Parte 6: 

PFCs em Animais em Todo o Mundo 

Site em inglês: http://www.ewg.org/reports/pfcworld/part6.php

Depois de cinco décadas de amplo uso em produtos de consumo, bens industriais e processos, o PFOA foi disperso por todo o globo e agora contamina a vida selvagem em três dos quatro continentes testados. Outros PFCs são bem mais prevalentes. 

 

 Em 15 estudos conduzidos desde 1994 [1-15], os cientistas encontraram o PFOA em pássaros, peixes e mamíferos marinhos por todo o mundo em 16 de 77 espécies, em 6 de 12 países e em 3 de 4 continentes que foram analisados [Wildlife study | Marine animal study]. Estudos posteriores estão convictos de que encontrarão mais contaminações.

Nas décadas recentes o PFOA transformou-se através das pesquisas químicas de uma matéria prima primordial na produção de produtos de consumo a um poluente de amplitude global. O PFOA foi encontrado na vida selvagem da Itália, dos EUA, do Japão, da Rússia, da Bélgica e do Canadá e ainda de lugares remotos como em Midway Atoll no Sand Island Wildlife Refuge. Os cientistas detectaram o PFOA na gema de ovos do cormorão de dupla crista do lago Winnipeg, em Manitoba no Canadá; no sangue da foca do Mar Cáspio russo; e no golfinho de focinho curto da costa da Flórida (Tabela 1). 

Tabela 1. PFOA em vida selvagem.

Ano coleta das amostras

País

Local

Número de animais onde o PFOA foi detectado

Espécies     (órgão)

Média dos níveis de  PFOA (ppb)

1991 a 2000 [6]

EUA

Golfo do México

1 de 3

Golfinho de focinho curto  (fígado)

<7.5 – 20

1995 [5]

EUA

Baia de Thunder, Ilha Sulphur, Michigan, Lago Huron

2 de 3

Gaivota do bico anelado (gema do ovo)

<180 - 197

1991 [5]

EUA

St. Martin, Michigan, Lago Michigan

1 de 2

  Cormorões de dupla crista (todo sangue)

<29.9- 48.9

1991 a 2000 [6]

EUA

Costa da Califórnia

1 de 6

Leão marinho da Califórnia (fígado)

<35.9 - 41

1997 a 1999 [6]

EUA

Alasca

1 de 14

Urso Polar (fígado)

<8.03 - 12.9

1990 a 1998 [5]

Atoll de Midway Atoll (possessão dos EUA)

Refúgio da Vida Selvagem Ilha da Areia

1 de 3

Albatroses de Laysan (fígado)

<180 - 182

1997 [5]

Itália

Lagoa das Cabras, Sardenha

12 de 12

Cormorão comum (fígado)

29-444
(média de 94.6)

1995 [5]

Canadá

Lago Winnipeg, Manitoba

2 de 4

Cormorões da crista dupla

<180 – 245

1991 to 2000 [6]

Rússia

Mar Cáspio

2 de 8

Focas do Cáspio (todo o sangue)

<6 – 23

Cerca de 2000 [7]

Bélgica

Estuário do Scheldtz

8 de 26

Várias espécies de peixes (músculos)

< 7.5 – 46

1991-2000 [6]

 

Mar Báltico

1 de 81

Foca anelada (fígado)

<18.8 - 39.5

1996 a 1998 [6]

 

Mar Báltico

20 of 28

Foca anelada (todo sangue)

<1.25 – 9

1996 a 1998 [6]

 

Mar Báltico

1 of 26

Foca cinzenta  (todo sangue)

<4.98 - 7

1991 a 2000 [6]

Itália

Mar Mediterrâneo

2 de 4

Golfinho nariz de garrafa (todo sangue)

<2.5 - 4
(média 2.2)

1998 [12]

Japão

Observatório de pássaros Gyotoku,

Chiba, Tóquio

1

Gaivota da cabeça negra (fígado)

21

1999 [12]

Japão

Atsugi, Kanagawa

1

Papagaio de asa negra (fígado)

21

[5]

Japão

Não reportado

2 de 7

Água do mar
(todo sangue)

<3.35 - 6.2

O PFC como contaminante global. Apesar do PFOA contaminar completamente a vida selvagem, outros PFCs são muito mais prevalentes. Em razão do PFOA e outros PFCs parecerem ser tóxicos por mecanismos comuns e atingem órgãos e sistemas comuns em animais, a influência combinada de múltiplos PFCs leva riscos de saúde à vida selvagem.

