
Os microplásticos estão agora por toda parte, inclusive nos alimentos que consumimos diariamente. Fotografia de Javier Zayas/Getty Images
https://www.cnet.com/health/nutrition/foods-likely-contain-microplastics/
Taylor Leamey
27 jan 2026
[Nota do Website: A realidade que todos nós fazemos questão não só de desconhecer, mas simplesmente rejeitar em nossos comportamentos cotidianos, está aí irrefutável. Talvez para nós, os adultos, os efeitos possam ser imperceptíveis, mas e as gerações futuras? Nunca esquecer que os plásticos jamais se degradarão aos seus elementos básicos, como acontece com as moléculas naturais, para que novas formas moleculares se formem. Ou seja, o que estamos descartado agora, quanto tempo, no futuro, ficarão circulando, e agredindo, todas as formas de vida?].
Estima-se que os seres humanos consumam entre 39.000 e 52.000 partículas de microplástico por ano, e uma revisão de escopo de 2024 determinou que elas foram encontradas em oito dos doze sistemas orgânicos humanos. Você pode encontrá-las no ar, na água, nos utensílios que usa para preparar alimentos e até mesmo nos alimentos que consome. Todas essas fontes podem contribuir para a entrada de microplásticos no seu corpo.
Para descobrir quais alimentos têm maior probabilidade de conter microplásticos e o que podemos fazer para reduzir a quantidade que consumimos, consultamos um médico.
Quantos microplásticos são considerados inseguros?
“Não existe um nível ‘seguro’ ou ‘inseguro’ oficialmente estabelecido para a ingestão de microplásticos. Faz sentido querer que sua exposição seja a menor possível”, disse o Dr. Joseph Mercola, médico osteopata com especialização em medicina familiar, em um e-mail.
Os microplásticos podem chegar aos nossos alimentos devido à contaminação nos locais onde foram cultivados, criados ou processados. Mercola explicou que o uso de cobertura plástica e revestimentos plásticos para sementes na agricultura, bem como a irrigação com água contaminada, estão entre as várias formas pelas quais os microplásticos podem acabar nos alimentos. Embalagens, utensílios e recipientes de plástico são fontes adicionais.
De acordo com a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA), as evidências atuais não sugerem que os níveis de microplásticos nos alimentos representem um risco para a saúde. No entanto, ainda é recomendável minimizar a quantidade de microplásticos que você consome passivamente. A seguir, apresentamos os alimentos mais comuns que contêm microplásticos e as medidas que você pode adotar para reduzir sua ingestão de plástico.
Os 8 principais alimentos da sua dieta que podem conter microplásticos.
1. Frutos do mar
Uma das formas mais significativas pelas quais partículas de plástico acabam em nossos alimentos é através de plásticos descartáveis que se degradam e chegam aos cursos d’água e ao solo. Quando chegam aos oceanos, acabam contaminando nossos frutos do mar.
“Os microplásticos são absorvidos pelo plâncton e confundidos com alimento por peixes e crustáceos”, disse Mercola. “As minúsculas partículas se acumulam na carne… e acabam em nossos pratos.”
Um estudo recente publicado pela Universidade Estadual de Portland descobriu uma variedade de microplásticos em 180 das 182 amostras de frutos do mar testadas. As microfibras são o tipo mais comum de microplástico presente, mas esse não é o único tipo que acaba em nossos oceanos (nt.: aqui estão as fibras dos tecidos sintéticos como os poliésters).
Como evitar : Embora você não possa controlar a quantidade de microplásticos que seu peixe ingeriu antes de chegar ao seu prato, você pode reduzir o consumo de peixes filtradores e de fundo (como amêijoas, mexilhões, ostras, bagre, linguado, solha e bacalhau). Esses tipos de frutos do mar são expostos a maiores quantidades de microplásticos. Além disso, escolha frutos do mar em lojas que utilizam embalagens sustentáveis, em vez de plástico filme (nt.: sempre lembrar que normalmente os filmes plásticos são feito de PVC, inquestionavelmente cancerígeno e 60% do filme é do disruptor endócrino, FTALATO).

2. Saquinhos de chá
O polipropileno é frequentemente usado na fabricação de saquinhos de chá, e mesmo os saquinhos de papel podem conter microplásticos. O problema é que, ao entrarem em contato com água quente, esses microplásticos podem ser liberados na sua bebida.
