
Cidades que valorizam a natureza estão transformando a vida urbana ao restaurar cursos d’água, proteger habitats e provar que as cidades podem crescer em parceria com a natureza. Foto de DL314 Lin no Unsplash.
https://happyeconews.com/nature-positive-cities/
16 fev 2026
[Nota do Website: Matéria que mesmo de forma rasa, já demonstra que a ideia de que ser humano e seu ambiente, restante da natureza primária, não precisam ser antagônicas. Não podemos mais continuar acreditando de que os seres humanos, para estarem ‘bem’, precisam necessariamente exterminar com os processos vitais que são imprescindíveis para sua saúde física, emocional, mental e psíquica. Se estivermos vivendo em ambientes mais conectados com aquilo que erroneamente chamamos de ‘natureza’, seremos mais equilibrados e harmônicos com o tempo existencial de cada um e todos].
Cidades que valorizam a natureza estão transformando a vida urbana do Brasil à Coreia do Sul, restaurando cursos d’água, protegendo habitats e construindo parcerias sólidas entre governos e comunidades.
Cidades que respeitam a natureza demonstram que os centros urbanos podem restaurar ecossistemas e, ao mesmo tempo, expandir a infraestrutura por meio de soluções verdes inovadoras e parcerias intersetoriais.
As populações de animais selvagens diminuíram 73% nas últimas cinco décadas. Esse declínio drástico decorre, em grande parte, da perda e degradação de habitats, em decorrência da rápida expansão das cidades em todo o mundo.
Projetos de biodiversidade urbana em cinco cidades pioneiras estão mostrando um caminho diferente para o futuro. Essas cidades demonstram que selvas de concreto podem se transformar em lugares onde tanto pessoas quanto animais selvagens prosperam.
Barranquilla, na Colômbia, está situada em meio a florestas tropicais secas e manguezais costeiros. A cidade enfrenta desafios relacionados a inundações, erosão e poluição, comuns em áreas costeiras em crescimento. Líderes locais lançaram um programa de investimento verde de US$ 380 milhões voltado para a restauração de habitats e infraestrutura de energia renovável.

A iniciativa recuperou mais de 1,8 milhão de metros quadrados de áreas verdes. Agora, 93% dos domicílios podem chegar a áreas naturais em uma caminhada de oito minutos. A cidade construiu 70 quilômetros de canais naturalizados para prevenir inundações e, ao mesmo tempo, proteger a biodiversidade.
Uma usina de biogás e a iluminação pública movida a energia solar reduzem as emissões de carbono. Programas que integram catadores informais de lixo à economia formal fortalecem tanto os objetivos ambientais quanto os sociais. Esses projetos urbanos que promovem a biodiversidade em Barranquilla criam um modelo replicável para outras cidades latino-americanas que enfrentam pressões de desenvolvimento semelhantes.
Belém, no Brasil, ganhou reconhecimento como um campo de testes para o desenvolvimento da natureza centrado nas pessoas. A cidade amazônica de 1,5 milhão de habitantes sedia importantes discussões internacionais sobre o clima. Seus moradores mantêm fortes laços culturais com os cursos d’água que a circundam.
O desenvolvimento anterior aterrou zonas húmidas e pavimentou leitos de rios, aumentando o risco de cheias. Os projetos atuais revertem este dano através da renaturalização dos cursos de água sem canais de concreto. O Programa de Macrodrenagem da Bacia do Matafome combina melhorias na infraestrutura com a realocação de habitações e a recuperação ambiental.
O Parque Agroflorestal Urbano Comunitário cria espaços onde os moradores se conectam com os rios urbanos. Esses projetos de biodiversidade urbana melhoram as condições de vida de mais de 70% dos moradores da cidade, ao mesmo tempo que restauram a qualidade da água. A ênfase nas relações culturais amazônicas com os rios torna a abordagem de Belém singular.
