
09 fev 2026
[Nota do Website: Simplesmente uma vergonha! E o mais incrível é essa gente ser recebido com tapete vermelho. Lastimável como esses meritocratas do mundo das corporações, Big Ag, dentre todas as outras Bigs, sejam tão descaradamente criminosos e sem nenhum remorso. Será que eles/elas não têm famílias, não têm filhos e não são aqueles que insistem de que as Américas seriam ‘cristãs’ e que, presumir-se-ia, que amassem ao ‘próximo’? Leiam e pasmem!].
Resumo da história
- Um estudo de segurança sobre o glifosato, altamente influente e amplamente citado por órgãos reguladores em todo o mundo, realizado em 2000, foi retratado após evidências demonstrarem que havia sido escrito por cientistas da Monsanto e apresentado de forma distorcida como pesquisa independente.
- E-mails internos da empresa revelaram que a Monsanto planejou, redigiu e celebrou o artigo como uma ferramenta estratégica para defender o Roundup e as culturas Roundup Ready durante um período crucial de expiração de patentes.
- Apesar da prática de autoria fantasma ter sido exposta em um processo judicial de 2017, o estudo continuou a influenciar pesquisas, regulamentações e a percepção pública por anos, acumulando mais de 1.300 citações antes de uma retratação tardia.
- A revista admitiu que o estudo se baseou em dados não publicados da Monsanto, ignorando pesquisas existentes sobre toxicidade, demonstrando como evidências seletivas podem influenciar políticas públicas silenciosamente por anos.
- O caso do glifosato reflete a pesquisa antiética generalizada nas áreas da saúde e da medicina, mostrando por que é preciso questionar o consenso, examinar os incentivos e proteger a própria saúde, em vez de confiar cegamente no sistema.
Há anos venho alertando sobre o glifosato, o herbicida tóxico que se infiltrou em nosso suprimento de alimentos, nossa água e nossos corpos. Enquanto isso, as autoridades reguladoras e os representantes da indústria química têm consistentemente ignorado essas preocupações, insistindo que esse herbicida onipresente não representa nenhuma ameaça à saúde humana e que o “consenso científico” demonstra claramente a segurança do glifosato. Esse consenso acaba de sofrer um grande golpe.
Em um desenvolvimento surpreendente que confirma o que muitos de nós temos dito há décadas, um dos estudos mais influentes usados para justificar o uso contínuo do glifosato foi retratado pela própria revista que o publicou. Este estudo estava entre os artigos mais citados em defesa da segurança do glifosato, referenciado centenas de vezes em artigos de pesquisa, documentos de políticas públicas e até mesmo em verbetes da Wikipédia, que milhões de pessoas consultam para obter informações sobre saúde. 1
A retratação levanta uma questão profundamente perturbadora que vai muito além deste único herbicida: quanto da “ciência” em que nos disseram para confiar está, na verdade, corrompida por interesses corporativos, e quantos dos produtos químicos, medicamentos e produtos declarados “seguros” estão nos envenenando lentamente enquanto mãos ocultas lucram com a ignorância do público?
A prova irrefutável finalmente surge.
O artigo em questão foi publicado na revista Regulatory Toxicology and Pharmacology em abril de 2000 (nt.: em 2015, o glifosato foi considerado pela IARC/International Agency for Research on Cancer/OMS/ONU, CANCERÍGENO) foi escrito por três cientistas apresentados como especialistas independentes: Gary Williams, do New York Medical College; Robert Kroes, da Universidade de Utrecht; e Ian Munro, da Cantox Health Sciences International. O artigo analisava a segurança do glifosato e rapidamente se tornou uma referência fundamental para os órgãos reguladores que avaliavam os riscos do herbicida para a saúde. ²
•O artigo apresentou um veredicto de segurança inequívoco no qual os órgãos reguladores se basearam: os autores concluíram que o glifosato não representa risco para a saúde humana, incluindo ausência de câncer, danos reprodutivos, de desenvolvimento ou endócrinos em humanos ou animais. Agências reguladoras em todo o mundo, incluindo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), citaram este artigo como prova de que os herbicidas à base de glifosato são seguros para uso contínuo. 3
•A Monsanto redigiu secretamente o artigo enquanto cientistas externos o assinaram — Documentos internos da empresa, divulgados durante um processo judicial em 2017, mostraram que os cientistas da Monsanto escreveram o artigo eles mesmos, enquanto os acadêmicos citados atuaram apenas como editores e signatários. Em um e-mail específico de 2015, William Heydens, um cientista da Monsanto, sugeriu que a empresa poderia “escrever em nome de terceiros” outro artigo usando a mesma estratégia.
