Saúde: As tábuas de corte de plástico são seguras?

https://articles.mercola.com/sites/articles/archive/2026/01/27/plastic-cutting-boards-microplastics-health-risks.aspx

Dr. Joseph Mercola

27 jan 2026

[Nota do Website: Matéria que por si só já nos mostra o quanto quaisquer produtos feitos de resinas plásticas sempre nos contaminam. Só há uma maneira de evitar essas contaminações: excluir o mais que pudermos produtos de consumo que sejam de plástico. Infelizmente alguns serão improváveis, como o computador e o celular que usamos, mas outros como embalagens, sacolas e utensílios domésticos, podemos trocá-los agora!].

Resumo da história

  • As tábuas de corte de plástico libertam microplásticos durante a preparação rotineira de alimentos, contribuindo para o aumento da ingestão de plástico que se acumula em órgãos como o cérebro e os tecidos reprodutivos ao longo do tempo.
  • Pesquisas mostram que a pressão da faca libera centenas de fragmentos de plástico por corte, muitos dos quais se incrustam no tecido alimentar e permanecem mesmo após enxaguar ou cozinhar.
  • Tábuas de corte mais antigas e com muitas ranhuras liberam mais microplásticos, pois as repetidas facadas e o desgaste da superfície aceleram a abrasão e a contaminação durante o preparo diário das refeições.
  • A substituição de placas de plástico por placas de madeira, bambu ou vidro reduz a exposição a microplásticos, enquanto a limpeza adequada e a substituição oportuna ajudam a limitar os riscos bacterianos e químicos.
  • Além das tábuas de corte, reduzir a exposição a microplásticos exige filtrar a água, evitar embalagens plásticas, escolher tecidos naturais e lidar com a disrupção hormonal causada por substâncias químicas presentes no plástico que imitam o estrogênio.

Quando foi a última vez que você prestou atenção ao material da sua tábua de corte? Se você ainda usa uma de plástico, esperamos que as informações a seguir façam você repensar essa escolha. Atualmente, especialistas estimam que os seres humanos ingerem cerca de 5 gramas de plástico por semana, o que equivale ao peso de um cartão de crédito. Embora o corpo consiga eliminar a maior parte desse microplástico, os fragmentos menores têm a capacidade de se acumular em órgãos vitais, como o cérebro e os órgãos reprodutivos.

A liberação de microplásticos durante o preparo de alimentos está se tornando rapidamente um problema de saúde pública, a ponto de a mídia tradicional ter abordado o assunto. Em uma reportagem publicada pela revista TIME, foi citada uma pesquisa que mostra que um único corte de faca libera de 100 a 300 partículas de microplástico das tábuas de corte de plástico. Além disso, cerca de 50% dos microplásticos liberados pela tábua são descartados no ralo, acabando no meio ambiente. Os outros 50% são ingeridos junto com os alimentos.

O Caso Contra as Tábuas de Corte de Plástico

Em um estudo de 2022 publicado no International Journal of Environmental Research and Public Health, pesquisadores se propuseram a identificar a quantidade de microplásticos que se transferem para os alimentos: 2

•Estrutura do estudo — Para simular o uso na vida real, os pesquisadores utilizaram amostras de frango e peixe. Em seguida, analisaram o tecido comestível após o preparo e mediram a presença de microplásticos diretamente nos alimentos. Os resultados foram consistentes entre as amostras. Alimentos preparados em tábuas de corte de plástico continham fragmentos de plástico identificáveis ​​que correspondiam às tábuas utilizadas durante o corte.

•Cortar a carne do osso aumenta a contaminação por plástico — Quando frango ou peixe foram cortados diretamente do osso em tábuas de corte de plástico, os pesquisadores encontraram uma contaminação por microplásticos significativamente maior do que quando filés sem espinhas foram preparados.

A força adicional necessária para cortar junto ao osso aumenta a pressão e a abrasão na tábua, o que libera mais fragmentos de plástico nos alimentos. Portanto, se você costuma cortar pedaços inteiros em superfícies de plástico, sua exposição a microplásticos provavelmente aumenta.

•Lavar os alimentos ajuda, mas não resolve o problema — o enxágue reduziu o número de microplásticos detectáveis, porém fragmentos de plástico permaneceram incrustados no tecido alimentar mesmo após a lavagem.

