Saúde: A maioria dos americanos afirma que o governo não os protege de produtos químicos tóxicos.

Derek Owens/Unsplash

https://edition.cnn.com/2026/02/26/health/toxic-chemicals-pew-survey-wellness

Sandee LaMotte

26 fev 2026

[Nota do Website: Matéria que nos coloca no mundo real do que estamos, os nascidos, sendo agredidos por substâncias químicas sintéticas no nosso dia a dia. Importante verificar-se como um povo informado, como demonstra a matéria, nos EUA, está empoderada para se manifestar. Mas, o mais dramático é o que já está acontecendo com as novas gerações, e pior, com aquelas que ainda nem nasceram. Se estamos sabendo disso, é fundamental que esse conhecimento seja ampliado a toda sociedade de nosso país. Precisamos nos posicionarmos também, com toda a autoridade de quem sabe!].

Mais de 70% dos adultos americanos estão muito ou um tanto preocupados com a exposição a substâncias químicas tóxicas em seus alimentos e água potável, de acordo com uma nova pesquisa da Pew Charitable Trusts. A preocupação pública é tão intensa que 5 em cada 6 adultos nos Estados Unidos disseram que gostariam que o governo federal e a indústria fizessem mais para protegê-los.

A Pew é uma organização não governamental independente e instituição de caridade pública que coleta dados sobre conservação ambiental, saúde pública, políticas estaduais e federais e segurança econômica. A pesquisa foi realizada em outubro como parte de seu novo projeto sobre produtos químicos mais seguros.

Até 84% dos mais de 5.000 adultos entrevistados disseram que o governo federal “precisa fazer mais para identificar e regulamentar os produtos químicos nocivos encontrados em produtos de uso diário”.

Essas fortes convicções transcendiam faixas etárias e linhas partidárias. Entre 81% e 86% de todas as idades e quase 80% dos republicanos, 88% dos democratas e 90% das pessoas que se recusaram a identificar uma filiação política acreditavam que o governo não estava fazendo o suficiente em relação à segurança química.

Os resultados da pesquisa contrastam fortemente com as ações recentes do governo Trump, afirmou David Andrews, diretor científico interino do Environmental Working Group (EWG), uma organização de defesa da saúde que publica anualmente uma lista de produtos contaminados, apelidada de “Dúzia Suja“.

“Enquanto americanos de todo o espectro político pedem por uma supervisão mais rigorosa e maior responsabilização em relação a produtos químicos tóxicos, o governo está tomando medidas que vão na direção oposta”, disse Andrews em um e-mail. “Na semana passada, o presidente Trump, com o apoio do secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., emitiu uma ordem executiva com o objetivo de aumentar a produção de glifosato, um provável carcinogênico.”

O glifosato é o herbicida mais utilizado no mundo. A Organização Mundial da Saúde o classificou como um provável carcinogênico.

Mais de 60% dos adultos americanos estão muito ou um tanto preocupados com os produtos químicos usados ​​nas embalagens de alimentos. Um morador local faz compras em um supermercado em 20 de fevereiro em Arlington, Virgínia. Sha Hanting/China News Service/VCG/Getty Images

“Por um lado, falam em tornar os alimentos mais seguros; por outro, estão a promover políticas que beneficiam os fabricantes de agrotóxicos e que podem aumentar a exposição a produtos químicos nocivos”, disse Andrews, referindo-se a Trump e Kennedy.

Em resposta por e-mail, a secretária de imprensa do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Emily Hilliard, disse à CNN que “o governo Trump e o Departamento de Saúde e Serviços Humanos, sob a liderança do secretário Kennedy, fizeram mais para proteger o povo americano e remover toxinas de nossos alimentos e meio ambiente do que qualquer outro governo na história”.

Quanto ao glifosato, Hilliard disse que o governo estava mudando de rumo em direção a “sistemas de agricultura regenerativa” e que, até lá, uma perda repentina de agrotóxicos “reduziria a produção agrícola, aumentaria os preços dos alimentos e aceleraria o fechamento de fazendas”.

Pesquisa aponta que não se pode confiar na indústria.