“[Nós] reduziríamos os custos escrevendo o texto e eles apenas editariam e assinariam, por assim dizer. Lembre-se de que foi assim que lidamos com os casos Williams, Kroes e Munro, em 2000”, escreveu ele. 4
•E-mails internos revelam manipulação deliberada do registro científico — Após a publicação do artigo, Lisa Drake, funcionária da área de relações governamentais da Monsanto, enviou um e-mail elogiando sete funcionários da empresa por seu “trabalho árduo ao longo de três anos de coleta de dados, redação, revisão e construção de relacionamento com os autores do artigo”. Ela deixou claro por que o artigo escrito por terceiros era tão importante, dizendo:
“Esta publicação sobre saúde humana relacionada ao herbicida Roundup e sua publicação complementar sobre ecotoxicidade e destino ambiental serão, sem dúvida, consideradas ‘a’ referência em segurança do Roundup e do glifosato. Nosso plano agora é utilizá-la tanto na defesa do Roundup e das culturas Roundup Ready em todo o mundo quanto em nossa capacidade de nos diferenciarmos competitivamente dos genéricos.” 5
•Os executivos trataram o engano como um sucesso corporativo — uma executiva, Katherine Carr, chegou a perguntar se a equipe da Monsanto que trabalhou no artigo de Williams poderia receber camisetas polo da Roundup como um “símbolo de reconhecimento pelo trabalho bem feito”. 6
Hugh Grant, que na época era um executivo sênior da Monsanto e mais tarde se tornou CEO e presidente do conselho, acrescentou seus parabéns: “Este é um trabalho muito bom, parabéns à equipe, por favor, mantenham-me informado à medida que vocês elaboram as informações de relações públicas para acompanhar isso.” 7
•O momento coincidiu com importantes interesses financeiros para a Monsanto — o final da década de 1990 marcou o lançamento das sementes “Roundup Ready“, tolerantes ao glifosato, projetadas para permitir que os agricultores pulverizassem o herbicida diretamente nas plantações. Quaisquer preocupações com a saúde relacionadas ao glifosato poderiam prejudicar essa nova e lucrativa linha de negócios.
Entretanto, a patente da Monsanto para o glifosato expiraria em 2000, o que significava que a empresa logo enfrentaria a concorrência de fabricantes de genéricos. Eles precisavam de uma pesquisa “independente” com autoridade para manter o domínio do mercado e justificar a aprovação regulatória. O artigo escrito por um ghostwriter forneceu exatamente isso. 8
Mesmo depois de e-mails internos terem exposto o papel da Monsanto na elaboração do artigo, sua influência não diminuiu. Em vez disso, o estudo continuou a moldar discussões regulatórias, redes de citação e narrativas públicas por anos após a fraude ter sido descoberta. Se você quiser uma análise mais aprofundada de como essas alegações distorcidas de segurança se traduzem em riscos reais à saúde, leia “Roundup Weedkiller Linked to Multiple Cancers” (Herbicida Roundup associado a múltiplos tipos de câncer).
A retratação ocorreu 8 anos após a exposição da prática de autoria fantasma.
Segundo uma análise de Alexander Kaurov, astrofísico da Universidade Victoria de Wellington, e Naomi Oreskes, historiadora da ciência da Universidade Harvard, o artigo escrito por um autor fantasma ficou entre os 0,1% dos artigos mais citados sobre glifosato. Ele foi citado mais de 1.300 vezes, de acordo com o Google Acadêmico, e mais de 600 vezes, de acordo com o Web of Science da Clavirete. ⁹
•A revista só agiu depois que Kaurov e Oreskes relataram os problemas à publicação — Martin van den Berg, editor-chefe da revista, afirmou que o pedido de retratação dos pesquisadores foi a primeira vez que uma reclamação chegou diretamente à sua mesa. Ele admitiu que a retratação “poderia ter sido feita já em 2017, mas é claramente um caso de duas fontes de informação paralelas que não se conectaram antes”.¹⁰
•O engano vai ainda mais fundo do que a autoria fantasma — De acordo com o aviso de retratação, o artigo baseou suas conclusões de segurança exclusivamente em dados não publicados de propriedade da Monsanto, ignorando múltiplos estudos de toxicidade e carcinogenicidade de longo prazo que já estavam disponíveis em 1999 (nt.: destaque dado pela tradução para mostrar o quão criminosos todos eles são! Típico crime corporativo e de ‘cientistas’ vendilhões!).
