
(Crédito da imagem: Nick Alias/Shutterstock)
Anastasia Scott
16 jan 2026
[Nota do Website: Neste texto, em nosso ponto de vista, é mostrado como podemos nos aproximar da Vida, da Natureza, de várias formas. Aqui é no sentido de se conhecer mais como um sistema esplendoroso e não nós como invasores que pretendem dominar para espoliar. Que bela matéria que nos apresenta a dinâmica das forças vitais, integradas e interativas].
As plantas enviam constantemente mensagens químicas para o ar e o solo ao seu redor. Esses sinais invisíveis podem atrair polinizadores, alertar as plantas vizinhas sobre herbívoros ou repelir predadores. Mas uma nova pesquisa publicada na PNAS sugere que essas mensagens não são trocadas em pares simples. Em vez disso, elas são moldadas por toda a comunidade vegetal.
Em pastagens ricas em espécies, a comunicação química opera como uma rede, em vez de uma série de trocas individuais. E quando a biodiversidade diminui, essa rede começa a se desfazer.
Novos experimentos de campo mostram que o número e a identidade das espécies de plantas que crescem juntas influenciam diretamente a forma como as plantas se comunicam quimicamente. Em comunidades vegetais diversas, os sinais químicos tornam-se mais complexos e variados. Em comunidades mais simples, esses sinais são reduzidos, o que pode enfraquecer a comunicação em todo o ecossistema.
“As plantas não se comunicam individualmente, mas sim como parte de uma complexa rede ecológica”, afirmou a primeira autora, Pamela Medina van Berkum, em um comunicado à imprensa .
Como a biodiversidade molda a comunicação entre plantas
As plantas comunicam-se libertando compostos orgânicos voláteis pelas suas folhas, flores e raízes. Estes compostos dispersam-se pelo ar ou pelo solo, onde podem ser detetados por insetos, microrganismos e outras plantas. Em conjunto, ajudam a coordenar interações que são fundamentais para o funcionamento do ecossistema, desde a polinização à defesa das plantas.
Para entender como a diversidade vegetal molda essa linguagem química, os pesquisadores se concentraram na tanchagem, uma espécie comum em pastagens com interações ecológicas bem documentadas. Em vez de estudar plantas isoladas em condições de laboratório, a equipe examinou a tanchagem crescendo em comunidades naturais de pastagens que diferiam em riqueza de espécies.
Ao trabalhar em parcelas reais de pastagens, os pesquisadores puderam observar como os sinais químicos de uma planta mudam dependendo da vegetação circundante, capturando interações que seriam perdidas em estudos simplificados em estufa.
Capturando odores de plantas na natureza.
Medir odores de plantas em ambientes abertos é notoriamente difícil. Compostos voláteis se dispersam rapidamente e condições externas como vento, temperatura e umidade podem mascarar os sinais químicos. Para solucionar esse problema, os pesquisadores desenvolveram um sistema de campo que captura odores de plantas tanto em nível de comunidade quanto em nível de planta individual.
Recintos transparentes foram colocados sobre seções da vegetação para concentrar os sinais químicos emitidos por comunidades vegetais inteiras. Plantas individuais de tanchagem também foram isoladas separadamente, permitindo que os pesquisadores comparassem os odores ao redor de uma planta com os odores liberados pela própria planta.
Utilizando técnicas analíticas sensíveis, a equipe identificou e mediu compostos voláteis liberados sob diferentes condições de biodiversidade. No nível da comunidade, parcelas ricas em espécies emitiram uma mistura maior e mais variada de voláteis. No nível da espécie, a tanchagem não alterou suas emissões totais simplesmente por estar crescendo em uma parcela mais diversa. Em vez disso, sua emissão variou de acordo com o contexto químico criado por suas vizinhas: quando as comunidades ao redor apresentavam alta concentração de voláteis de folhas verdes, a tanchagem tendia a reduzir suas emissões, enquanto áreas ricas em terpenos estavam associadas a uma mistura mais ampla de compostos da tanchagem.
Por que a perda de biodiversidade prejudica a comunicação?
Os resultados sugerem que a comunicação entre plantas não é uma troca direta entre indivíduos, mas sim parte de uma rede química mais ampla e interconectada. Em pastagens ricas em espécies, essa rede é quimicamente complexa. À medida que a biodiversidade diminui, ela se torna mais simples.
Essa perda de complexidade pode perturbar interações que dependem de sinais químicos, incluindo relações entre plantas e polinizadores, herbívoros e microrganismos do solo. Dessa forma, a perda de biodiversidade altera não apenas quais espécies estão presentes, mas também como a informação flui pelos ecossistemas.
Práticas que aumentam a diversidade vegetal, como o plantio de faixas floridas, a diversificação de culturas e a redução do uso de herbicidas, podem ajudar a manter essas redes de comunicação química. Embora os papéis ecológicos de muitos compostos produzidos pelas plantas ainda não estejam claros, o estudo destaca que a biodiversidade sustenta não apenas interações visíveis, mas também os sistemas químicos invisíveis que ajudam os ecossistemas a funcionar.
Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, janeiro de 2026