
Jennifer Chen/Unsplash +
15 jan 2026
[Nota do Website: Quem quiser saber o que esse veneno causa às crianças, desde antes de nascidas, basta ir ao documentário em nosso website, ‘Amanhã, seremos todos cretinos’, quando trata de agrotóxicos. É dramático como a ciência verdadeira é desprezada e omitida em favor dos interesses de maus e incompetentes ‘agricultores’ e das corporações que sempre estão tergiversando em seus crimes corporativos].
De acordo com um novo estudo, a exposição crônica a pequenas quantidades de um agrotóxico aprovado para quase uma dúzia de culturas agrícolas nos EUA acelera o envelhecimento dos peixes e reduz sua expectativa de vida, aumentando as preocupações sobre os riscos do produto químico para a saúde humana.
O inseticida clorpirifós (nt.: um veneno da família dos organofosforado, mas que contém também o elemento cloro o que o torna mais complexo e letal) tem sido associado a danos cerebrais e problemas de desenvolvimento cerebral em crianças, e um estudo recente descobriu que pessoas expostas ao produto químico durante anos em comunidades agrícolas da Califórnia tinham mais do que o dobro da probabilidade de desenvolver a doença de Parkinson em comparação com residentes não expostos a ele.
Pesquisas anteriores demonstraram que o clorpirifós é tóxico para peixes mesmo em doses muito baixas (nt.: começa-se a reconhecer que as chamadas doses baixas destroem a ideia da toxicologia convencional na relação dose e efeitos). Sabe-se também que o produto químico é tóxico para pombos, patos, abelhas e outros animais selvagens, e uma avaliação da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) constatou anteriormente que o inseticida estava prejudicando 97% das espécies protegidas. Em março, um juiz federal ordenou ao Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA que reduzisse os danos causados pelo clorpirifós, juntamente com outros quatro agrotóxicos, às espécies ameaçadas de extinção.
O novo estudo é “o mais recente de uma longa série de publicações científicas sobre esse inseticida organofosforado, que exemplificam as deficiências dos processos regulatórios atualmente em vigor, os quais não conseguem fornecer proteção adequada à saúde e segurança de todos”, afirmou Sara Grantham, cientista do grupo Beyond Pesticides, que não participou do estudo.
“O clorpirifós é apenas um dos mais de mil ingredientes ativos de agrotóxicos que representam riscos não só para os organismos aquáticos, mas também para toda a vida selvagem, o meio ambiente e a saúde humana”, acrescentou ela.

O clorpirifós encurta os telômeros e reduz a expectativa de vida dos peixes em lagos afetados na China. (Crédito: Jason Rohr/Universidade de Notre Dame.)
Em um novo estudo, publicado em 15 de janeiro na revista Science, cientistas detectaram clorpirifós e outros 18 agrotóxicos nos tecidos de mais de 24.000 peixes-olho-de-boi em lagos na China. Eles descobriram que os peixes contaminados com níveis mais altos deles apresentavam capas protetoras mais curtas nas extremidades de seus cromossomos, chamadas de “telômeros” – à medida que os telômeros encurtam, o DNA se degrada e as células envelhecem mais rapidamente. Testes adicionais revelaram que apenas o inseticida clorpirifós estava associado a telômeros mais curtos nos peixes de dois lagos contaminados.
Em seguida, os pesquisadores expuseram peixes de um dos lagos contaminados, bem como peixes de um lago não contaminado, a 10 nanogramas por litro (ng/litro) ou 50 ng/litro de clorpirifós durante quatro meses. Os resultados mostraram que a exposição aumentou os sinais de envelhecimento celular nos peixes, com efeitos mais acentuados quando expostos a doses mais altas. A exposição ao clorpirifós também reduziu a taxa de sobrevivência dos peixes do lago contaminado, mas não afetou a sobrevivência dos peixes do lago mais limpo – possivelmente porque esses peixes já possuíam telômeros mais longos, especularam os pesquisadores.
“A exposição crônica a baixas doses desses produtos químicos pode representar riscos semelhantes relacionados ao envelhecimento em humanos, contribuindo potencialmente para doenças associadas à idade”, escrevem os autores. “Embora as toxicidades letais agudas (de horas a dias) e subletais crônicas (de dias a meses) tenham tradicionalmente orientado as regulamentações de segurança química, nossos resultados destacam a necessidade de uma maior consideração dos efeitos letais crônicos dos produtos químicos na tomada de decisões regulatórias.”
Há mais de 25 anos, órgãos reguladores federais e fabricantes chegaram a um acordo para eliminar gradualmente a maioria dos usos do clorpirifós, mas agricultores em certos estados ainda têm permissão para usá-lo em maçãs, cerejas, pêssegos, trigo e outras culturas (nt.: aqui se pode observar as culturas onde se usa o veneno. Percebe que as frutas comemos in natura). Grupos de saúde e ambientalistas pressionaram com sucesso a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) para proibir o agrotóxio em culturas alimentares em 2021, mas a proibição foi parcialmente revogada dois anos depois.
Alguns estados dos EUA proibiram o clorpirifós ou restringiram seu uso, incluindo Havaí, Califórnia, Maine, Maryland, Nova York e Oregon. A União Europeia proibiu-o em 2020, embora uma investigação de 2023 tenha revelado que empresas europeias continuaram exportando os produtos químicos nocivos para países do Sul Global com regulamentações mais brandas.
Em maio de 2025, uma reunião da Convenção de Estocolmo sobre Poluentes Orgânicos Persistentes, em Genebra, na Suíça, concordou com uma proibição global do clorpirifós, com isenções para 22 usos do agrotóxico (nt.: sempre têm as malditas brechas).
Jayakumar Chelaton, presidente da Rede Internacional de Ação contra Pesticidas (PAN, na sigla em inglês), afirmou em comunicado que as isenções foram concebidas para proteger os lucros corporativos, “enfraquecendo, assim, a tomada de decisões baseada na ciência”.
“Falhamos em proteger o futuro de nossos filhos”, disse Chelaton. “Instamos os países que se preocupam com as pessoas a interromper todos os usos… sem exceções.”
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, janeiro de 2026