“As conclusões do artigo sobre a carcinogenicidade do glifosato baseiam-se exclusivamente em estudos não publicados da Monsanto, que não conseguiram demonstrar potencial tumorigênico.”
O editor-chefe responsável também tomou conhecimento de que, na época da redação deste artigo na revista, os autores não incluíram vários outros estudos de toxicidade crônica e carcinogenicidade de longo prazo, que já haviam sido realizados na época da redação de sua revisão, em 1999.
Em seu artigo, os autores afirmam ter conhecimento de outros estudos, não publicados e indisponíveis. No entanto, não especificam em que medida tentaram incorporar as conclusões desses estudos (não publicados). Os motivos para isso permanecem desconhecidos, mas colocam em questão a objetividade mais ampla das conclusões apresentadas. 11
•A retratação corrigiu o registro, mas não pôde desfazer décadas de impacto — Kaurov e Oreskes enfatizaram que a retirada do artigo não apagaria 25 anos de influência regulatória e científica. No entanto, argumentaram que isso enviaria um sinal claro e há muito esperado de que a autoria fraudulenta é inaceitável e que o registro acadêmico será protegido independentemente da idade do artigo, do número de citações ou do valor comercial para um periódico. 12
•A Bayer defendeu o artigo apontando para os agradecimentos em vez da autoria — a Bayer, que adquiriu a Monsanto em 2018, afirmou acreditar que o envolvimento da Monsanto foi devidamente divulgado na seção de agradecimentos, aos toxicologistas e cientistas da Monsanto por suas significativas contribuições para as avaliações de exposição e identificou vários funcionários da Monsanto como fornecedores de apoio científico.
No entanto, reconhecer o “apoio científico” de alguém não é o mesmo que revelar que essa pessoa escreveu o artigo inteiro em nome de terceiros. A declaração da empresa, então, recorreu ao refrão já conhecido:
“O consenso entre os órgãos reguladores em todo o mundo que realizaram suas próprias avaliações independentes com base no conjunto de evidências é que o glifosato pode ser usado com segurança conforme as instruções e não é cancerígeno.” 13
Um projeto de lei em tramitação no Congresso inclui uma cláusula discreta que protegeria a Bayer e outros fabricantes de agrotóxicos de processos judiciais por danos associados a produtos da Monsanto. Saiba mais em “A Campanha Mortal para Proteger Todos os Agrotóxicos da Responsabilidade Legal/The Deadly Campaign to Shield All Pesticides from Legal Liability“.
•Será que o “consenso” é, na verdade, baseado em pesquisas antiéticas? — Em um artigo da Chemical & Engineering News, Kaurov observou que existem outros artigos sobre glifosato notoriamente escritos por terceiros. Kaurov e Oreskes optaram por destacar o estudo publicado na revista Regulatory Toxicology and Pharmacology por ser o mais antigo.
