
Ilustração: Teresa Lo/The Guardian
https://www.theguardian.com/global/2025/jan/03/PFAS-forever-chemicals
Equipe do Guardian
03 jan 2025
[Nota do Website: Matéria que, de forma sucinta, nos mostra onde estão os PFAS. Importante sabermos para agirmos principalmente naquilo que nossos filhos entram em contato. Sabermos onde estão é fundamental que também os que nos cercam conheçam para se protegerem desse crime corporativo!].
Reduzir a exposição à mistura tóxica de substâncias químicas presentes em itens do dia a dia é difícil, mas possível.
Os PFAS, também conhecidos como “químicos eternos”, são um grupo de milhares de substâncias químicas utilizadas pelas suas propriedades antiaderentes e impermeáveis. Estão presentes em produtos do dia a dia, como frigideiras antiaderentes, rímel à prova d’água, roupas resistentes a manchas e embalagens de alimentos para viagem. Os PFAS podem levar milhares de anos para se decompor em aterros sanitários e representam riscos à saúde humana. Reduzir a exposição aos PFAS é um desafio, mas é possível.
Aqui está o nosso guia, compilado a partir de reportagens do Guardian, sobre os químicos eternos.
O que são PFAS?
PFAS significa substâncias per e polifluoroalquiladas. É um termo genérico para uma família de milhares de substâncias químicas valorizadas por suas propriedades indestrutíveis e antiaderentes. Existem pelo menos 12.000 substâncias químicas consideradas PFAS.
PFAS são a mesma coisa que “químicos eternos”?
Sim. Os PFAS são chamados de “químicos eternos” porque não se decompõem naturalmente depois que o produto que os contém é descartado. Eles podem levar centenas ou até milhares de anos para se degradar, o que significa que, se vazarem no solo ou na água, os PFAS podem permanecer lá por séculos.
São a mesma coisa que microplásticos?
Não, PFAS e microplásticos não são a mesma coisa. Microplásticos são minúsculos fragmentos e partículas de plástico com menos de 5 mm de diâmetro. No entanto, assim como o PFAS, o problema dos microplásticos é generalizado: estudos os encontraram em praticamente todas as partes do corpo, incluindo pulmões, placenta, testículos, fígado, rins, articulações e vasos sanguíneos. Os riscos dos microplásticos para a saúde no corpo não são totalmente conhecidos, mas estudos com animais mostraram uma ligação com problemas de fertilidade e vários tipos de câncer, entre outras coisas.
Para que são utilizados os PFAS?
Os PFAS têm sido usados na fabricação e adicionados a produtos de consumo há décadas. Eles são utilizados em dezenas de indústrias e em uma enorme variedade de produtos de consumo, pois são muito eficazes em tornar os itens resistentes à água, manchas e gordura. Sua frigideira antiaderente, por exemplo, provavelmente utiliza PFAS para criar o revestimento “antiaderente”.
As substâncias PFAS podem ser encontradas em panelas antiaderentes, retardantes de chamas, repelentes de manchas e água, alguns móveis, roupas impermeáveis, tecidos infantis, caixas de pizza e embalagens de comida para viagem, embalagens de alimentos, carpetes e tecidos, borrachas e plásticos, eletrônicos e até fio dental (nt.: está presente também na fita ‘veda-rosca’ que usamos em toda nossa tubulação doméstica).

No entanto, podem levar centenas, senão milhares, de anos para se decompor depois de serem descartados – o que significa que é possível que vazem para o solo ou para a água e permaneçam lá por séculos.
Os PFAS são prejudiciais?
Os PFAS estão por toda parte. Embora haja preocupação com esses produtos químicos, o maior risco e o indicador mais forte de altos níveis de PFAS no organismo parece ser viver perto de água contaminada.
A exposição regular à infinidade de substâncias químicas que encontramos em nosso dia a dia representa riscos potenciais à saúde, mas existem atualmente cerca de 90.000 substâncias químicas produzidas pelo homem, e simplesmente não sabemos como a exposição diária a elas afeta nossa saúde.
Uma abreviação para as propriedades de alguns PFAS é PBT: persistentes, bioacumulativos e tóxicos. Alguns produtos químicos classificados como PFAS têm sido associados a problemas de saúde, incluindo colesterol alto, problemas de fertilidade, distúrbios do sistema imunológico, doenças renais, defeitos congênitos, alguns tipos de câncer e uma série de outros problemas de saúde graves.
Há PFAS na água?
Sim. As substâncias PFAS podem chegar à água potável através de descargas de fábricas, do uso de certas espumas de combate a incêndios, por exemplo, em aeroportos ou bases militares próximas a fontes de água, ou do escoamento de aterros sanitários.
Como evitar PFAS
É quase impossível evitar os PFAS – eles estão presentes em praticamente todos os aspectos da vida cotidiana. Evitá-los completamente é um desafio, mas reduzir sua presença é possível com algumas regras gerais. Quando se trata de fazer substituições por produtos livres de PFAS, evite simplesmente jogá-los fora imediatamente – em vez disso, substitua cada produto ao final de seu ciclo de vida. Pode parecer que trocar tudo de uma vez lhe dê tranquilidade, mas isso pode ser prejudicial ao planeta, já que os PFAS podem vazar dos produtos para os aterros sanitários. Isso espalha substâncias químicas permanentes no meio ambiente.