Pesquisadores da Universidade Autônoma de Barcelona descobriram que saquinhos de chá de polipropileno podem liberar bilhões de partículas de plástico, enquanto saquinhos de chá de náilon e celulose podem liberar milhões delas.
Como evitar: Você não precisa parar de tomar chá. Troque para chá a granel e invista em um infusor de aço inoxidável para desfrutar de um chá livre de microplásticos.
3. Arroz
O arroz também é um foco de microplásticos. Um estudo da Universidade de Queensland descobriu que para cada meia xícara de arroz, existem de 3 a 4 miligramas de plástico. Se você usar pacotes de arroz instantâneo, esse número é quatro vezes maior, chegando a 13 miligramas.
Como evitar: O estudo descobriu que lavar o arroz pode reduzir a contaminação por plástico em 20% a 40%, embora seja importante notar que o estudo utilizou água filtrada para enxaguar.
4. Sal e açúcar
Ao adicionar uma pitada de sal à sua refeição, você está ingerindo, sem querer, microplásticos. É difícil fugir do sal. Ele está presente em quase tudo o que comemos e nosso corpo precisa de uma certa quantidade de sódio para manter o equilíbrio de fluidos e eletrólitos.
Um estudo revelou que 90% das 39 marcas de sal analisadas em todo o mundo continham microplásticos. Isso provavelmente resulta da contaminação ambiental e do processo de produção e embalagem, que inclui o uso de plástico. Microplásticos também foram encontrados no açúcar.
Como evitar: Para reduzir sua exposição a microplásticos no sal e no açúcar, você pode comprá-los embalados em vidro ou papelão.

5. Água engarrafada
A água engarrafada é uma das fontes mais conhecidas de micro e nanoplásticos. Um estudo estimou que existem cerca de 240.000 partículas de plástico em um litro de água engarrafada. A maioria das garrafas de água de plástico que você compra no mercado é feita de tereftalato de polietileno, ou PET, então não foi surpresa vê-lo representado nos resultados. As partículas de plástico se fragmentam quando as garrafas são apertadas ou expostas ao calor. E o plástico PET não é o único tipo de nanoplástico que os pesquisadores encontraram em garrafas de água de plástico.
Como evitar: Beber água da torneira em um recipiente de aço inoxidável ou vidro pode reduzir o risco de ingerir partículas de plástico.
6. Mel
Você talvez não imagine que seu mel contenha microplásticos, mas contém, mesmo que esteja em um pote de vidro. As fibras de microplástico podem ser rastreadas até as abelhas e a poluição. Um estudo que investigou se os microplásticos ingeridos ou transportados pelas abelhas eram incorporados às colmeias descobriu que as abelhas podem continuar a dispersão de microplásticos através do mel.
Como evitar: Comprar mel de apicultores locais, que geralmente utilizam métodos de colheita mais naturais e sustentáveis, pode reduzir o risco de contaminação por microplásticos.
7. Frutas e vegetais
Frutas e verduras são essenciais para uma alimentação equilibrada. Elas também podem conter microplásticos. Um estudo que analisou amostras de frutas e verduras descobriu que as maçãs eram as frutas mais contaminadas (nt.: ver matéria já publicada que mostra o quanto as maçãs na Europa estão também contaminadas com agrotóxico. Imagena que consumimos a fruta crua! Daí a importância de consumirmos maçãs ecológicas que temos disponíveis aqui no Brasil) e as cenouras, as verduras mais contaminadas. Como isso acontece?
“Foi demonstrado que as plantas absorvem micro e nanoplásticos do solo através de seus sistemas radiculares, contaminando as partes comestíveis”, disse Mercola.
Muitos supermercados também embalam frutas e verduras em plástico para mantê-las frescas. De acordo com a FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA), não há evidências suficientes para determinar se os microplásticos das embalagens plásticas de alimentos migram para os alimentos. Mas Mercola sugere que você evite o contato com esses materiais sempre que possível.
Como evitar: Lave bem as frutas, descasque-as sempre que possível e escolha produtos locais ou orgânicos.

8. Proteínas
Um estudo recente de pesquisadores da Ocean Conservancy descobriu que 88% das proteínas vegetais e animais contêm algum nível de microplásticos. Mas proteínas altamente processadas, como alternativas à base de plantas, palitos de peixe ou nuggets de frango, são as que apresentam maior concentração de microplásticos, sugerindo que a contaminação por microplásticos provém, em parte, do processamento de alimentos. O estudo constatou que o camarão empanado tinha, em média, 300 fragmentos de microplástico por porção. Os nuggets à base de plantas continham 100 fragmentos por porção.