Kaurov diz estar surpreso que ninguém mais tenha entrado em contato com a revista pedindo a retirada do artigo desde que as revelações sobre o envolvimento da Monsanto em sua redação vieram à tona em 2017 (nt.: é importante se observar que os acionistas da Monsanto resolveram formalmente se desfazer dela em 2016. Foi nesse ano que a Bayer se interessou em comprá-la. Incrível que a outra grande rival da Monsanto era, e é, a Syngenta da Suíça. Os suíços já haviam se desfeito no início de início de 16 para a estatal chinesa ChemChina que queriam também comprar a Monsanto. Será que não foi por isso que a Bayer ‘saiu correndo’ para não deixarem os chineses ficarem todos de todo ‘agribusiness’ ocidental? Dá para supor…). 14
•Especialistas afirmam que a autoria corporativa não divulgada era um padrão mais amplo — Alexandra Maertens, toxicologista computacional da Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg, também observou que vários manuscritos sobre glifosato envolviam autores principais em comum e diferentes níveis de envolvimento da Monsanto. Ela enfatizou que essas relações deveriam ter sido divulgadas. 15
•A EPA enquadrou a questão como uma de citação, e não de influência — embora reconhecendo estar ciente da retratação, a agência afirmou que “nunca se baseou neste artigo específico para desenvolver quaisquer de suas conclusões regulatórias sobre o glifosato”. Um porta-voz da EPA disse que a agência “estudou extensivamente o glifosato, revisando mais de 6.000 estudos em todas as disciplinas” e que sua atual avaliação de risco utiliza “ciência de referência”. 16
No entanto, a questão não é apenas se a EPA citou diretamente este artigo em suas conclusões finais — é que este estudo fraudulento moldou todo o panorama da pesquisa sobre o glifosato e as discussões regulatórias por um quarto de século. Quando um artigo tão influente se revela propaganda da indústria escrita por terceiros (nt.: destaque dado pela tradução), isso coloca em xeque toda a base dos estudos que vieram depois e foram influenciados por ele.
O escândalo do glifosato é apenas a ponta do iceberg.
As indústrias farmacêutica e química transformaram a manipulação científica em procedimento operacional padrão, e a retratação do glifosato apenas expõe um fio em uma vasta teia de enganos que determina quais medicamentos são prescritos para você, quais substâncias químicas acabam em seus alimentos e o que seu médico acredita ser verdade.
•Má conduta científica agora domina as retratações de medicamentos e pesquisas biomédicas — Em 2012, pesquisadores do Centro de Pesquisa Farmacoeconômica da Universidade de Illinois em Chicago investigaram retratações em publicações sobre medicamentos e pesquisas biomédicas e descobriram que quase 75% dos estudos sobre medicamentos retratados foram atribuídos a má conduta científica, incluindo falsificação ou fabricação de dados, veracidade questionável, conduta antiética do autor ou plágio.
Isso representa um aumento drástico em relação a uma revisão de 1998, que constatou que 37% das retratações científicas entre 1966 e 1997 foram devidas a má conduta científica. Ainda mais alarmante, dados da Thomson Reuters mostram que o número de retratações científicas aumentou mais de 15 vezes desde 2001.17
•A indústria farmacêutica tem um longo histórico de conduta criminosa — quase 20% dos 100 maiores criminosos corporativos da década de 1990 eram empresas farmacêuticas. Jon Jureidini, professor de psiquiatria da Universidade de Adelaide, que analisou documentos internos de empresas farmacêuticas como perito, encontrou sérias deturpações tanto da eficácia quanto da segurança dos medicamentos. Artigos publicados apresentavam resultados favoráveis, enquanto as conclusões negativas eram completamente omitidas.18
•A prática de escrever artigos para outros, sem o consentimento dos médicos, é uma tática padrão na indústria, não uma anomalia — Em 2008, o Dr. Joseph S. Ross, da Escola de Medicina Mount Sinai, descobriu um extenso caso de artigos escritos por terceiros ligado ao Vioxx, o analgésico associado a mais de 60.000 mortes antes de sua retirada do mercado.
Ross encontrou documentos internos da Merck e e-mails referentes a cerca de 96 publicações em periódicos, algumas das quais foram desenvolvidas pelo departamento de marketing da empresa, e não pelo departamento científico. Em um dos casos, um neurologista foi listado como autor, apesar de ter falecido em um acidente de avião um ano antes.19
•Avandia fornece mais um exemplo de como a ciência fraudulenta mata — Este medicamento para diabetes chegou ao mercado em 1999 e rapidamente se tornou um sucesso de vendas, com receita anual de US$ 3,2 bilhões em 2006. Um ano depois, um estudo publicado no New England Journal of Medicine associou Avandia a um aumento de 43% no risco de ataque cardíaco e a um risco 64% maior de morte cardiovascular. 20
Estima-se que, entre 1999 e 2007, o Avandia tenha causado mais de 80.000 ataques cardíacos desnecessários. Análises posteriores de 56 ensaios clínicos revelaram que, para cada 37 a 52 pacientes tratados durante cinco anos, era esperado um ataque cardíaco adicional. As mortes estimadas entre 1999 e 2009 aproximam-se de 48.000. A GlaxoSmithKline ocultou dados de segurança prejudiciais por mais de uma década para proteger as vendas.
