Agrotóxicos: Gigante química americana vai interromper a produção de herbicida chamado de “coquetel tóxico” por críticos.

Placa da Corteva em Jewell, Iowa, em 6 de janeiro de 2023. Fotografia: Michael Siluk/Universal Images Group/Getty Images

https://www.theguardian.com/environment/2026/feb/09/corteva-agent-orange-glyphosate-herbicide

Tom Perkins

09 fev 2026

[Nota do Website: A corporação Corteva, fundada em 2017, foi para desdobrar tanto a corporação Dow como a sua co-irmã DuPont. Foi uma maneira de transferirem para uma corporação ‘nova’, todos os ‘crimes’ cometidos pelas duas. Já publicamos essa realidade quando se tornou público todo o atentado dos ‘forever chemicals’. Agora nenhuma das duas tem responsabilidade sobre esses produtos e a ‘nova’ diz que não foi ela que ‘desacorrentou o monstro’. Agora a ‘nova’ está sendo generosa e vai interromper uma das ‘moléculas-mãe’ do agente laranja, arma química usada no Vietnam e seus vizinhos, como ‘herbicida’. Meritocratas, criminosos sempre!].

A gigante química Corteva deixará de produzir o Enlist Duo, um herbicida considerado por ambientalistas como um dos mais perigosos ainda em uso nos EUA, devido à presença de uma mistura de um ingrediente ativo do Agente Laranja, o 2,4 D e glifosato (nt.: destaque em negrito dado pela tradução), ambos associados ao câncer e a danos ecológicos generalizados.

Durante a Guerra do Vietnã, as forças armadas dos EUA utilizaram o Agente Laranja, uma arma química, para destruir a vegetação, causando sérios problemas de saúde entre os soldados e os moradores vietnamitas (nt.: vale a pena acessar esse tema em nosso website, para sabermos que até hoje, depois de 50 anos, ainda nascem crianças com todo tipo de anomalia pela dioxina presente no agente laranja e outras armas de guerra=herbicidas).

O glifosato, por sua vez, é um ingrediente herbicida altamente controverso (nt.: para o IARC/OMS, é cancerígeno. Acessando o nosso website, se verá que molécula é essa!) e tóxico que motivou processos judiciais semelhantes. Ambos são proibidos ou têm seu uso severamente restringido em muitos países industrializados.

Apesar dos riscos da combinação das substâncias, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) aprovou por duas vezes seu uso em plantações de alimentos. O composto é aplicado anualmente em cerca de 2,5 milhões de hectares de campos onde se cultivam milho, soja e algodão geneticamente modificado.

A medida encerrará uma década de litígios e campanhas de pressão pública para proibir o Enlist Duo, e os defensores estão “comemorando como uma vitória”, disse Kristina Sinclair, advogada do Centro para Segurança Alimentar (CFS, na sigla em inglês), uma organização sem fins lucrativos que é a principal autora da ação judicial.

“Após mais de uma década de batalhas judiciais, em vez de tentar refutar nossos argumentos no tribunal, o fabricante retirou o Enlist Duo do mercado”, disse Sinclair. “Nosso sistema alimentar nunca deveria ter sido contaminado com esse coquetel tóxico, e agora nunca mais será.”

A Corteva informou ter vendido mais de US$ 1 bilhão em produtos Enlist Duo em 2022. Mas um dos químicos do Agente Laranja, o 2,4-D, continuará sendo usado no Enlist One, e o processo judicial que pede a um juiz a invalidação de sua aprovação prosseguirá.

Em comunicado, um porta-voz da Corteva afirmou que a produção do Enlist Duo foi interrompida porque o produto agora representa apenas 1% das vendas.

“Essa decisão é a mais recente de uma série de medidas que tomamos nos últimos anos para otimizar nosso portfólio e não afeta a produção ou a disponibilidade do Enlist One, que continua sendo uma solução líder de mercado”, disse o porta-voz.

O 2,4-D age atacando as raízes e folhas das ervas daninhas, fazendo com que produzam células indesejadas, de forma semelhante à indução do câncer, para matá-las ou enfraquecê-las. A substância é considerada um possível carcinógeno pela Organização Mundial da Saúde e, entre outros efeitos na saúde humana, está associada ao linfoma não Hodgkin, defeitos congênitos, problemas respiratórios, doença de Parkinson e danos reprodutivos.

Acredita-se também que o produto prejudique centenas de espécies ameaçadas de extinção, incluindo borboletas, pássaros, peixes, veados, panteras e morcegos, escreveu o CFS em seus documentos judiciais. A ação alega ainda que a aprovação do produto ameaça aumentar a disseminação de novas ervas daninhas resistentes a herbicidas, porque a EPA não mitigou adequadamente os riscos. Isso obriga os agricultores a lidar com novas “superervas daninhas”.

A EPA aprovou o Enlist Duo pela primeira vez em 2014 (nt.: IMPORTANTE SE CONSTATAR QUE ESSA CORPORAÇÃO SÓ FOI FUNDADA EM 2019, MOSTRANDO QUE ESSE VENENO ERA DA DUPLA DOW/DUPONT QUE TRANSFERE PARA ESSA NOVA) o que levou a um processo judicial movido pela CFS e outras entidades, alegando que a agência violou a lei federal ao não garantir que o herbicida não causasse “efeitos adversos inaceitáveis ​​ao meio ambiente”, conforme exigido pelas leis nacionais sobre agrotóxicos. Naquela época, a EPA declarou, sem realizar a consulta obrigatória de acordo com a Lei de Espécies Ameaçadas de Extinção, que o coquetel químico não causaria danos a nenhuma espécie ameaçada de extinção.

Um tribunal federal invalidou a aprovação da EPA (Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) para o Enlist Duo em 2020, mas a agência o reaprovou em 2022 para um período de uso de sete anos. Os defensores argumentaram que a EPA baseou suas avaliações de impacto ambiental e de saúde em níveis de uso anteriores, que subestimam drasticamente a ameaça.

A reaprovação do Enlist Duo pela EPA, apesar da decisão judicial, é emblemática de uma filosofia falha e mais ampla na divisão de grotóxicos da agência, afirmou Nathan Donley, diretor de saúde ambiental do Centro para a Diversidade Biológica, que esteve envolvido nos processos. A agência está sempre em busca de “ajustes”, disse ele.

“Sempre que os tribunais encontram falhas em sua abordagem, nunca há um momento de reflexão, nunca há um reconhecimento de que seu processo é falho, há simplesmente uma corrida para encontrar a solução mais rápida para que seja reaprovado”, disse Donley.

“Levar os agrotóxicos ao mercado é sempre o objetivo da EPA – e quando essa é a principal motivação do órgão regulador de um país, há um limite para o que se pode esperar deles”, acrescentou Donley.

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, fevereiro de 2026

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