Essa é uma descoberta importante porque aborda uma suposição comum — você pode pensar que um enxágue rápido resolve a contaminação, especialmente se você acabou de usar força para picar um ingrediente, mas os dados mostram o contrário. Uma vez que os fragmentos se alojam no tecido mole, a lavagem superficial remove apenas parte da carga.

•Técnicas analíticas utilizadas — Para confirmar a origem do plástico, os pesquisadores examinaram a composição química das partículas encontradas nos alimentos. Eles identificaram o polietileno como o material das tábuas de corte utilizadas durante o preparo. Isso descartou a embalagem ou a contaminação ambiental como fonte primária. Em outras palavras, a própria tábua era o ponto de origem dos microplásticos.

Após a conclusão da análise, descobriram que havia entre 0,03 e 1,19 partículas por grama de carne de frango. Em peixes, foram encontradas de 0,014 a 2,6 partículas por grama.

•A idade e a qualidade da tábua de corte influenciam a quantidade de microplásticos liberados. O estudo também mediu as propriedades físicas das tábuas, incluindo dureza e resistência ao desgaste, e comparou essas características com os níveis de contaminação. Tábuas mais macias e desgastadas liberaram mais fragmentos durante o corte. Tábuas antigas, com aparência arranhada e bem usada, liberaram mais material do que as mais novas. Os sulcos na superfície atuam como pontos fracos onde o plástico se desprende mais rapidamente a cada corte.

•Principal conclusão — O estudo não comparou os resultados de saúde entre os grupos porque esse não era seu objetivo, e os autores declaram claramente essa limitação em sua pesquisa. Em vez disso, o valor reside em confirmar que as tábuas de corte são mais um ponto de exposição a microplásticos.

A conscientização sobre esse problema lhe dá o poder de agir e assumir o controle da sua saúde. Recomendo que você substitua todas as suas tábuas de corte por modelos de madeira maciça, bambu ou vidro. Mas, se você estiver em uma situação difícil e não puder substituir sua tábua agora, existem estratégias disponíveis para minimizar sua exposição a microplásticos (falaremos mais sobre isso adiante).

Higiene e uso seguro de tábuas de corte de todos os tipos

Além da exposição a microplásticos, outra questão importante que as pessoas precisam conhecer em relação às tábuas de corte é a higiene. Esses utensílios de cozinha abrigam patógenos transmitidos por alimentos que podem causar intoxicação alimentar se não forem limpos regularmente. Veja como você pode reduzir esse risco:

•Lave após cada uso — A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) recomenda que você lave suas tábuas de corte, assim como pratos, utensílios e bancadas, com água quente e sabão após o preparo dos alimentos .

As tábuas de corte de bambu são uma ótima opção, pois geralmente são mais duras e menos porosas do que as de madeira maciça, o que as torna mais resistentes à proliferação de bactérias .

•Desinfete e condicione tábuas de corte de madeira com óleo de coco — Se você usa uma tábua de corte de madeira, uma maneira de evitar a proliferação de bactérias é limpá-la com óleo de coco de alta qualidade. Como mencionado em um artigo anterior, o óleo de coco possui propriedades antimicrobianas naturais. O óleo também ajuda a evitar que a madeira resseque.

Se você tiver uma tábua de corte de bambu, o processo de limpeza é o mesmo. Use água quente com sabão e, em seguida, esfregue com óleo de coco para eliminar as bactérias restantes e reter a umidade.

•Quando substituir tábuas de corte de plástico — Assim como a maioria dos utensílios de cozinha de uso constante, sua tábua de corte eventualmente precisará ser substituída. Então, qual é um bom indicador para comprar uma nova? Sinta as ranhuras da faca. Quando elas ficarem profundas, ou quando manchas ou odores persistirem nessas fendas, é hora de comprar uma nova. A mesma lógica se aplica a tábuas de madeira e bambu, já que essas ranhuras podem permitir a proliferação de bactérias.

•Por que você deve sempre usar duas tábuas de corte — Usar tábuas de corte separadas para carne crua e vegetais não é apenas uma boa ideia — é uma medida básica de segurança alimentar. A contaminação cruzada pode ocorrer facilmente se a mesma superfície for usada para ambos os fins, mesmo com uma lavagem rápida entre eles. Mantenha duas tábuas à mão o tempo todo, idealmente de cores diferentes, para que você possa diferenciá-las rapidamente.