•Ensaios clínicos negativos são sistematicamente ocultados — a Dra. Marcia Angell, ex-editora-chefe do The New England Journal of Medicine, afirmou categoricamente que “os ensaios podem ser manipulados de diversas maneiras, e isso acontece o tempo todo”. Estudos de medicamentos financiados por empresas farmacêuticas que chegam a conclusões desfavoráveis raramente são publicados, criando uma literatura distorcida em relação à eficácia e segurança aparentes, que não refletem o conjunto completo de evidências. 22
•A maioria das descobertas de pesquisas publicadas não é estatisticamente confiável — Em 2005, o epidemiologista Dr. John Ioannidis demonstrou que menos de 50% das descobertas científicas publicadas têm probabilidade de serem verdadeiras. Sua análise mostrou que, para a maioria dos delineamentos de estudo e ambientes de pesquisa, conclusões falsas são mais prováveis do que verdadeiras devido a amostras pequenas, metodologia inadequada, viés do pesquisador e relato seletivo. 23
•Mesmo estudos pioneiros sobre câncer frequentemente falham na replicação — Glenn Begley, ex-pesquisador de uma empresa farmacêutica, tentou replicar 53 estudos influentes sobre câncer publicados em periódicos de alto nível e descobriu que apenas seis puderam ser reproduzidos. Quase 90% falharam na replicação. Esses estudos foram fundamentais para as decisões de desenvolvimento de medicamentos.
Como Begley explicou, quando enormes investimentos financeiros e clínicos dependem dessas descobertas, a incapacidade de reproduzi-las mina a credibilidade de toda a linha de pesquisa. 24
•Um caso recente ilustra a abrangência do problema: em dezembro de 2025, o Instituto de Câncer Dana-Farber, afiliado a Harvard, concordou em pagar US$ 15 milhões para encerrar alegações de que estudos financiados com verbas dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) continham imagens e dados manipulados ou duplicados, o que levou à retratação de pelo menos seis artigos científicos e à correção de dezenas de outros.
O acordo foi resultado de uma denúncia e de uma investigação sobre dados falhos publicados entre 2014 e 2020, demonstrando que nem mesmo os centros de pesquisa de ponta estão imunes a práticas científicas comprometidas. 25
Esses casos demonstram que a retratação do glifosato não é um caso isolado, mas sim uma fratura visível em um sistema onde a ciência distorcida rotineiramente molda decisões médicas, políticas regulatórias e resultados em saúde pública.
Por que seu discernimento importa mais do que o consenso
Em última análise, a mensagem principal aqui é que, mesmo que um produto químico ou um medicamento seja “apoiado pela ciência”, isso não garante que seja seguro, eficaz ou sequer avaliado honestamente. Você não pode confiar cegamente que o sistema está zelando pela sua saúde. Agências reguladoras, publicações médicas e o “consenso de especialistas” podem ser vulneráveis à influência corporativa quando os lucros estão em jogo, e a história mostra que são comprometidos com muito mais frequência do que a maioria das pessoas imagina.
•Isso não significa que você seja impotente — significa que a responsabilidade passou silenciosamente para as suas mãos. Tomar decisões sensatas sobre saúde hoje em dia exige bom senso, discernimento e a disposição de questionar a autoridade em vez de se submeter a ela. Ninguém mais é, em última instância, responsável pela sua saúde ou pela saúde da sua família, e as indústrias que se baseiam na venda de produtos têm poucos incentivos para priorizar o seu bem-estar a longo prazo em detrimento do lucro.
Por isso, avaliar evidências significa fazer perguntas específicas, como quem financiou a pesquisa, quais dados foram incluídos ou excluídos e como as descobertas foram posteriormente utilizadas na regulamentação ou na prática clínica. Significa também priorizar abordagens que estejam em harmonia com a biologia, em vez de tentar sobrepô-la.
•Alimentos saudáveis começam com solo vivo — Na alimentação e na agricultura, isso significa escolher alimentos cultivados por meio de sistemas de agricultura regenerativa que respeitam a biologia do solo, a diversidade vegetal e a saúde do ecossistema. Essa abordagem não apenas reduz a exposição a herbicidas nocivos; ela restaura a densidade de nutrientes, melhora a resiliência e trata os problemas na raiz, em vez de apenas mascará-los.