O processamento de alimentos não é a única forma pela qual os microplásticos podem chegar a essas fontes de proteína. Os microplásticos estão presentes nas rações animais e nos ambientes onde os animais são criados. As alternativas de origem vegetal podem ser contaminadas pelo solo ou pela irrigação.
Como evitar: Depois de ler isso, você pode estar se perguntando qual proteína deve consumir. A realidade é que mais pesquisas são necessárias para determinar os níveis exatos e seu impacto na nossa saúde. Nosso corpo precisa de proteína para funcionar, portanto, consumir a quantidade suficiente é importante, independentemente da fonte escolhida.
Quais os efeitos dos microplásticos nos alimentos na sua saúde?
Então, todos os alimentos contêm microplásticos? Não posso afirmar com certeza. Posso dizer, no entanto, que são necessárias mais pesquisas para entender exatamente como o consumo de alimentos com microplásticos nos afeta. Ainda assim, embora os efeitos a longo prazo na saúde permaneçam sob investigação, os microplásticos são algo a que devemos estar atentos e evitar, se possível, como explicou Mercola.
“Foi constatado que os microplásticos ingeridos se acumulam no sistema circulatório e em vários órgãos, incluindo o cérebro, onde podem causar inflamação e danos aos tecidos”, disse Mercola.
Outros possíveis efeitos colaterais são os desequilíbrios hormonais causados pelos disruptores endócrinos presentes nos plásticos. Os microplásticos também podem absorver outras toxinas ambientais e introduzi-las no organismo.
Não existe um nível seguro estabelecido para microplásticos e não podemos eliminá-los completamente: eles estão em toda parte e em tudo. Mas é uma boa ideia minimizar a exposição sempre que possível.
Dicas de especialistas para reduzir a ingestão de microplásticos.
Você pode reduzir o consumo seguindo estas dicas:
1. Tenha cuidado com a quantidade de frutos do mar que você come.
Frutos do mar como mexilhões, ostras e vieiras apresentam níveis mais elevados de microplásticos, portanto, não exagere no consumo.
2. Evite recipientes de plástico para armazenar alimentos.
Essa é uma das principais recomendações de Mercola devido aos “plastificantes” presentes no plástico. O BPA e os ftalatos são substâncias químicas que interferem no sistema endócrino e podem ser transferidas do plástico para os alimentos. Como são lipossolúveis, essa transferência ocorre com mais facilidade em alimentos gordurosos. O ideal é armazenar alimentos com gordura em recipientes de vidro, mas alimentos secos podem ser armazenados em recipientes de plástico, se necessário.
3. Evite alimentos embalados em plástico.
Isso pode ser mais fácil dizer do que fazer, mas é algo a se almejar em áreas onde você pode mudar.
4. Livre-se dos utensílios de cozinha de plástico.
Das colheres que usamos para mexer os molhos às tábuas de corte que usamos para picar legumes, se forem de plástico, você está ingerindo microplásticos. Uma boa regra geral é: qualquer utensílio de plástico que entre em contato com a sua comida deve ser substituído por cerâmica, vidro, aço inoxidável ou madeira.
Para ajudar a resolver o problema geral dos microplásticos, você pode instalar um filtro na sua máquina de lavar roupa. Se estiver dentro do seu orçamento, um filtro especial irá reter as microfibras antes que elas poluam os sistemas de água. O filtro de microfibra PlanetCare 2.0 custa a partir de US$ 125.
Ainda temos muito a aprender sobre os microplásticos e suas implicações a longo prazo para a nossa saúde quando ingeridos. Pode ser difícil aceitar que eles estão presentes em tantos alimentos, mas isso não deve impedi-lo de se alimentar bem. Uma dieta equilibrada, rica em proteínas, frutas e vegetais, garantirá que seu corpo tenha energia suficiente para funcionar e prosperar — com ou sem microplásticos.
Existe algum filtro de água que remova microplásticos?
Embora exista uma grande variedade de filtros de água no mercado, a LifeStraw é uma das poucas marcas que se concentra na remoção de microplásticos da água potável. A marca afirma que seu microfiltro de membrana remove 99,999% dos microplásticos, além de bactérias e parasitas. Se você procura um filtro de água que remova microplásticos, procure jarras e garrafas filtrantes que mencionem especificamente a remoção de microplásticos ou opte por um sistema de filtragem de água para toda a casa.
Traduções livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, janeiro de 2026