
O governo Trump aprovou diversos novos agrotóxicos fluorados para uso em importantes culturas alimentares dos EUA, incluindo milho e soja. Agência de Proteção Ambiental
https://www.ibtimes.co.uk/epa-approves-new-fluorinated-pesticides-1806171
1º jul 2026
[Nota do Website: Com uma notícia como essa quem ainda duvida de que exista corrupção da pior espécie nos EUA? É impressionante como os adeptos da crença chamada ‘agribusiness’, imaginam que seus corpos estão acima de quaisquer dos efeitos maléficos dos produtos que misturam com aquilo que desavergonhadamente chamam de ‘alimento’. Desde quando veneno se coaduna com alimento?].
Novos herbicidas são aprovados para as principais culturas agrícolas dos EUA em meio a preocupações com a saúde e batalhas judiciais.
A Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo Trump aprovou o uso de dois agrotóxicos fluorados (nt.: ou seja, PFAS=’forever chemicals’), nunca antes pulverizados em solo americano, nas duas maiores culturas alimentares do país: milho e soja.
As aprovações do diflufenican (nt.: autorizado no Brasil também para soja) e do epirifenacil (nt.: ainda está em estudos) foram anunciadas pelo Centro para a Diversidade Biológica em 30 de junho de 2026, juntamente com a expansão do uso alimentar de um terceiro inseticida fluorado, a bifentrina (nt.: inseticida autorizado no Brasil), e o primeiro registro alimentar nos EUA do regulador de plantas clormequat (nt.: autorizado no Brasil).
Ativistas descrevem todos esses compostos como substâncias de longa duração associadas a sérios danos à saúde, uma caracterização que a EPA rejeita veementemente. As aprovações foram concedidas cinco dias depois de a Suprema Corte ter restringido drasticamente a capacidade dos americanos de processar fabricantes de agrotóxicos por alertas sobre câncer, acirrando uma disputa que dividiu a própria base de apoio do presidente.
Dois novos herbicidas fluorados aprovados para uso em culturas básicas dos Estados Unidos.
A EPA registrou o diflufenican e o epirifenacil para uso em milho e soja, sendo que o epirifenacil também foi aprovado para trigo. Ambos são novos no mercado americano e não haviam sido pulverizados em nenhuma cultura dos EUA antes dessa decisão.
O milho e a soja, juntos, cobrem mais de 70 milhões de hectares de terras agrícolas americanas a cada ano, portanto, o alcance das aprovações é vasto. Ambos são herbicidas usados para matar ervas daninhas, e não insetos, e espera-se que cada um deixe resíduos que persistam bem além de uma única safra.
No mesmo dia, a agência ampliou o uso da bifentrina, um inseticida fluorado mais antigo, para café, kiwi, ervilha, couve e brócolis. Também aprovou o primeiro uso alimentar nos EUA do clormequat em trigo, cevada e aveia, um regulador de crescimento já detectado na urina de aproximadamente 90% dos americanos e associado, em estudos, à redução da fertilidade e à toxicidade reprodutiva (nt.: esse produto é um disruptor endócrino, ou seja, altera no feto o seu desenvolvimento sexual, destacando em machos).
As aprovações ocorreram após a nomeação de Kyle Kunkler, ex-lobista da Associação Americana de Soja, como administrador assistente adjunto para agoróxicos. A associação de soja havia feito lobby a favor de ambos os novos herbicidas por meio de consultas públicas. Essas aprovações representam a terceira e a quarta de agrotóxicos PFAS aprovados pela atual administração, após o ciclobutrifluram e o isocicloseram (nt.: os dois autorizados no Brasil).
Uma definição controversa do que é considerado um composto químico eterno.
A principal controvérsia científica reside em saber se esses compostos são de fato PFAS. Em uma verificação formal de fatos publicada em 26 de novembro de 2025, a EPA afirmou que compostos com um único átomo de carbono totalmente fluorado não são substâncias químicas permanentes e não representam riscos à segurança quando as instruções de uso são seguidas. A agência observa que sua definição de PFAS de 2023, estabelecida durante o governo Biden, exclui deliberadamente moléculas com apenas um átomo de carbono fluorado.
O Centro para a Diversidade Biológica argumenta que os agrotóxicos se enquadram em uma definição mais ampla de PFAS, endossada por mais de 150 pesquisadores e utilizada por quase todos os estados americanos. Segundo o Centro, a EPA removeu discretamente uma referência a essa definição concorrente de seu próprio site semanas após publicá-la. O grupo também destaca que o diflufenican e o epirifenacil se decompõem em ácido trifluoroacético, um contaminante persistente da água que a Agência Europeia de Produtos Químicos recomendou que seja classificado como tóxico para a reprodução.
Órgãos reguladores estrangeiros já adotaram medidas mais rigorosas. A Dinamarca proibiu o diflufenican devido à sua contribuição para a contaminação das águas subterrâneas, e o epirifenacil nunca foi aprovado para uso na Europa.
Em relação à questão do câncer, a EPA classifica o epirifenacil como “improvável de ser cancerígeno” em baixas doses, porém o agrotóxico causa tumores no fígado em estudos com animais, e um produto da degradação do diflufenican compartilha um perfil de toxicidade com a anilina, um composto que a própria agência classifica como um provável carcinógeno humano.
Decisão da Suprema Corte restringe o caminho para processar fabricantes de agrotóxicos.
O momento escolhido intensificou o alarme. Em 25 de junho de 2026, a Suprema Corte decidiu por 7 a 2 no caso Monsanto Co. v. Durnell que a Lei Federal de Inseticidas, Fungicidas e Rodenticidas (Federal Insecticide, Fungicide, and Rodenticide Act) prevalece sobre as ações judiciais estaduais por omissão de advertências. Em seu voto majoritário, o Juiz Brett Kavanaugh sustentou que os júris estaduais não podem obrigar os rótulos de agrotóxicos a conter advertências “adicionais ou diferentes” daquelas aprovadas pela EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos).Trump amplia o uso do agrotóxico que RFK Jr. chamou de cancerígeno, e agora as mães do MAHA que o elegeram estão fartas.
A juíza Ketanji Brown Jackson, acompanhada pelo juiz Neil Gorsuch, apresentou um voto divergente, argumentando que a decisão “interpreta erroneamente os requisitos da FIFRA” e deixa o demandante sem reparação. O caso teve origem em uma indenização concedida por um júri do Missouri ao agricultor John Durnell, que desenvolveu linfoma não Hodgkin após décadas de uso do Roundup. A Bayer comemorou a decisão, considerando-a benéfica para a clareza regulatória, e analistas esperam que ela encerre a maioria das cerca de 100.000 ações judiciais pendentes relacionadas ao Roundup.
Nathan Donley, diretor de ciências da saúde ambiental do Centro para a Diversidade Biológica, classificou as novas aprovações como “um ultraje nacional”, dias depois de o tribunal ter “limitado o direito do povo americano de processar empresas de agrotóxicos”. Ele argumenta que a agência aprovou centenas de substâncias tóxicas que ela mesma associou ao câncer. A EPA afirma que suas avaliações seguem os mais altos padrões científicos e que os compostos são mais seguros do que os produtos químicos mais antigos que substituem.
O fato de os tribunais, o Congresso ou um fragmentado movimento “Make America Healthy Again” conseguirem reabrir a porta que a EPA acaba de ampliar definirá o que estará nos pratos dos americanos por uma geração.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2026