Como o DDT, os PCBs e o Dieldrin nos anos setenta, o PFOS, o PFOA e outros compostos perfluorados e polifluorados distribuíram-se por todo o planeta. Eles foram detectados em animais que vivem nos ambientes mais primevos e locais extremamente remotos. Mesmo as análises terem sido limitados com relação à presença dos PFCs no ambiente, eles foram detectados em 76 de 98 espécies testadas, de 14 países e em 3 de 4 continentes nos quais os espécimens foram coletados. O PFOS, usado pela 3M nos produtos Scotchgard até 2000, é o que mais amplamente foi detectado:

"O PFOS foi detectado em todas as espécies analisadas da vida selvagem." – afirmaram Giesy e colaboradores quanto aos resultados de seu estudo de 175 amostras de fígado e sangue de mamíferos marinhos, peixes e pássaros das costas dos Mares Báltico e Mediterrâneo. [10]

A evidência constatada pela 3M sobre a contaminação global nos anos oitenta. Através de estudos conduzidos no final dos anos oitenta, a 3M constatou que o produto de degradação final de muitos PFCs - PFOA e PFOS, por exemplo – não se degradarão no ambiente. Estes estudos de laboratório cobriram todos os mecanismos básicos pelos quais se sabe que os químicos se degradam – pela ação da luz do sol ou através de reações químicas na atmosfera (fotólise), pela ação de bactérias (biodegradação) e pela reação química com a água (hidrólise). A 3M constatou que os PFCs terminais são completamente resistentes a todos estes processos. [16-20]

Através de outros estudos que definiam parâmetros como pressão do vapor e a constante de Henry, a 3M pode aprender que alguns PFCs têm potencial para migrarem a longas distâncias pela atmosfera. Estes estudos, combinados com os dados da degradação, apontaram para a possibilidade de que os PFCs têm migrado por décadas em direção às área remotas muito distantes das fábricas de origem e dos centros urbanos.

Mesmo que todos os dados básicos estejam a indicar um problema global, foi somente no final dos anos noventa que a 3M testou a teoria da contaminação global. Em 1997 seus laboratórios identificavam a contaminação do sangue com o PFOS em suprimentos de bancos de sangue que vinham sendo utilizados como amostras controle no confronto com o sangue contaminado de trabalhadores. Estudos de sangue posteriores apontaram para a possibilidade de uma contaminação indiscriminada do sangue humano. Durante estes estudos, a equipe da 3M adquiriu e testou 60 fígados de pássaros do National Wildlife Health Center (nt.: Centro Nacional de Saúde da Vida Selvagem) em Madison, Wisconsin, como um primeiro passo para definir a abrangência da contaminação da vida selvagem. 

Os estudos definitivos da 3M sobre a vida selvagem, no final dos anos noventa. O laboratório da 3M detectou os PFCs em mais do que três quartos das amostras de fígado dos pássaros coletados através de toda área continental dos  EUA [5]. O laboratório constatou os PFCs em todas as amostras de fígado desde o pelicano branco, ao cormorão de dupla crista e a grande garça azul e em todos os outros e numa amostra de pelicano marrom – num total de 44 detecções de 45 amostras de fígado de pássaros da Califórnia, Louisiana, Flórida e Nevada. Os químicos que os cientistas detectaram incluíram o PFOS, o produto com que se fabricava o Scotchgard, um precursor do PFOS chamado PFOSA e o PFHS esta uma substância de 6-carbonos, irmã química do PFOS.


“Está por toda a parte” – Website mundial do TEFLON

Em contraste, o laboratório encontrou PFCs em 20% (3) das análises de 15 fígados da grande garça azul das dunas, amostras vindas de Nebraska, Arizona e Novo México. E foi exatamente numa destas amostras que os PFCs estavam em níveis alto suficiente para identificá-la: o fígado da grande garça azul das dunas de Nebraska [5]. Os diferentes perfis do PFC entre as espécies de pássaros correlacionam-se com suas dietas. O estudo mostrou que os pássaros que subsistem se alimentando de peixes estão mais contaminados com os PFCs, indicando que, assim como com os PCBs e o DDT, estes químicos concentram-se em peixes gerando um potencial de se imiscuírem na cadeia alimentar.