O que significa, na prática, a certificação NSF em placas de plástico?

Você comprou recentemente uma tábua de corte de plástico com certificação da National Sanitation Foundation (NSF), mas não sabe o que isso realmente significa? Aqui está a explicação:

•Histórico da NSF — Para contextualizar, a NSF é uma organização de saúde pública sediada em Ann Arbor, Michigan, que “facilita o desenvolvimento de normas, testa e certifica produtos para as indústrias de alimentos, água e bens de consumo”.⁶ De acordo com o site da organização, seus métodos de teste contribuíram para mais de 75 normas e protocolos de segurança para equipamentos de alimentação na indústria de restaurantes.

•As normas ajudam a minimizar os perigos — a NSF testa uma ampla gama de plásticos em produtos de consumo e para serviços de alimentação. Isso inclui cloreto de polivinila (PVC), acrilonitrila butadieno estireno (ABS) e polipropileno (PP). 8 Se você trabalha no setor de serviços de alimentação ou já comprou uma tábua de corte de plástico, procure o selo ANSI 51. Conforme observado pela NSF9

“A norma NSF/ANSI 51 estabelece requisitos mínimos de saúde pública e saneamento para materiais e acabamentos utilizados na fabricação de equipamentos comerciais para serviços de alimentação (como grelhas, dispensadores de bebidas, tábuas de corte e panelas) e seus componentes (como tubos, selantes, juntas e válvulas).”

Tábua de corte de plástico ou de madeira: qual é a mais segura?

Embora um produto certificado por organizações conceituadas traga mais tranquilidade aos consumidores, é prudente não se basear exclusivamente nisso. Como mencionado anteriormente, as tábuas de corte de plástico acabam se degradando, portanto, assim que possível, troque-as por tábuas de madeira, vidro ou bambu. Para ajudá-lo a tomar uma decisão mais informada, consulte a tabela abaixo:

MaterialSegurança e higienedesgaste da facaManutençãoUsos
Plástico (HDPE/PP)Não poroso; fácil de higienizar; pode liberar microplásticos à medida que se desgasta. Substitua quando apresentar ranhuras.Leve a moderadoPode ser lavado na máquina de lavar louça (verifique a etiqueta); é necessária a higienização periódica.Carnes cruas (use conjuntos com código de cores)
Madeira (bordo, nogueira)Grãos naturalmente absorventes; lavar somente à mão; higienizar com solução de óleo de coco de alta qualidade, se necessário.Muito suaveQuando a superfície estiver seca, unte com óleo de coco de qualidade alimentar. Nunca coloque na máquina de lavar louça.Produtos frescos, pão, preparo geral
BambuDuro, menos poroso que algumas madeiras; geralmente laminado colado; lavar à mãoMais agressivo nas bordas do que o bordo.Não pode ser lavado na máquina de lavar louça; lubrificação leve ocasional.Preparação geral onde uma tábua fina e leve ajuda
VidroNão poroso e próprio para lava-louças, porém muito duro e escorregadio. Pode danificar facas e escorregar em bancadas.Muito severoMínimoPara consumo ocasional; não ideal para picar.

Estratégias adicionais para reduzir a exposição a microplásticos

Tábuas de corte de plástico e utensílios de cozinha similares não são a única fonte de microplásticos. Na verdade, o plástico está por toda parte — do teclado do seu computador aos botões do seu smartphone, seu corpo está em contato com plástico o tempo todo. Para reduzir sua exposição, aqui estão algumas dicas práticas:

  1. Filtre a água da torneira e evite garrafas de plástico — Microplásticos estão sendo encontrados com frequência na água da torneira, o que significa que filtrar o que você bebe não é mais um luxo, mas sim uma necessidade. Procure um sistema de filtragem de alta qualidade, especificamente projetado para remover microplásticos, e certifique-se de que ele possua a certificação adequada. Além disso, se você precisar comprar água engarrafada, prefira vidro em vez de plástico.

    Além disso, se a água da sua casa for dura, fervê-la antes de usar pode reduzir significativamente o teor de microplásticos. 10 Essa dica simples, mas prática, lhe dará água mais limpa para o uso diário.

