PFAS: Como todos esses produtos químicos eternos acabam no seu prato

Peixe em um prato azul e branco. Crédito: William Buelow Gould / Wikimedia Commons.

https://nautil.us/how-all-those-forever-chemicals-end-up-on-your-plate-1256761

Molly Glick

23 dez 2025

[Nota do Website: Aqui se constata que os ‘químicos eternos/forever chemicals’ são realmente danosos para todos os seres vivos e nós somos os mais lesados. A estupidez das corporações petroagroquímicas é tão grande que não conseguem realizar que estão no mesmo ambiente a quem eles ofendem com suas moléculas sintéticas. E em nome do quê? Do dinheiro. Um dinheiro que não terá jamais condições de comprar sua própria saúde e muito pior, de todas as gerações que estão vindo depois deles!].

Predadores de topo e humanos podem receber as doses mais elevadas.

Depois que minúsculos organismos marinhos absorvem substâncias químicas persistentes na água, essas substâncias produzidas pelo homem sobem na cadeia alimentar — por exemplo, do krill às anchovas e ao atum que colocamos em nossos carrinhos de supermercado. 

Esses produtos químicos, também conhecidos como substâncias per e polifluoroalquiladas ou PFAS, são usados ​​em mais de 200 categorias de produtos manufaturados. Eles são valorizados por suas propriedades hidrorrepelentes e resistência ao calor, mas também permanecem no solo, no ar e na água em todo o mundo e não se degradam com o tempo devido às suas ligações químicas extremamente fortes. Cientistas documentaram a presença de PFAS no meio ambiente em regiões tão remotas quanto a Antártica

Agora, cientistas descobriram que as concentrações de alguns PFAS dobram, em média, a cada vez que as substâncias sobem um nível na cadeia alimentar, conforme relatado na  revista Nature Communications. Esses aumentos parecem ocorrer quando os animais absorvem os compostos mais rapidamente do que conseguem metabolizá-los ou eliminá-los.

Uma equipe internacional de cientistas analisou como os PFAS se movimentam em mais de 100 cadeias alimentares, abrangendo terra e água. Reunindo dados de 64 estudos, eles realizaram a primeira meta-análise de dados sobre o acúmulo de PFAS em cadeias alimentares ao redor do mundo. Os pesquisadores esperavam esclarecer inconsistências em pesquisas anteriores, que apontavam tanto para o acúmulo de pequenas quantidades  de PFAS em algumas cadeias alimentares quanto para o acúmulo massivo em outras.

Os pesquisadores analisaram os níveis de 72 tipos diferentes de PFAS e descobriram que o aumento de um nível para o outro na cadeia alimentar depende da substância. Por exemplo, o F-53B, um composto químico usado na fabricação de algumas peças de máquinas, apresentou o maior aumento médio — cerca de três vezes, da presa ao predador. O F-53B foi desenvolvido como uma alternativa menos tóxica a uma substância que é restrita ou proibida em muitos países. Mas, assim como várias dessas novas alternativas, sua concentração se multiplicou à medida que subia na cadeia alimentar em uma taxa maior do que a de seu predecessor. 

“Considerando o que sabemos sobre a toxicidade dos PFAS a partir de outros estudos, essas taxas extremas de acúmulo em predadores de topo sugerem sérios riscos à saúde”, disse o coautor do artigo, Lorenzo Ricolfi, estudante de doutorado que estuda a contaminação por PFAS na Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, em um comunicado. “Isso cria um risco ecológico em cascata: os predadores de topo enfrentam uma exposição desproporcionalmente alta, mesmo em ambientes relativamente pouco contaminados.”

Cientistas associaram a exposição humana a PFAS a uma série de doenças, incluindo doenças hepáticas, renais e câncer, mas ainda não existem evidências definitivas de que essa substância cause essas doenças. Mesmo assim, PFAS foram detectados em amostras de sangue coletadas de pessoas e animais em todo o mundo.

Ricolfi e seus coautores esperam que esta pesquisa ajude a impulsionar mudanças nas políticas que regem os tipos de PFAS que mais se acumulam entre predadores e presas, especialmente os produtos químicos não regulamentados examinados no artigo. E, com esses resultados, eles estão particularmente preocupados com os novos produtos químicos lançados no mercado para substituir os proibidos.

“É urgente a realização de pesquisas sobre os impactos desses novos produtos químicos na saúde, antes que se tornem tão comuns e problemáticos quanto os PFAS que estão substituindo”, disse Ricolfi.

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, março de 2026

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