Durban, na África do Sul, possui uma biodiversidade notável dentro de seus limites. A área metropolitana abriga mais de 2.200 espécies de plantas, 526 espécies de aves e 80 espécies de mamíferos. A rápida construção de assentamentos informais ameaça esses habitats, visto que a cidade de 4,1 milhões de habitantes enfrenta um déficit habitacional de 440.000 unidades.
O Sistema de Espaços Abertos da Região Metropolitana de Durban protege 95.000 hectares de terras e águas de alto valor. O Programa de Gestão Transformadora de Rios coloca os cursos d’água urbanos no centro do planejamento de adaptação climática. Essa iniciativa de 10 a 15 anos prioriza soluções naturais e reúne departamentos governamentais com parceiros do setor privado.
Os projetos de biodiversidade urbana de Durban abordam o desafio crucial de equilibrar as necessidades urgentes de habitação com a conservação dos ecossistemas. A cidade demonstra como os municípios podem proteger habitats mesmo enfrentando fortes pressões de desenvolvimento.
Incheon, na Coreia do Sul, busca o equilíbrio entre sua economia portuária industrial e a proteção de seu ecossistema. Poeira fina, inundações e problemas de gestão hídrica afetam a cidade densamente povoada. O forte apoio nacional a ações ambientais permitiu que os líderes locais adotassem um abrangente Plano de Ação para a Conservação do Meio Ambiente.
A estratégia amplia as áreas protegidas e fortalece a salvaguarda da vida selvagem por meio da participação pública e privada. Incheon aderiu à Parceria da Rota Migratória da Ásia Oriental-Australásia, que protege os habitats de aves migratórias em 18 países, desde a Sibéria até a Austrália.
Esta cidade que valoriza a natureza demonstra como polos industriais podem implementar soluções locais baseadas na natureza. Estruturas de governança local robustas fornecem a base para traduzir os compromissos ambientais em ações concretas.
São Francisco enfrenta a perda de biodiversidade impulsionada pela demanda habitacional do seu crescente setor tecnológico. Matagais costeiros, dunas de areia, bosques de carvalhos e pântanos de água doce abrigam espécies raras e ameaçadas de extinção. A gestão fragmentada desses ecossistemas e o limitado envolvimento da comunidade dificultam os esforços de conservação.
Especialistas recomendam que a cidade crie um plano formal de ação ambiental que coordene soluções intersetoriais. Hortas comunitárias em bairros densamente povoados e educação sobre biodiversidade nas escolas poderiam aumentar o engajamento público. Essas medidas ajudariam a equilibrar a necessidade de moradias acessíveis com a proteção dos ecossistemas.
A experiência de São Francisco demonstra como até mesmo cidades ricas e progressistas precisam de projetos urbanos coordenados que promovam a biodiversidade. A inovação tecnológica por si só não substitui o planejamento sistemático e a participação da comunidade.
Essas cidades compartilham estratégias comuns que tornam seus projetos de biodiversidade urbana eficazes. Parcerias sólidas entre governo, empresas e moradores impulsionam o sucesso. Infraestruturas naturais, como rios restaurados e corredores verdes, proporcionam múltiplos benefícios, desde o controle de enchentes até espaços de lazer.
Investir na natureza gera retornos por meio da melhoria da saúde pública, do aumento da resiliência climática e de uma maior qualidade de vida. Cada cidade adaptou soluções às condições locais, em vez de copiar modelos genéricos. O foco costeiro de Barranquilla difere da abordagem fluvial de Belém e das estratégias portuárias industriais de Incheon.
Essas cidades que valorizam a natureza provam que a urbanização não precisa destruir habitats. As cidades podem se tornar motores de recuperação ecológica, atendendo simultaneamente às necessidades humanas. À medida que mais áreas urbanas adotam abordagens semelhantes por meio de projetos que promovem a biodiversidade urbana, a tendência global de declínio das populações de animais selvagens pode finalmente se reverter.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, fevereiro de 2026