    2. Examine cuidadosamente as embalagens de alimentos — as embalagens plásticas  continuam sendo uma das formas mais comuns de contaminação dos alimentos por microplásticos. Tenha cuidado com o que você compra — procure produtos embalados em vidro sempre que possível. Em casa, substitua o filme plástico e os recipientes plásticos por alternativas mais seguras e não plásticas.

    Essas pequenas mudanças reduzem significativamente a quantidade de plástico que entra em contato direto com os alimentos que você e sua família consomem. Além disso, adote uma regra rigorosa: “nada de usar recipientes de plástico no micro-ondas”. Isso porque o calor acelera a liberação de substâncias químicas do plástico diretamente para os alimentos.

    3.Reavalie seus utensílios de cozinha básicos — Pequenas melhorias na sua cozinha podem reduzir significativamente a exposição ao plástico. Como mencionado acima, comece trocando as tábuas de corte de plástico por versões de madeira, bambu ou vidro. Se você ainda tem utensílios de cozinha de plástico nas gavetas, considere comprar versões de madeira ou aço inoxidável.

    4.Escolha fibras naturais para suas roupas — Seu guarda-roupa também contribui para a exposição a microplásticos, principalmente se você usa muitos tecidos sintéticos como o poliéster. Sempre que possível, opte por roupas e artigos têxteis para o lar feitos de fibras naturais, como algodão orgânico, lã e linho. Quanto às peças sintéticas que você já possui, lave-as com menos frequência.

    Ao lavar roupas sintéticas, instalar um filtro de microfibra na sua máquina de lavar ajuda a capturar as fibras liberadas durante cada ciclo, impedindo que elas entrem nos cursos d’água — e, em última análise, acabem de volta no seu meio ambiente e no seu corpo.

    5.Considere o uso de progesterona para auxiliar no equilíbrio do estrogênio — Muitos plásticos exercem efeitos semelhantes ao estrogênio porque contêm xenoestrogênios — substâncias químicas disruptoras endócrinas (EDCs) que imitam o estrogênio e interferem no equilíbrio hormonal.

    Este é um problema de saúde significativo, pois o excesso de estrogênio pode prejudicar as funções celulares e mitocondriais. Embora reduzir a exposição ao plástico seja crucial, a progesterona natural pode ajudar a combater a dominância estrogênica. Ela atua como um antagonista do estrogênio, ajudando a atenuar alguns dos impactos negativos da elevação dos níveis de estrogênio devido à exposição ambiental.

    Perguntas frequentes sobre tábuas de corte de plástico

    P: Por que as tábuas de corte de plástico são consideradas um risco para a saúde?

    A: As tábuas de corte de plástico libertam microplásticos durante a preparação rotineira de alimentos. Estes fragmentos podem passar para os alimentos, acumular-se no organismo ao longo do tempo e contribuir para a exposição global aos microplásticos.

    P: Quantos microplásticos são liberados ao cortar alimentos em tábuas de plástico?

    A: Pesquisas mostram que um único golpe de faca pode liberar de 100 a 300 partículas de microplástico, sendo que cerca de metade acaba nos alimentos e o restante nas águas residuais e no meio ambiente.

    P: Lavar ou cozinhar os alimentos remove os microplásticos?

    A: Enxaguar os alimentos pode reduzir a contaminação superficial, mas não elimina os microplásticos incrustados. O cozimento também não os remove, pois as partículas de plástico não se decompõem em temperaturas normais de cozimento.

    P: Tábuas de corte mais antigas ou muito usadas aumentam a exposição?

    A: Sim. Placas de plástico desgastadas e riscadas liberam mais microplásticos devido ao aumento da abrasão. Cortes repetidos com faca e sulcos profundos elevam significativamente os níveis de contaminação ao longo do tempo.

    P: Quais são as estratégias alternativas mais seguras para reduzir a exposição aos microplásticos?

    A: Trocar para tábuas de corte de madeira, bambu ou vidro reduz a exposição. Outras medidas incluem filtrar a água potável, evitar embalagens plásticas para alimentos, escolher tecidos naturais e minimizar o uso de plástico no dia a dia.

    Referências

    Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, janeiro de 2026

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