Num período que foi além de quatro dias, começando em 15 de março de 1999, o laboratório ambiental da 3M conduziu testes adicionais de tecido de animais da vida selvagem propondo-se a encontrar globalmente os limites externos da contaminação de PFC.  Os cientistas da 3M testaram, para o PFOS e os PFCs próximos, em sangue de filhote de águia coletado de áreas remotas dos EUA. Se esse sangue fosse livre dos PFCs, os cientistas poderiam trabalhar retrospectivamente para determinar quão longe a contaminação se espalhou de áreas urbanas onde o Scotchgard e outros produtos com PFC foram empregados.

A 3M encontrou PFCs em todas os cinco filhotes de águia testados [14]. Filhotes de águia que nunca haviam antes voado já eram contaminados com PFOS, em níveis que giravam de 30 a 77 ppb no sangue. Uma provável fonte de exposição era o peixe trazido por suas mães. Vinham das águas das vizinhanças do Lago Devil, das cachoeiras do rio Slate, do canal Pickerel e do riacho Caulkins nas cabeceiras do Lago Michigan e das planícies baixas das Penínsulas, além da ilha de Steve e no remoto Parque Nacional dos Viajantes de Minnesota. Testes subseqüentes mostraram que mesmo a gema de ovos de pássaros silvestres estão contaminados com os PFCs [5]. Estes testes, combinados ao mesmo tempo com os feitos com sangue humano pela 3M, forneceram o referendum final de que os PFCs contaminam tanto a população humana como a da vida selvagem, em nível global.

No início de 2000 os cientistas da Universidade do Estado de Michigan completaram análises de 247 fígados, rins e amostras de sangue de 15 espécies de mamíferos marinhos – incluindo-se ursos polares, leões marinhos e baleias coletadas do Ártico, da ilha Sable no Canadá, bem como das águas da costa do Alasca, Flórida e Califórnia. O PFOA foi detectado em 17% das amostras testadas. No entanto, as descobertas do PFOS apontaram para a quase completa penetração da contaminação do PFC. Os autores de um novo estudo de mamíferos marinhos concluíram que: "A ocorrência de PFOS em mamíferos marinhos das águas do Ártico sugerem sua ampla distribuição global, incluindo locais extremamente remotos". [9].

Todos os estudos da vida selvagem conduzem a uma conclusão indicando que dos PFCs testados, a substância química do Scotchgard da 3M, chamado PFOS, alcançou a maior distribuição e concentração na vida selvagem. Os cientistas detectaram o PFOS na vida selvagem em concentrações acima daquelas detectadas nos trabalhadores da fábrica. Em ovos de cagarro (nt.: Calonectris diomedea borealis) do Cáspio as análises de laboratório em Michigan mostraram uma concentração, no ovo inteiro, de 2.605 ppb[5]. Já em testes em nove martas (nt.: Martes martes, também conhecida entre nós por seu nome em inglês: mink) da Carolina do Sul, detectou-se uma média de concentração no fígado de 2.085 ppb[4]. Estes níveis são mais altos do que os detectados no sangue, integral, de cinco operadores de uma das fábricas de PFC da 3M em Decatur, Alabama, cuja média é 1.970 ppb[21].

O PFOS foi detectado nas espécies mais protegidas e nos ambientes mais primitivos da Terra. Foi constatado em ursos polares do Alasca (em 17 dos 17 ursos testados, com uma média de concentração no fígado de 350 ppb)[10], filhotes de águia careca do meio-oeste mais jovens do que 70 dias (em 33 filhotes, todos abaixo de 70 dias, com uma média de concentração no plasma sanguíneo de 330 ppb)[5], numa garça real do Swan Lake National Wildlife Refuge em Sumner, Missouri (concentração no fígado de 171 ppb)[5], em golfinhos nariz de garrafa do Mar Adriático ao longo da costa de Riccione, Itália (detectado em 4 de 4 golfinhos nariz de garrafa, com uma média de concentração no sangue de 143 ppb)[7], e albatrozes de Laysan da ilha Sand, um refúgio da vida selvagem no Atol Midway (detectado em 6 de 6 albatrozes, com uma média de concentração no sangue de 16 ppb)[5].

O PFOSA, um precursor químico do PFOS, foi detectado em níveis significativos em espécies ao redor do globo. Ao largo da costa italiana, o PFOSA (também conhecido como FOSA) tem sido detectado em espécies de golfinho (concentração do fígado era de 878 ppb)[7] , e em peixe-espada (detectado em todos os 7, a média da concentração no sangue era de 7 ppb)[7].

 

Referências: 

[1] Giesy, JP and Kannan, K. 2001. Global distribution of perfluorooctane sulfonate in wildlife. Environ Sci Technol 35(7): 1339-42.