Além da preocupação com a exposição a toxinas em alimentos e água potável, mais de 60% dos adultos americanos também estão muito ou um tanto preocupados com os produtos químicos que a indústria usa em brinquedos infantis e produtos para bebês, embalagens de alimentos e produtos de higiene pessoal, como maquiagem, segundo a pesquisa do Pew Research Center.

“Existem mais de 350.000 substâncias químicas no comércio e pelo menos 15.159 substâncias químicas em materiais que entram em contato com alimentos — a maioria das quais não possui nenhuma avaliação de risco — portanto, é evidente que a abordagem regulatória atual falhou”, disse Jane Muncke, diretora-geral e diretora científica do Food Packaging Forum, uma fundação sem fins lucrativos com sede em Zurique, na Suíça, que se concentra na comunicação e pesquisa científica, em um e-mail. Ela não participou do relatório da Pew.

A pesquisa também revelou que 83% dos adultos americanos acreditam fortemente ou em certa medida que “não se pode confiar que as empresas que fabricam substâncias químicas presentes em produtos de uso diário garantam a segurança dos produtos sem a supervisão do governo”.

“Essa resposta foi incrível porque foi consistente em todos os grupos demográficos que avaliamos como parte da pesquisa”, disse Jennifer McPartland, diretora do projeto de produtos químicos mais seguros da Pew.

Uma porcentagem semelhante dos entrevistados também desejava mais transparência dos fabricantes em relação aos produtos químicos presentes nos produtos que fabricam. E, caso fosse necessária a limpeza da poluição química, 77% dos entrevistados gostariam que a indústria arcasse com os custos.

A avaliação de segurança química não é “adequada para o propósito e precisa ser revisada urgentemente — portanto, concordo com a maioria dos americanos sobre essa questão”, disse Muncke.

Um porta-voz do Conselho Americano de Química, que representa os fabricantes de produtos químicos, disse à CNN: “Os americanos devem saber que os produtos químicos comercializados estão sujeitos à supervisão do governo.”

“Nossos membros realizam extensas análises científicas para avaliar o risco potencial de seus produtos químicos, desde o desenvolvimento até o uso e o descarte seguro. Trabalhamos com órgãos reguladores, varejistas e fabricantes para fornecer informações sobre nossos produtos químicos”, escreveu Tom Flanagin, diretor sênior de comunicação de produtos da ACC/American Chemical Council, em um e-mail.

A preocupação com os danos à saúde aumenta.

A preocupação com os riscos de retardadores de chama, metais pesados, agrotóxicos e  substâncias químicas disruptoras endócrinas que imitam hormônios no corpo tem aumentado à medida que mais estudos apontam para sérios impactos na saúde.

O bisfenol A/BPA, é um disruptor endócrino associado a anomalias fetais, baixo peso ao nascer e distúrbios cerebrais e comportamentais em bebês e crianças. Em adultos, a substância química está relacionada ao desenvolvimento de diabetes, doenças cardíacasdisfunção erétil, câncer e um risco 49% maior de morte prematura em 10 anos.

Os ftalatos, encontrados em produtos de consumo como recipientes para alimentos, xampu, maquiagem, perfume e brinquedos infantis, têm sido associados a problemas reprodutivos, como malformações genitais e criptorquidia em bebês do sexo masculino, além de diminuição da contagem de espermatozoides e dos níveis de testosterona em homens adultos. Estudos também associaram os ftalatos à asmaobesidade infantil e câncer.

As substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas, ou PFAS/’forever chemicals‘, estão presentes no sangue de aproximadamente 98% dos americanos, segundo a Academia Nacional de Ciências, Engenharia e Medicina dos EUA. Utilizadas desde a década de 1950 para tornar produtos de consumo antiaderentes, repelentes a óleo e água e resistentes a mudanças de temperatura, as substâncias químicas PFAS têm sido associadas a sérios problemas de saúde, incluindo câncer, problemas de fertilidade, colesterol alto, disfunções hormonais, danos ao fígado, obesidade e doenças da tireoide.

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, março de 2026

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