Mudanças climáticas: Um dos icebergs mais antigos do mundo não está apenas derretendo – está ficando azul.

Iceberg A-23A. (Crédito da imagem: Instalação de Observação da Terra da Tripulação da ISS; Unidade de Ciências da Terra e Sensoriamento Remoto do Centro Espacial Johnson da NASA )

https://www.discovermagazine.com/one-of-the-world-s-longest-living-icebergs-isn-t-just-melting-it-s-turning-blue-48524

Stephanie Edwards

12 jan 2026

[Nota do Website: Matéria que nos informa como um dos imensos icebergs da Antártica está em seu derradeiro tempo de vida. Interessante conhecer-se esse fato].

Saiba como a jornada de 40 anos de um “megaberg” está prestes a chegar ao fim no cemitério de icebergs do Oceano Antártico.

Outrora um gigante imponente do gelo antártico, o iceberg A-23A está agora repleto de poças de água de degelo de um azul vibrante enquanto flutua pelo Atlântico Sul. Os cientistas afirmam que esses tons de azul são um sinal de que um dos icebergs mais longevos já rastreados pode estar se aproximando do fim de sua vida útil.

O bloco A-23A se desprendeu da plataforma de gelo Filchner, na Antártida, há quase quatro décadas, dando início a uma jornada surpreendentemente longa e complexa. Hoje, ele permanece enorme – ainda maior que a cidade de Nova York – mas representa apenas uma fração do que era antes e está se aproximando rapidamente do colapso.

Iceberg A-23A em rápido declínio

Quando o iceberg A-23A se desprendeu da Antártida em 1986, cobria aproximadamente 1.500 milhas quadradas – quase o dobro do tamanho do estado de Rhode Island. De acordo com estimativas do Centro Nacional de Gelo dos EUA, a área do iceberg havia diminuído para apenas 456 milhas quadradas no início de janeiro de 2026. Vários grandes fragmentos se desprenderam durante julho, agosto e setembro de 2025, à medida que o iceberg encontrava condições climáticas mais quentes de verão.

Uma imagem recente capturada pelo satélite Terra da NASA mostra o que restou do iceberg, com aspecto encharcado e instável. A imagem do MODIS (Espectrorradiômetro de Imagem de Resolução Moderada), feita em 26 de dezembro de 2025, revela extensas poças azuis na superfície, uma característica que os cientistas chamam de “lama azul”. Essas áreas provavelmente indicam zonas onde o gelo está afinando e se fragmentando por dentro.

A imagem também sugere uma falha estrutural conhecida como “ruptura”, uma cicatriz branca onde a pressão da água derretida acumulada pode ter perfurado o gelo, permitindo que a água vazasse para a superfície do oceano. Os pesquisadores afirmam que esses sinais indicam que o iceberg pode desaparecer completamente em questão de dias ou semanas.

Por que as águas mais quentes estão destruindo o A-23A?

A localização do iceberg está jogando contra ele. O A-23A agora está à deriva em águas com temperatura em torno de 3 graus Celsius e sendo levado por correntes que o conduzirão a regiões ainda mais quentes. A parte do Oceano Antártico onde o A-23A está atualmente é conhecida como um cemitério de icebergs, pois é um local onde as altas temperaturas do ar e da água aceleram o derretimento e a desintegração desses icebergs.

As condições climáticas sazonais estão agravando a situação. Céus mais claros e o ar mais quente do verão permitem que a luz solar penetre na superfície, aquecendo as poças de água do degelo que enfraquecem ainda mais a estrutura interna do iceberg. Uma vez iniciados esses processos, a desintegração pode ocorrer rapidamente.

A História Incomum do A-23A

Mesmo para os padrões da Antártida, o A-23A teve uma vida excepcionalmente agitada. Após se desprender da plataforma de gelo Filchner, ficou encalhado nas águas rasas do Mar de Weddell por mais de 30 anos. Quando finalmente se libertou em 2020, passou meses preso em um vórtice oceânico giratório antes de derivar para o norte.

Ao longo do percurso, o iceberg quase colidiu com a Ilha Geórgia do Sul e ficou preso em águas rasas novamente, antes de escapar para o oceano aberto, onde se fragmentou gradualmente. Os padrões lineares em azul e branco ainda visíveis em sua superfície datam de centenas de anos, esculpidos quando o gelo fazia parte de uma geleira que deslizava sobre o leito rochoso da Antártida.

À medida que o A-23A se desfaz, outros “megabergs” continuam a permanecer ao longo da costa da Antártida. Mas a longa jornada desse gigante em processo de envelhecimento remodelou a compreensão dos cientistas sobre como os icebergs gigantes evoluem e com que rapidez podem desaparecer.

Tradução livre, parcial, de Luiz Jacques Saldanha, janeiro de 2026

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