[2] Giesy, JP and Kannan, K. 2001. 3M Company submitted report: Accumulation of perfluorooctanesulfonate and related fluorochemicals in fish tissues. U.S. EPA Administrative Record AR226-1030a.

[3] Giesy, JP and Kannan, K. 2002. Perfluorochemical surfactants in the environment. Environ Sci Technol 36(7): 146A-152A.

[4] Giesy JP, KK. 2001. Accumulation of Perfluorooctanesulfonate and related Fluorochemicals in Mink and River Otters. U.S. EPA Administrative Record AR226-1030a157.

[5] Giesy JP, KK. 2001. Perfluorooctanesulfonate and Related Fluorochemicals in Fish-Eating Water Birds, AR226-1030a159. U.S. EPA Administrative Record AR226-1030a159.

[6] Giesy JP, KK. 2001. Accumulation of Perfluorooctanesulfonate and related Fluorochemicals in Marine Mammals. U.S. EPA Administrative Record AR226-1030a160.

[7] Giesy JP, KK. 2001. Accumulation of Perfluorooctanesulfonate and Related Fluorochemicals in Fish Tissues. US Environmental Protection Agency Administrative Record Number AR226-1030a156.

[8] Kannan, K., Franson, JC., Bowerman, WW., Hansen, KJ., Jones, PD and Giesy, JP. 2001. Perfluorooctane sulfonate in fish-eating water birds including bald eagles and albatrosses. Environ Sci Technol 35(15): 3065-70.

[9] Kannan, K., Koistinen, J., Beckmen, K., Evans, T., Gorzelany, JF., Hansen, KJ., Jones, PD., Helle, E., Nyman, M and Giesy, JP. 2001. Accumulation of perfluorooctane sulfonate in marine mammals. Environ Sci Technol 35(8): 1593-8.

[10] Kannan, K., Corsolini, S., Falandysz, J., Oehme, G., Focardi, S and Giesy, JP. 2002. Perfluorooctanesulfonate and related fluorinated hydrocarbons in marine mammals, fishes, and birds from coasts of the Baltic and the Mediterranean Seas. Environ Sci Technol 36(15): 3210-6.

[11] Kannan, K., Newsted, J., Halbrook, RS and Giesy, JP. 2002. Perfluorooctanesulfonate and related fluorinated hydrocarbons in mink and river otters from the United States. Environ Sci Technol 36(12): 2566-71.

[12] Kannan, K., Choi, JW., Iseki, N., Senthilkumar, K., Kim, DH and Giesy, JP. 2002. Concentrations of perfluorinated acids in livers of birds from Japan and Korea. Chemosphere 49(3): 225-31.

[13] Kannan, K., Hansen, KJ., Wade, TL and Giesy, JP. 2002. Perfluorooctane sulfonate in oysters, Crassostrea virginica, from the Gulf of Mexico and the Chesapeake Bay, USA. Arch Environ Contam Toxicol 42(3): 313-8.

[14] 3M. 1998. Screening of PFOS levels in eagles and albatross. U.S. EPA Administrative Record AR226-0080.

[15] 3M Laboratory report of fluorochemicals in wild bird livers, Report prepared for 3M, St. Paul, MN by 3M Environmental Laboratory Fluorine Analytical Chemistry Team (FACT). Study No. FACT-TOX-010.

[16] 3M. 2001. Screening Studies in the Aqueous Photolytic Degradation of Perfluorooctanoic Acid (PFOA). U.S. EPA Administrative Record AR226-1030 Photolysis E00-2192.

[17] 3M. 2001. Hydrolysis Reactions of Perfluorooctanoic Acid (PFOA). U.S. EPA Administrative Record AR226-1030a090.

[18] 3M. 2000. Biodegradation study of PFOS. US Environmental Protection Agency Administrative Record Number AR226-0057.

[19] Company, M. 1976. Biodegradation Studies of Fluorocarbons. U.S. EPA administrative Record AR226-0356.

[20] 3M. 1978. The 18-Day Aerobic Biodegradation Study of Perfluorooctanesulfonyl-Based Chemistries. U.S. EPA Administrative Record AR226-1030a.

[21] Olsen GW, LP, Simpson CA, Burris JM, Burlew MM, Lundberg JK, Mandel JH. 2001. Descriptive Summary of Serum Fluorochemical Levels among Employee Participants of the Year 2000 Decatur Fluorochemical Medical Surveillance Program. Final Report Epidemiology, 220-3W-05. U.S. EPA Administrative Record AR226-1030a120.  

 

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