Na cozinha: Para quase todos os utensílios de cozinha de plástico, existe uma alternativa mais segura em madeira, vidro borossilicato ou aço inoxidável, embora estas apresentem algumas ressalvas. Evite revestimentos antiaderentes – eles são uma das fontes mais comuns de substâncias químicas persistentes. Desconfie de termos de marketing como “eco”, “verde” ou “não tóxico”, pois não possuem definição legal.
Nos alimentos: Embora não seja uma questão conclusiva, os alimentos são provavelmente a maior via de exposição aos PFAS. Nenhum alimento está totalmente livre de contaminação, pois os PFAS são utilizados em milhares de produtos de consumo e processos industriais, a poluição é generalizada e existem inúmeros pontos de entrada no sistema alimentar.
Alimentos processados tendem a conter mais PFAS do que alimentos menos processados, segundo pesquisas, e pessoas que geralmente consomem dietas ricas em frutas e vegetais frescos podem apresentar níveis sanguíneos mais baixos de PFAS. Uma ressalva importante é que alguns vegetais – especialmente os de folhas verdes – absorvem essas substâncias químicas, e aqueles cultivados perto de fontes de poluição por PFAS ou em lodo de esgoto provavelmente estão contaminados.
Embalagens para viagem, como caixas de pizza, embalagens plásticas ou sacolas, podem conter PFAS. Algumas pessoas levam seus próprios recipientes de vidro quando comem fora, para evitar as embalagens tóxicas. Um teste simples pode ajudar a detectar substâncias químicas persistentes em materiais de embalagem. Aplique uma gota de azeite na embalagem: se ela formar gotas em vez de se espalhar, é um sinal de PFAS.
Na sua água: A água potável pode ser filtrada com um filtro de jarra, mas nem todos os filtros removem PFAS. A conhecida marca Brita remove cerca de 66% dos PFAS; um filtro ZeroWater afirma remover 94,9% dos PFAS. Os filtros de osmose reversa podem funcionar para remover contaminantes, mas geralmente são volumosos e caros.
Ferver a água não remove os PFAS, portanto, para maior segurança, use água filtrada para café, chá ou para cozinhar alimentos como macarrão. Alguns estados exigem testes de água de rotina , mas não há limite federal para água potável. Kits para fazer em casa estão disponíveis, mas é melhor encontrar um laboratório certificado usando o site da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos ).
Em seus produtos de beleza: os PFAS são usados em muitos produtos de beleza, pois ajudam a torná-los mais duráveis, fáceis de espalhar ou à prova d’água. Ao comprar produtos, procure aqueles com o rótulo “livre de PFAS” ou verifique o site da marca. Se o produto tiver uma lista de ingredientes, tente evitar PTFE, um subgrupo de PFAS, ou ingredientes que contenham flúor, pois provavelmente são PFAS. Algumas empresas de cosméticos fabricam produtos livres de PFAS.
Nas suas roupas: Os principais responsáveis pela presença de PFAS nesta categoria são itens impermeáveis ou resistentes à água, que provavelmente utilizam substâncias químicas persistentes para repelir água ou manchas. De modo geral, usar fibras naturais é uma boa maneira de evitar PFAS.
Os PFAS podem ser absorvidos pela pele?

Um estudo de junho da Universidade de Birmingham descobriu que o PFAS pode “penetrar a barreira cutânea e atingir a corrente sanguínea” em níveis mais elevados do que se pensava anteriormente. Já se sabe que o PFAS pode entrar no corpo de outras maneiras, como por ingestão.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, julho de 2026