Agricultura: Crescem danos causados ​​por óxido nitroso de fertilizantes

Um agricultor segura fertilizantes ricos em óxido nitroso nas mãos. A contribuição deste gás com efeito de estufa para o aquecimento global aumentou e na 29.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, em Baku, foi levantada a necessidade de melhorar a sua gestão e excluir a sua utilização excessiva. Imagem: Hashim Azizi

https://ipsnoticias.net/2024/11/crece-el-dano-causado-por-el-oxido-nitroso-de-los-fertilizantes

AE/HM

13 de novembro de 2024

[NOTA DO WEBSITE: Para quem não está totalmente acostumado com a ‘modernização da agricultura’ que veio depois da IIª Guerra Mundial, dentro da ideologia da ‘revolução verde’, que nos trouxe para toda a humanidade, os ‘insumos modernos’=agrotóxicos, adubos solúveis, maquinaria pesada e crédito agrícola. Foi essa doutrina, dentro da visão de mundo supremacista branca eurocêntrica que gestou os latifúndios, o êxodo rural, as monoculturas e as atuais famigeradas ‘commodities’ que redundou no malfadado ‘agribusiness’ que entre nós se torna o =’ogronegócio/agronecrócio’. E assim, talvez não saiba o porquê da importância dessa matéria. É que dentro dos adubos solúveis, onde se despreza tanto o solo como sua vida, mas sim só se foca na nutrição direta da planta, que nos chega, pelas corporações petroagroquímica, a ureia. E é ela, dentre outras fontes de nitrogênio, todas sintetizadas a partir dos combustíveis fósseis, destacando o petróleo, que vem o célebre N-nitrogênio, da fórmula mágica da revolução verde =N,P-fósforo,K-potássio. E assim todo planeta hoje planta com essa fórmula N,P,K. E soma-se a ela, a adubação ‘orgânica’, dos confinamentos bovino, suíno e de aves, com seus estercos que, pelo volume, contamina todos os mananciais hídricos do Planeta. E agora se vê no que redundou a tal modernização da agropecuária no Mundo! E seu slogan de acabar com a ‘fome no mundo’, acabou?].

BAKU – O óxido nitroso (N₂O), um poderoso gás com efeito de estufa, está a acelerar rapidamente as alterações climáticas, danificando a camada de ozônio e representando uma grave ameaça à saúde pública, de acordo com uma nova avaliação divulgada na cúpula sobre o clima que leva lugar na capital do Azerbaijão.

O N₂O, emitido principalmente por práticas agrícolas como a utilização de fertilizantes sintéticos e estrume, é o terceiro maior gás com efeito de estufa e a principal substância destruidora da camada de ozônio ainda libertada na atmosfera.

O estudo foi elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente  (PNUMA) e pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

Kaveh Zahedi, diretor do Gabinete de Alterações Climáticas, Biodiversidade e Ambiente da FAO, afirmou que “abordar as emissões de óxido nitroso é essencial para garantir uma agricultura sustentável, inclusiva e resiliente que ajude os países a alcançar os seus objetivos climáticos e de segurança alimentar”.

“Como a avaliação mostra claramente, existem formas de produzir mais com menos, melhorando a eficiência da utilização do nitrogênio na agricultura e reduzindo a sua aplicação”, acrescentou Zahedi.

A avaliação, lançada na 29.ª Conferência das Partes (COP29) da Convenção das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, observa que as emissões estão aumentando mais rapidamente do que o esperado e que são necessárias ações imediatas para reduzir os impactos ambientais e de saúde deste super poluente.

Além disso, comprometem o objetivo de limitar o aquecimento global até 2050 a não mais de 1,5 graus Celsius (nt.: infelizmente já alcançamos esse nível, nos últimos tempos) acima dos níveis pré-industriais, razão pela qual são necessárias ações urgentes para reduzir estas emissões para a atmosfera.

Os 10 principais países produtores de emissões de óxido nitroso são China, Índia, Estados Unidos, Brasil, Rússia, Paquistão, Austrália, Indonésia, Turquia e Canadá.

O óxido nitroso é cerca de 270 vezes mais potente que o dióxido de carbono/CO2 em termos de aquecimento do planeta e é atualmente responsável por cerca de 10% do aquecimento global líquido desde a revolução industrial.

É considerada a substância que mais danifica a camada de ozônio, que filtra os raios ultravioletas que afetam a saúde humana, expondo as pessoas ao câncer de pele e à catarata visual, entre outros males.

A avaliação mostra que uma abordagem proativa do problema do N₂O contribuiria para a recuperação contínua da camada de ozônio, ajudando a evitar um futuro em que grande parte da população mundial esteja exposta a níveis nocivos de raios ultravioleta (nt.: principalmente os agricultores que trabalham de sol a sol. E são os que mais usam esse fertilizante nitrogenado).

Alerta que, sem medidas urgentes sobre o aumento das emissões de N₂O, não existe um caminho viável para limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius e fornece ferramentas tangíveis para reduzir as emissões em mais de 40% em relação aos níveis atuais.

Argumenta que tomar medidas ambiciosas para reduzir as emissões de N₂O pode ajudar a prevenir até 20 milhões de mortes prematuras em todo o mundo até 2050 devido à má qualidade do ar, e evitar o equivalente a até 235 bilhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono até 2100.

Ao transformar os sistemas de produção alimentar e repensar as abordagens sociais à gestão do nitrogênio, poderiam ser alcançadas reduções ainda maiores, de acordo com o estudo.

A avaliação mostra que as emissões de N₂O provenientes da indústria química também podem ser reduzidas de forma rápida e econômica.

As medidas de redução também melhorariam a qualidade da água, a saúde do solo e protegeriam os ecossistemas dos impactos do nitrogênio liberado.

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, dezembro de 2024

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