente nas nossas plantações e nos nossos campos”, disse ele. “É terrível.”

Os agricultores podem não ter ideia de que estão aplicando esses produtos químicos em suas terras, e os governos locais e as agências de água também não são informados sobre a presença de PFAS, disse Schultz. O projeto de lei AB 1603 garantiria que as comunidades e os produtores fossem informados de que os agrotóxicos PFAS estão sendo usados ​​até que sejam eliminados de vez.

“Estamos tentando alinhar a Califórnia com a União Europeia, que já está respondendo a essa necessidade e proibindo o uso de certos agrotóxicos contaminados com PFAS em suas plantações”, disse Schultz, acrescentando que outros estados já aprovaram ou estão considerando proibições. “É hora de a Califórnia, que é o celeiro do nosso país e do mundo, se alinhar e responder a essa necessidade, estabelecendo pelo menos um padrão equivalente.”

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, abril de 2026

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