Globalização: O que é Destino Manifesto, doutrina citada por Trump que faz EUA se enxergarem como ‘nação escolhida’

Progresso Americano (1872), alegoria de John Gast. Imagem que deu sustentação para a ‘Conquista do Oeste’ com os consequentes etnocídio e o ecocídio praticado pelos norte americanos, dos povos originários e dos biomas dos EUA.

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx2nwnd59e3o

Felipe Llambías, BBC News Mundo

21 jan 2025

[Nota do Website: Publicamos o presente texto, um ano após a eleição de Trump, para mostrar como neste período, não praticou um estelionato eleitoral. Ele está cumprindo na prática os termos tanto do já conhecido ‘Projeto 2025′, como o do “Destino Manifesto’, quando se consolidou, a partir da metade do século XIX, a ideologia do supremacismo branco eurocêntrico. E daqui para frente, talvez muito dessas duas ideologias, se aprofundarão nas relações dos EUA com o mundo].

Durante sua posse como 47º presidente dos Estados Unidos, Donald Trump disse:

“Vamos perseguir o nosso Destino Manifesto até às estrelas, lançando astronautas americanos para fincar as estrelas e listras [da bandeira da América] no planeta Marte.”

O termo não é novo e trata de uma ideologia bastante prevalente nos Estados Unidos no século XIX, que defendia a crença de que os cidadãos norte-americanos tinham o direito moral e a missão divina de expandir seus territórios da costa atlântica até o Pacífico.

Em 1845, e o jornalista americano John O’Sullivan escreveu sobre isso como parte de uma coluna intitulada Anexação.

“O Texas agora é nosso (…) Faz parte da designação cara e sagrada do nosso país”.

Na época, fazia apenas alguns dias que o Congresso da República do Texas — um país de vida muito curta, de 1836 a 1845 — havia aprovado a adesão aos Estados Unidos, e O’Sullivan comemorou a incorporação daquele vasto território como parte de um desígnio divino.

“Outras nações lançaram (…) interferências hostis contra nós, com o objetivo declarado de frustrar nossa política e obstruir nosso poder, limitando nossa grandeza e impedindo o cumprimento do nosso destino manifesto de nos espalharmos pelo continente que nos foi concedido pela Providência para o livre desenvolvimento de nossos milhões que se multiplicam anualmente”, completou O’Sullivan.

O Texas, que havia sido de domínio espanhol, e se tornou parte do México após a independência, estava sendo cada vez mais povoado por americanos que cruzavam a fronteira por incentivo do governo dos EUA.

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