•O mesmo princípio se aplica à medicina: muitos medicamentos são desenvolvidos para suprimir sintomas sem abordar a causa raiz desses sintomas. Procure profissionais que investiguem as causas subjacentes, como nutrição, exposição ambiental, saúde metabólica e carga tóxica, em vez de optar pelo tratamento medicamentoso contínuo.
Seu corpo tem uma capacidade extraordinária de se curar quando devidamente nutrido com os estímulos corretos, em vez de ser medicado indefinidamente com fins lucrativos.
A retratação do artigo sobre o glifosato não desfará décadas de danos, mas confirma uma mensagem importante: a verdade pode ser atrasada, distorcida ou suprimida, mas ela vem à tona. Esperar que as instituições se corrijam deixa você vulnerável. Proteger sua saúde, assim como a de sua família, exige vigilância, discernimento e a disposição de agir antes que o sistema admita que estava errado.
Perguntas frequentes sobre o glifosato
P: O que é glifosato?
A: O glifosato é um herbicida de amplo espectro desenvolvido para matar plantas ao interromper uma via metabólica essencial para o seu crescimento. É amplamente utilizado na agricultura industrial, em culturas geneticamente modificadas para tolerá-lo e como agente dessecante pré-colheita em certos grãos.
P: Onde é mais provável que eu encontre glifosato no meu dia a dia?
A: É mais provável que você encontre glifosato em alimentos cultivados convencionalmente, como milho, soja e trigo. Ele também pode estar presente em alimentos processados feitos a partir dessas culturas e em ambientes onde herbicidas são aplicados rotineiramente.
P: Se os órgãos reguladores dizem que o glifosato é seguro, por que eu deveria questionar isso?
A: Você deve questionar as alegações regulatórias porque elas se basearam em um conjunto de pesquisas que incluiu envolvimento não divulgado da indústria e evidências seletivas. Quando um estudo que ajudou a moldar as avaliações de segurança é posteriormente retratado por razões éticas, isso enfraquece a confiança que você pode depositar nas conclusões extraídas dessa pesquisa.
P: Como posso reduzir minha exposição ao glifosato?
A: Você pode reduzir sua exposição escolhendo alimentos cultivados sem o uso rotineiro de herbicidas, priorizando opções orgânicas ou de cultivo regenerativo sempre que possível e minimizando o consumo de alimentos altamente processados feitos com culturas tolerantes a herbicidas. Essas medidas ajudam a diminuir sua exposição geral a produtos químicos, ao mesmo tempo que apoiam sistemas agrícolas que não dependem do glifosato.
P: A pesquisa antiética afeta outros setores além do glifosato?
A: Sim. O caso do glifosato reflete um padrão mais amplo em produtos farmacêuticos, segurança química e pesquisa biomédica. Isso significa que o glifosato não é um caso isolado, mas um exemplo claro de como pesquisas comprometidas podem afetar diversas áreas da saúde quando os incentivos financeiros se sobrepõem à transparência.
Referências
- 1, 9 Environmental Science & Policy Volume 171, September 2025, 104160
- 2, 11 Regulatory Toxicology and Pharmacology Volume 31, Issue 2, April 2000, Pages 117-165
- 3, 5, 16 The Guardian, December 5, 2025
- 4, 10, 13 Retraction Watch, “Glyphosate Safety Article Retracted Eight Years After Monsanto Ghostwriting Revealed in Court”
- 6, 7, 8 US Right to Know, April 30, 2019
- 12, 14, 15 Chemical & Engineering News, December 5, 2025
- 17 News Wise, May 29, 2012
- 18 The Conversation, April 4, 2012
- 19 The New York Times, April 16, 2008
- 20 N Engl J Med. 2007 Jun 14;356(24):2457-71
- 21 Arch Intern Med. 2010 Jul 26;170(14):1191-1201
- 22 Huffpost, December 6, 2017
- 23 PLoS Med. 2005 Aug 30;2(8):e124
- 24 Reuters, March 29, 2012
- 25 Reuters, December 17, 2025
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, fevereiro de 2026